RELATO 50 - A VOLTA DA CONSULENTE DE PAI CIPRIANO

Autor: Pablo de Salamanca


Naquele terreiro, já com a experiência adquirida ao longo de mais de duas décadas, eu comuniquei ao dirigente da casa que só poderia atender sete consulentes por sessão. As entidades que trabalham através da minha mediunidade, quase sempre, não dão apenas orientações durante a consulta, mas também descarregam aos mais necessitados. Neste contexto, compreendi que não deveria ficar muito no limite de minhas forças, o que quase sempre pratiquei no início de minha jornada mediúnica, para meu próprio risco. Desta forma, encontrei melhor equilíbrio energético e de saúde.

Naquela sessão de pretos-velhos, mais uma vez, todos os números de atendimento de Pai Cipriano foram preenchidos. Seria um dia de atividade intensa para mim e para o guia. Trabalho na semiconsciência e, quando me é útil, Pai Cipriano me permite compreender parte do problema do consulente e parte da solução apontada, conseguindo reter na memória algum conteúdo. 

Após um tempo atendendo incorporado, chegou mais um consulente em frente ao preto-velho. Era uma mulher desconhecida. O que pude entender da conversa entre ambos é que aquela senhora estava desempregada e pedia ajuda para trabalhar como acompanhante de idosos. O espírito passou alguns banhos de ervas e ensinou uma “mandinga”, não registrada pela minha mente. Não pude reter maiores detalhes da consulta do preto-velho, que costuma ser relativamente longa, já que, não raras vezes, numa sessão como essa, eu permaneci sentado por cerca de quatro horas, mediunizado pelo guia. Fazendo uma conta simples, em média, uma consulta com Pai Cipriano poderia durar cerca de 30 minutos. Entretanto, guardei bem na memória o rosto da mulher e o seu sentimento de angústia pelos poucos recursos financeiros.

Depois da sessão, já debaixo do chuveiro quente, em casa, a imagem dela e o seu problema retornaram a minha tela mental. Rezei pela mulher e pedi aos guias que pudessem lhe abrir os caminhos. Eu, na minha limitação humana, sentia-me impotente. Pensava na infinidade de pessoas em penúria no País, desejando uma oportunidade, e aquela senhora era apenas mais uma. O que, pessoalmente, eu poderia fazer a mais? Nada vinha a minha mente... Só poderia, mesmo, entregar nas mãos dos bons espíritos…

O tempo passou e chegou o dia de uma nova gira de pretos-velhos. À distância, vi a mulher em meio a outros consulentes, aguardando o início da sessão. Deveriam ser em torno de 100 pessoas ali, esperando a chance de conversar com algum dos vários trabalhadores da Linha das Almas. Naquela gira, dentro do meu processo de semiconsciência, não recordei de ter visto aquela consulente, em frente ao Pai Cipriano.

Semanas se passaram e, com elas, ocorreram sessões de exu e de caboclos. Às vezes eu distinguia a presença daquela senhora junto ao público, mas não entre as pessoas que se consultavam com os meus guias. 

Meses foram transcorrendo e a mulher sumiu. Não mais notei a sua presença, nem mesmo nas datas festivas. Eu havia ficado sem saber se ela tinha conseguido oportunidade de trabalho. Aliás, essa questão aflige em maior ou menor grau quase todos os médiuns. Nós temos algum desejo de obter um retorno sobre a eficácia de nossos esforços mediúnicos e também quanto às orientações que são proferidas pelas nossas bocas, durante as tarefas executadas em transe. Não devemos ter excesso de preocupação, mas sim confiar na Espiritualidade, também lembrando que o consulente receberá conforme o seu mérito. Não basta apenas pedir, mas, além disso, fazer por merecer.

Contudo, a vida dá voltas. Cerca de um ano e meio depois, numa nova gira de pretos-velhos, eis que surge à frente de Pai Cipriano, aquela senhora. Ele me deixou captar razoavelmente o início da consulta, talvez atendendo ao meu desejo interior de compreender se ela estava bem e também para eu poder ouvir o resultado do trabalho realizado. Lembro que a mulher estava feliz, porque, segundo a própria, após a única consulta com o Pai Cipriano, a vida dela havia melhorado muito. Ela teve várias oportunidades de trabalho e, desde então, estava ganhando o dinheiro dela sem interrupção. A mulher colocou que, finalmente, havia conseguido um número para se consultar novamente com o Pai Cipriano, já que, por morar longe, não chegava cedo o suficiente para pegar uma das sete vagas daquela entidade. A conversa transcorreu. Notei que ela agradeceu muito e veio pedir algo a mais, porém não registrei o restante da consulta.

Bem, o que pude assimilar daquele último diálogo entre aquela senhora e o preto-velho foi o suficiente, para eu me dar por satisfeito, dentro de minhas limitações humanas. Alguns meses depois, tive que me desligar daquele terreiro. Espero que aquela consulente faça uma boa jornada nesta sua vida terrena e agradeço a Pai Cipriano pelo aprendizado. Nós médiuns precisamos trabalhar com serenidade e entregar os resultados à Espiritualidade Maior. Salve as Almas!  


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