RELATO 4 - O ASSASSINO E O PRETO-VELHO

Autor: Pablo de Salamanca


Era o final da década de 90. Eu participava de mais uma sessão de "mesa de Umbanda". Eu e a amiga Tetê Souza, ambos médiuns do centro, sentávamos lado a lado. Havíamos chegado um pouco preocupados na casa espiritualista, pois sabíamos que lá, naquele dia, iria um "matador" a procura de ajuda. Aquele homem era uma espécie de "justiceiro" de um bairro próximo, e sempre que aparecia alguém estranho na localidade, quando desconfiava que poderia ser um malfeitor, acabava cometendo assassinato. Sabíamos disso, pois sua ex-mulher estava frequentando o centro, e nos preveniu que o homem pedira para ir lá em busca de auxílio. E ele estava sentado, bem quieto, a espera de algo.

Após algumas atividades, chegou a hora das entidades de Umbanda atuarem de forma mais evidente. Antes que eu pudesse sentir qualquer vibração mais forte, Tetê Souza recebeu o Caboclo Pena Verde. E ele chamou o "visitante", dando-lhe um severa bronca. Disse que ele não tinha o direito de fazer a "justiça" com as próprias mãos, dentre outras coisas. Falou também que ele não vinha dormindo bem e que era devido aos quatro que estavam "nas costas dele". Por fim, explicou que ele receberia uma ajuda ali, mas que não deveria voltar a fazer o que vinha fazendo. Então, o Sr. Pena Verde se despediu e assinalou que um guia do próprio consulente viria na médium Tetê Souza para ajudá-lo. A seguir, o Caboclo "subiu" e logo sua médium recebia um típico preto-velho, que todos entendemos ser um protetor espiritual do homem que se tornara um assassino.

O preto-velho, em tom de lamentação, deu orientações ao seu pupilo. A entidade estava bastante entristecida pelo procedimento de seu filho na Terra. Não recordo com exatidão as palavras do preto-velho, devido ao momento tenso e um tanto constrangedor, mas em resumo ele disse que socorreria àqueles que haviam perdido a vida de forma brusca e violenta.

Então, o preto-velho disse ao "justiceiro" que colocasse as suas mãos nos ombros da médium. Logo na sequência, a entidade subia para trazer um rapaz que havia sido assassinado pelo consulente. Aquele espírito perturbado chorou muito e questionou várias vezes por que havia sido morto. Disse que tinha muita vontade de viver, enfatizando que era muito novo para ter perdido a vida. O dirigente da casa, Nélson Vilhenna, conversou com a entidade sofredora, até que ela partisse em sono induzido. A seguir, o preto-velho retornou e, após algumas palavras ao seu pupilo, despediu-se dizendo que todos são filhos de Deus, e que todos têm o direito de viver.

O consulente, então, foi convidado a sentar-se novamente num canto do salão. Ali ele ficou, silenciosamente, até o final da sessão, quando agradeceu furtivamente, para não mais retornar ao nosso centro.

Para nós, ficou a lição da dificuldade dos espíritos-guia e protetores em nos orientar num caminho positivo de vida. Era evidente o próprio sofrimento do preto-velho, em presenciar os desvios que seu pupilo vinha cometendo no Plano Físico.

E o que aconteceu com o "justiceiro"? Soubemos que ele se mudou da cidade, indo para o interior do Estado do Rio de Janeiro. Espero que tenha conseguido dominar seus próprios ímpetos de violência. No entanto, pela Lei de Causa e Efeito, há um débito dele em relação à Vida, que só no futuro poderá transformar adequadamente.



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