RELATO 45 - EXU CAVEIRA E AVISOS DE MORTE NO TERREIRO

Autor: Pablo de Salamanca


Quando completou um ano de minha participação como médium naquele centro, recebi um aviso do exu que trabalha através da minha mediunidade, o Sr. Caveira. Ele soprou ao meu ouvido: "Vai ter uma morte no terreiro." Estranhei o aviso, porque não via muita necessidade de eu saber, com antecedência, que alguém desencarnaria ali. De qualquer maneira, aguardei os acontecimentos, sem grandes expectativas, mas com alguma curiosidade sobre o possível fato. Alguém estava com os dias contados. Era a Lei Maior. Quem seria? Quem já teria cumprido a sua missão terrena?

Poucas semanas se passaram e, ao chegar em uma sessão, o dirigente espiritual da casa comentou que um médium da casa tinha perdido, há poucos dias, a sua mãe. E o dirigente continuou falando, que aquela senhora recém-falecida havia sido uma das fundadoras do terreiro. Também teceu alguns elogios a ela e, em seguida, o assunto terminou. Logo percebi que aquela era a notícia predita pelo Sr. Caveira. No entanto, fiquei sem entender adequadamente o porquê o exu havia me contado sobre o fato vindouro.

Passaram-se dois anos e, ao final de uma sessão, enquanto eu conversava com o dirigente espiritual da casa e mais uma médium, o Sr. Caveira se aproximou de mim, de forma a me passar um novo aviso. Pedi licença às duas pessoas e fui até ao local onde estavam as firmezas dos exus da casa. Ali não havia qualquer encarnado por perto e coloquei-me à disposição do Sr. Caveira, para ouvi-lo. Ele, então, deu-me a seguinte comunicação: "Vai ter morte no terreiro." Foi um recado curto e direto, mas pude compreender que ocorreria mais de um desencarne. Não me preocupei muito e contei o fato apenas a minha companheira de jornada, que também atuava como médium da casa. 

Para a minha surpresa, as mortes não demoraram a acontecer. O primeiro desencarne foi o da mãe da minha companheira. A velha senhora partiu cerca de duas semanas em seguida. Uns 12 dias depois, ocorreu o falecimento da mãe do principal cambono da casa. Mais cerca de 15 dias e ocorreu o desencarne da genitora do médium de descarrego mais atuante do terreiro. Neste caso pude ir ao enterro, pois não houve conflito com o meu horário de trabalho material. 

Depois deste evento, transcorreram quase 20 dias e eu soube que uma consulente da casa espiritualista havia falecido, devido a uma doença fulminante. É claro que eu pensei no aviso do Sr. Caveira e eu, inocentemente, concluí que aquela situação de desencarnes deveria ter terminado. Mas, eu não estava certo! A "morte", de fato, rondava o terreiro. Mais três semanas e soube que uma ótima médium de consulta, pessoa muito querida de minha parte, havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). Fiquei preocupado, crendo que ela desencarnaria, mas isso não aconteceu até hoje, embora ela tenha passado por mais dois AVCs. Felizmente recuperou-se, com poucas sequelas, contudo não possa retornar as suas atividades mediúnicas.

Desta forma, imaginei que a revelação do Exu Caveira tivesse chegado ao final. Porém, algo estava obscuro ainda, pois um neto do dirigente espiritual do centro tentou o suicídio, algumas semanas depois. Por Misericórdia Divina, ele foi socorrido em tempo e se recuperou. Depois de alguns dias, por fim, veio a última notícia sinistra: havia morrido mais uma consulente do terreiro.

Bem, o saldo da predição do Sr. Caveira foram cinco desencarnes e dois casos de quase-morte. Tudo isso ocorreu no período de quatro meses. Fiquei meditando sobre por qual motivo o Exu havia me contado sobre esses acontecimentos. Primeiramente, entendi que tudo isso faz parte de um treinamento mediúnico, quanto a conseguir ouvir às entidades, estando no estado de vigília. É importante, para o médium, saber intuir ou escutar verdadeiramente a seus guias e protetores no dia-a-dia. 

Em segundo lugar, e talvez esta seja a parte mais importante, o Exu estava me chamando a atenção para o fato de que a morte é algo inerente à passageira vida física, e, além disso, uma ocorrência não tão grave e nem tão definitiva. Para a Falange dos Caveiras, que agrega espíritos trabalhadores que atuam tanto em processos de cura, quanto com o desligamento do corpo material, encaminhando os recém-desencarnados, isto é evento corriqueiro. O indivíduo desencarna aqui na Terra e renasce automaticamente do “outro lado”. Sinto, enquanto escrevo estas últimas palavras, que o Sr. Caveira deseja que o amigo leitor não tenha tanto apego pela sua "casca física", pela sua personalidade terrena, pelas ilusórias posses do Plano Material e que entenda que morrer é apenas passar para a vida plena: a vida espiritual! Nós encarnados, umbandistas e espiritualistas de todo tipo, devemos, ainda que a passos meio lentos, termos a compreensão de que não há exatamente morte, mas sim vida em todas as dimensões. Saravá Exu Caveira! Exu é mojubá!

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