RELATO 48 - A PROTEÇÃO DO EXU PINGA-FOGO

Autor: Pablo de Salamanca


Naquele final de semana, eu e Tetê Souza tínhamos uma missão especial. Iríamos ao terreiro de Umbanda, atendendo ao pedido do dirigente espiritual da casa, para ajudar vários médiuns que estavam desgastados. Não vou entrar em detalhes sobre os trabalhos realizados, porque foram variados, já que cada pessoa tinha um problema diferente. Ficamos lá desde às 9:00 h da manhã, até cerca de 16:00 h, ou seja, foram atividades bastante intensas, mas levadas a bom termo.

Depois disso, fomos para a residência de Tetê Souza, no intuito de descansar. Embora estivéssemos cansados, estávamos nos sentindo relativamente bem. Além de tudo, guardávamos o sentimento do dever cumprido.

Após algumas horas, a noite chegou e resolvemos dormir. No entanto, o sono não chegou tão rápido quanto imaginávamos. Fiquei conversando com Tetê Souza e, num dado momento, senti uma vibração um tanto negativa. Estava um pouco nauseado, embora não fosse algo tão significativo.

Paramos de conversar e tentamos dormir. Fechei os olhos. Pensei que, durante a noite de descanso, alguma sobra de bioenergias densas que porventura pudesse ter permanecido comigo seria transmutada. Entretanto, logo em seguida tive uma vidência, enquanto permanecia com os olhos fechados. Notei um homem sem camisa, no quarto, que vinha caminhando de uma forma razoavelmente lenta. Percebi que ele tinha algumas dobras de gordura no abdômen, embora não fosse muito obeso. Era moreno e talvez ele fosse o motivo de eu estar um tanto enjoado.

Para minha surpresa, quando ele passou por onde eu estava, observei que atrás dele, praticamente o empurrando, havia um outro homem quase grudado nele. Então, desta segunda pessoa, na altura do seu umbigo, surgiu uma labareda de fogo para o alto, até a parte superior das costas do homem obeso, que, na sequência, sumiu do ambiente.

Fiquei espantado com o que havia ocorrido, mas a vidência ainda não tinha terminado, porque o segundo homem (o que emitiu o jato de fogo) parou próximo de mim. O espírito masculino se virou, para que eu pudesse vê-lo de frente. Ele era um oriental, aparentemente um japonês, sem camisa e com uma tatuagem. Esta era formada por três listras semelhantes àquelas que os tigres possuem. As listras estavam na horizontal, em paralelo, uma sobre a outra. A primeira começava na junção ombro esquerdo com o braço, se estendendo até o meio do tórax. As outras duas listras, mais abaixo, começavam no braço esquerdo e tinham seu final desenhado também no meio do tórax. Era um jovem de cerca de 23 anos de idade aparente, musculoso e de semblante bastante sério. Na sequência, ele desapareceu.

Abri os olhos, na penumbra do cômodo, e perguntei a Tetê Souza se ela já estava dormindo. A médium logo respondeu que não. Aproveitei o ensejo e contei-lhe a vidência que eu acabara de ter. Ela achou interessante e disse para eu permanecer quieto, pois poderia surgir mais alguma coisa. Fechei os olhos e relaxei novamente.

Senti um formigamento na testa, mais ou menos na região entre os dois olhos materiais (chacra frontal). Logo surgia uma imagem sombreada de um homem que usava um quimono (vestimenta tradicional do Japão). Entendi que a nova vidência era uma confirmação da origem nipônica daquela entidade, no passado. Achei interessante porque, alguns anos antes, através de uma regressão de memória, revivi uma vida antiga como samurai, no Japão Feudal. Isto explicava aquele guardião ali, no quarto, que acabara de me prestar uma ajuda, encaminhando o quiumba que me incomodava. Aquele exu era possivelmente um amigo do passado...

Então, voltei a falar com Tetê Souza, contando o que eu havia visto. Depois, novamente a minha testa, na altura do chacra frontal, voltou a formigar. Pensei que aquela ativação espontânea, novamente me traria alguma vidência. Contudo, não percebi mais nada. Eu já não tinha qualquer mal-estar e, antes de pegar no sono, surgiu-me um cântico de Umbanda na mente, que era um ponto do Exu Pinga-fogo. Aquele espírito de origem japonesa se manifestava dentro da corrente umbandista, na falange citada.

No dia seguinte, pela manhã, meditei sobre o assunto. Sei que é relativamente comum termos, próximos a nós, entidades amigas que conviveram conosco no passado, em outras vidas materiais. Embora eu nunca tenha trabalhado incorporado com o Sr. Pinga-fogo, ele ali estivera presente para me prestar um socorro. É relevante, também, salientar que nos trabalhos umbandistas geralmente se lida com cargas muito negativas e, não raras vezes, quando ajudamos outras pessoas, sejam consulentes ou outros médiuns umbandistas, na realidade nós “compramos a briga” de outros indivíduos, ou seja, se estes tinham obsessores os perseguindo, estas criaturas desequilibradas acabam por tentar prejudicar a quem interferiu em suas ações. Portanto, nem sempre um trabalho umbandista termina dentro do terreiro, porque se o médium, junto com seus guias, retiram um espírito perturbado de alguém necessitado, lá fora geralmente permanecem outros obsessores, que nos iniciam uma perseguição.

A Umbanda é, frequentemente, ação de choque contra forças bastante deletérias e, neste contexto, a ajuda dos senhores exus é fundamental antes, durante e após as atividades. Desta forma, aproveito esta vivência para colocar este assunto em pauta e também deixar um agradecimento ao guardião que me acudiu naquele dia. Laroiê Exu Pinga-fogo! Salve suas forças! Exu é mojubá! 


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