ARTIGO 2 - CORRUPÇÃO BRASILEIRA: O AR QUE RESPIRAMOS

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 17 de janeiro de 2012.

Aí está um assunto polêmico! Uns dirão que a corrupção não é “privilégio” nacional, mas também está disseminada por todo o mundo, inclusive nos países ricos. É verdade! Porém, respondo que, neste momento histórico em que vivemos (início do terceiro milênio), a corrupção é o ar que respiramos. Talvez nunca tivemos tão alto grau de corrupção em toda a nossa sociedade, com, ao mesmo tempo, uma tão elevada exposição da questão, acompanhada pela impunidade. Ou seja, o problema banalizou-se. Está em todas as instâncias e também no seio familiar. Já faz parte da cultura nacional. E podemos encontrar as raízes desta situação no nosso passado. Por exemplo, logo após a vinda da Realeza Portuguesa para o Brasil (1808), há referência de que em 1810 se cantava nas ruas do Rio de Janeiro da seguinte forma(1): Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão. E quem mais rouba e esconde, passa de barão a visconde.

Contudo, não estou a escrever para culpar as nossas raízes. A intenção também não é apontar uma longa e quase infinita sequência de casos de corrupção, já fartamente divulgados pela imprensa. O objetivo desse meu escrito é lembrar que a corrupção brasileira somos nós que a fazemos, a cada dia, em atitudes diretas ou coniventes. É o ar que respiramos. Precisamos melhorar esta atmosfera. Mas, como fazer isto? Se compararmos o combate à corrupção a uma guerra, não será uma guerra comum (a campo aberto), mas sim uma espécie de guerra de trincheiras. No entanto, as principais trincheiras a serem conquistadas são aquelas que estão na nossa própria consciência. Estas são, de fato, as fundamentais, pois somente a partir delas, poderemos avançar com firmeza para conquistar espaços mais adiante, ou seja, desde as trincheiras familiares até as das instituições nacionais. Infelizmente prevejo que a batalha será longa, mas se não começarmos logo a realizar esta luta interna, onde chegaremos?

Finalizando este artigo, deixo um trecho de uma poesia(2) de Gregório de Matos Guerra (o “Boca do Inferno”), que nasceu na Bahia (23/12/1636) e morreu em recife (26/11/1695)(3), demonstrando que a corrupção está, mesmo, nos primórdios da nossa formação cultural, no Brasil Colônia:


Os círios lá vêm aos centos,

E a terra fica esfaimando,

Porque os vão atravessando

Meirinhos, guardas, sargentos.


E que justiça a resguarda?..... Bastarda.

É grátis distribuída?..... Vendida.

Que tem, que a todos assusta?..... Injusta.


Valha-nos Deus, o que custa,

O que El-Rei nos dá de graça,

Que anda a justiça na praça,

Bastarda, vendida, injusta.

 
Fontes bibliográficas consultadas:

(1) http://www.klickeducacao.com.br/conteudo/pagina/0,6313,POR-3611-23597-,00.html (acesso em 17/01/2012).

(2) http://www.artigonal.com/ literatura-artigos/o-discurso-satirico-de-gregorio-de-matos-2174227.html (acesso em 17/01/2012).

(3) http://pt.wikipedia.org/wiki/Greg%C3%B3rio_de_Matos (acesso em 17/01/2012).

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