RELATO 5 - A POMBA-GIRA QUE IMPEDIU UM ABORTO

Autor: Pablo de Salamanca


            Conheci Dandara no final dos anos 90. A mãe de Dandara era colega de trabalho de Tetê Souza, uma companheira médium com quem atuo até os dias atuais. Foi por intermédio de Tetê Souza, que Dandara e sua mãe passaram a frequentar o centro, onde eu e Tetê labutávamos à época.

            Após um curto período comparecendo na nossa casa espiritualista, Dandara pediu a Tetê Souza, por meio de um telefonema, uma orientação particular através do baralho cigano. A médium concordou e chamou a jovem para ir, no final de semana seguinte, a sua residência. Eu lá estava, notando que a moça e sua mãe chegaram com fisionomias tensas. O assunto deveria ser grave.

            Depois que nos cumprimentamos, Tetê Souza foi para o cômodo destinado ao oráculo. Nada havia se falado sobre o motivo de Dandara e sua mãe estarem ali. O jogo de cartas seria realizado “às cegas”, isto é, sem a declaração dos possíveis problemas.

             Em seguida às preparações e orações iniciais, a médium abriu as cartas. Ela fazia interpretações gerais, como de hábito, no início de cada jogo. Mas, não houve prosseguimento, porque a Sra. Maria Padilha aproximou-se de Tetê Souza, para logo se manifestar através da incorporação.

           A pomba-gira, como sempre muito firme, disse a Dandara que ela já havia “tirado um filho” e jogado na “lata do lixo”, um tempo atrás. E sem que houvesse qualquer reação das pessoas presentes, a Sra. Padilha arrematou: “Se você fizer isso de novo, é você quem vai parar na lata de lixo. Esse espírito que está aí agora é o mesmo que tentou vir anos atrás.”

            Dandara, em prantos, comentou que estava preocupada, pois seu namorado estava distante, trabalhando em outro estado. Colocou também que precisava de ajuda para criar o bebê e não sabia se o rapaz iria assumir a paternidade. Contudo, a Sra. Padilha falou que o pai iria voltar e assumiria o relacionamento e o filho. A jovem, diante da informação, disse à entidade que esta era a confirmação que estava esperando da Espiritualidade. Não iria mais “tirar o bebê”, em hipótese alguma.

          Não demorou muito e a pomba-gira subiu, deixando a médium um pouco atordoada. Após alguns minutos, Tetê Souza voltou à normalidade. Então, vieram algumas revelações por parte de Dandara e sua mãe. A primeira é que Dandara havia feito um aborto quando tinha 14 anos de idade. Agora, aos 20, estimulada pela mãe, estivera prestes a fazer um segundo aborto. A mãe, alguns dias antes, havia comprado comprimidos abortivos, mas o rapaz da farmácia não conseguira encontrar o endereço por nada, mesmo passando próximo à casa, diversas vezes, deixando de entregar o “remédio”. Dandara, em face do ocorrido, tinha interpretado isso como um sinal da Espiritualidade de que não deveria tirar o bebê. E assim, dissera à mãe que procuraria uma confirmação através do baralho cigano de Tetê Souza, apesar de certa contrariedade da sua genitora.

            Depois da “confissão” das duas, a médium ficou bem espantada com essa história toda, que ela desconhecia completamente. A Sra. Padilha, no entanto, sabia de tudo, e na primeira oportunidade se manifestou para evitar mais aquele aborto.

            Hoje, muitos anos depois, Dandara é mãe de três crianças e é enfermeira formada. O primeiro filho já é um adolescente e é aquele que a pomba-gira protegeu para que pudesse nascer. O marido de Dandara é aquele rapaz que estava distante, a trabalho, e retornou para assumir a paternidade e formar uma bela família. Aliás, seu marido acabou por se tornar um médium atuante na corrente umbandista. E a mãe de Dandara? É uma avó bem atarefada, muito requisitada para dar uma mãozinha para cuidar dos netos.

            E quanto a mim, que apenas registrei esses fatos? Bem, só posso agradecer a Deus por ter sido testemunha desses acontecimentos e salve a Sra. Maria Padilha!



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