RELATO 39 - AS GUIAS DE EXU

Autor: Pablo de Salamanca


Ainda bem no início do meu trabalho mediúnico com a Linha de Exu, em certo dia, o cambono fez uma pergunta à entidade que se manifestava através de mim: "Seu Sete, como é a guia que seu aparelho deverá usar?" Para surpresa do cambono, e depois também minha, o Senhor Sete Encruzilhadas deu orientações para fazer duas guias de exu. Uma delas deveria alternar sete contas pretas com uma vermelha, tendo alguns outros apetrechos. A segunda guia era praticamente o inverso: sete contas vermelhas e uma preta, alternadamente, com mais outros itens não necessários de se mencionar.

Naquele terreiro, isto não era comum, pois cada médium usava apenas uma guia específica do seu exu de trabalho. Quando pude conversar com a dirigente espiritual da casa, idosa mãe de santo, bastante experiente, ela sorriu e disse que antigamente isso acontecia em algumas casas de Umbanda. E ela não se opôs a eu fazer e usar as duas guias. Assim, atuei com o Sr. Sete, ali, por um tempo.

Poucos anos depois, quando já havia ido para o centro do amigo Nélson Vilhenna, lá conheci a médium Carmem, que, por sua vez, vinha de um outro terreiro onde não havia trabalhos com exus. Ela, inclusive, tinha muito medo dos guardiões, pois o dirigente de sua casa original não só impedia a incorporação com exu, como também falava mal deles, associando-os a atividades maléficas. Foi difícil, para mim e para o Nélson Vilhenna, mostrarmos à médium Carmem que a orientação que recebera, no passado, estava bastante equivocada. Mas, com o tempo, ela entendeu.

Num determinado dia, durante um trabalho de firmeza, recebi o Sr. Sete Encruzilhadas. Não demorou muito e ele retirou de meu pescoço as duas guias de exu. Uma delas ele separou e disse que era dele, de fato, devolvendo ao meu pescoço. A outra, que alternava sete contas vermelhas com uma preta, ficou pendente em uma de minhas mãos, enquanto ele gargalhava. Então, Carmem entrou em transe. Sua pomba-gira, a Sra. Maria Padilha, manifestou-se muito sorridente. Ela aproximou-se do Sr. Sete e apanhou a guia pendente, falando: "Essa é minha!" Dito isso, a entidade colocou a guia no pescoço de sua médium. Ambos trabalhadores espirituais gargalharam e se abraçaram. Ali estava selado um compromisso que durou sete anos. Este casal de guardiões atuou por este período no terreiro de Nélson Vilhenna, sendo os condutores das giras de esquerda, nas atividades de incorporação, consultas e descarregos, dentro daquela ótima egrégora espiritual. Estas entidades ajudaram muitas pessoas ali, num período muito produtivo de minha vida mediúnica. Naquele local, não só os consulentes foram beneficiados, mas também uma boa leva de médiuns novos, que se desenvolveram a contento, iniciando as suas tarefas de caridade com  boa orientação e equilíbrio.

Bem, o que posso destacar ao final deste relato, é que nós médiuns não temos muita noção do que acontece nos bastidores espirituais. Não recordamos a programação pré-reencarnatória e, desta forma, não sabemos como será a nossa missão e com quais entidades temos um compromisso. Porém, naquela época, ficou patente uma parcela do que estava programado para mim e para a médium Carmem, através daquela orientação de se fazer duas guias de exu. Ele, o Sr. Sete Encruzilhadas, já sabia que eu encontraria a médium, com a sua pomba-gira, a Sra. Maria Padilha. Ambas entidades tinham ciência de tudo. Nós, os médiuns, apenas aceitamos a surpresa aqui no lado da vida terrena. Laroiê exu! Exu é mojubá.

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