RELATO 43 - A CHEGADA DO ERÊ ZEQUINHA

Autor: Pablo de Salamanca


Naquela época, década de 90, eu trabalhava com o Pedrinho da Praia, entidade sutil, na “Mesa de Umbanda”. No entanto, às vezes, eu sentia a presença de outro trabalhador espiritual da Linha das Crianças, mais agitado do que o bem-comportado Pedrinho. Eu não sabia quem era, ou seja, qual o seu nome. Porém, isso não me preocupava. Apenas fiquei um tanto curioso, como todo médium ainda no início de sua jornada mediúnica. 

Num determinado dia, na universidade, fui comprar algo para comer em um dos vários quiosques existentes. Ali trabalhavam mãe e filha, mas só a moça estava presente naquele horário. Ela sabia que eu era espiritualista e começou a puxar assunto. Embora eu fosse tão jovem quanto ela, aconselhei-a sobre algumas questões, pois ela passava por problemas e tinha uma personalidade muito impulsiva.

Após um certo tempo, por algum motivo que não recordo mais, ela passou a falar sobre o erê de sua mãe, cujo nome era Zequinha. E a jovem descreveu suas características, quando incorporado, salientando que era muito ativo e bagunceiro.

Depois da conversa, fui assistir uma aula e, mais tarde, retornei para casa. Tomei um banho e, em seguida, aproximou-se o erê que estava me arrodeando já há algum tempo, inclusive no centro espiritualista onde eu labutava, sob a direção do amigo Nélson Vilhenna. Fiquei atento, no meu quarto, e pude ouvir a entidade que dizia repetidamente: “Eu sou Zequinha! Sou eu! Meu nome é Zequinha!”

Sua presença era vívida e marcante. Não tinha dúvida de que estava, ali, o espírito que já me emitia as suas vibrações há algum tempo. Após uns minutos, ele se afastou. Entretanto, como eu era médium ainda inexperiente, fiquei um pouco desconfiado se minha mente não poderia estar me “pregando uma peça”, quanto à identificação da entidade. Será que eu havia entendido direito? Talvez a moça da cantina, sem querer, havia me sugestionado quanto ao Erê Zequinha.

Contudo, isso não me incomodou muito. Tendo a entidade este nome, ou não, era questão de importância relativa. Eu apenas desejava ser um bom instrumento da Espiritualidade. Assim, não contei o fato a ninguém, continuando minhas atividades normais.

Semanas se passaram e o Nélson Vilhenna me convidou a ir visitar a médium Ivana, que também pertencia ao nosso grupo espiritualista. Nélson era o dirigente e a senhora Ivana era a médium mais experiente da casa, à época. Ivana iria fazer uma limpeza espiritual em sua residência e queria a nossa presença e ajuda.

Uma vez no lar de Ivana, fizemos alguns procedimentos, como a defumação do ambiente. Em dado momento, com o apoio de Nélson e Ivana, permiti a chegada de uma entidade para auxiliar na limpeza do local. Para a surpresa de todos, era um erê. Ele trabalhou através de mim, correndo e rindo pelos cômodos da pequena casa de Ivana.

Quando ele sossegou um pouco, em plena sala, a senhora Ivana o abordou, dizendo: “Eu sei o seu nome! O nome que você tinha na terra!” A entidade incorporada, segundo o Nélson, que assistiu a tudo, ficou parada em frente à médium, aguardando o que ela iria dizer. Então, a senhora Ivana falou de forma confiante: “Você se chama José Carlos! Não é isso?” O erê sorriu, satisfeito, e disse: “Tá certo, tiazinha! Meu nome é Zequinha!” E ela retrucou: “Você não é fácil não, hein?” O espírito, na sequência, revelou: “Eu sou da calunga, tia! Sou Zequinha da Calunga e eu vim aqui pra trabalhar!”

Depois que a incorporação terminou, Nélson, eu e Ivana conversamos sobre o acontecimento. O dirigente de nosso grupo explicou que certos erês, que possuem uma densidade vibratória maior, realmente atuam em trabalhos mais “pesados”, como a limpeza de ambientes ou desfazendo magias negativas.

Mais tarde, em minha casa, achei muito interessante o fato da médium Ivana captar intuitivamente o nome do erê, em sua última vida terrena, José Carlos, cujo apelido associado é Zeca. Ou seja, como o espírito se manifestava na forma infantil, adotou o nome diminutivo, que é Zequinha.

Aproveito o ensejo, para falar um pouco sobre a insegurança de médiuns novos que, muitas vezes, somada à ansiedade, não permitem o entendimento sobre qual entidade irá trabalhar através deles. Então, nesse contexto, médiuns inexperientes não permitem um bom acoplamento na incorporação, de modo que o falangeiro espiritual possa transmitir corretamente o seu nome. Assim, às vezes, as entidades passam esta informação através de um sonho ou por outros meios. No meu caso, à época, eu já sabia o nome do erê, que ainda não havia incorporado. Porém, mantinha uma certa dúvida, interiormente, que foi debelada de uma maneira muito curiosa, como descrito acima. 

Até hoje trabalho com o Zequinha e existem algumas passagens interessantes, com ele, na minha jornada mediúnica. Em outras oportunidades, pretendo contar algo a respeito. Salve todos os erês. Onibejada!

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