RELATO 38 - O FEITICEIRO

Autor: Pablo de Salamanca


Eram sete de junho de 2016, quase meia-noite. Senti a presença do Sr. Sete Encruzilhadas em minha residência. Ele avisou-me que trazia uma entidade para contar a sua história. Após breves momentos, acomodei-me à mesa para permitir a psicografia, surgindo a mensagem a seguir.

Boa noite moço! Vim para escrever a minha história. Sei que minha energia te incomoda um pouco. Você não está acostumado comigo. Vim sob a ordem do seu guardião. Trabalho com ele. Minha história vai ser útil para o povo da Terra.

Quando estive encarnado, e não faz muito tempo, tive a missão de ser médium de Umbanda. Minha família era humilde e dela tive bons exemplos. Não tinha um que não ganhasse o pão com o suor do rosto. Não tive muito estudo. Não era possível. Mas, tive uma profissão. Aprendi uma com o meu pai, que era bom artesão. Não dava muito dinheiro, mas dava sustento honesto.

Cresci no trabalho e na religião de meus pais, católicos de fé. Eu apenas seguia a eles, mas os ensinos não tocavam meu coração. Um tio me levou para os conhecimentos da magia, das ervas sagradas. Gostei, mas eu não tinha a cabeça tão reta. Trabalhei um tempo na cura. Achei bom. Achei bonito. Mas, eu tinha ambição. Queria ganhar dinheiro e, por isso, me desviei dos ensinos que recebi. Busquei, na feitiçaria paga, um meio de vida. Eu fui vivendo nisso, com bons resultados, por um tempo longo. Eu ganhava para curar doença. Eu ganhava para as pessoas poderem voltar a dormir bem. Eu ganhava para curar impotência. Mas, eu queria ganhar mais e, para isso, não tinha cliente que pagasse muito. Então, comecei a aceitar outros tipos de pedido: amarração de homem ou de mulher, derrubar inimigos, vinganças e até a morte.

Não percebia que, há muito tempo, meus guias de verdade haviam me deixado. Aliás, isso nem passava pela minha cabeça, pois o dinheiro passou a correr bem em minhas mãos...

Contudo, não cheguei a ficar velho. Minha vida foi interrompida pela Lei. E foi bom, porque senão eu ia afundar mais e mais. Numa batalha contra outro feiticeiro, por causa de um cliente rico, perdi a vida devido a uma doença que eu não sabia curar. Não era doença da carne não! Era doença da alma! A cura começou a acontecer com a morte do meu corpo, que só emagrecia e emagrecia...

Quando cheguei no “outro lado”, fui arrastado por espíritos piores do que eu, para um lugar do submundo. Fui escravizado. Quem me servia, durante a minha vida física de feiticeiro, agora queria que eu fosse servo. Fiquei ali por alguns anos, obedecendo e executando ordens para prejudicar pessoas na Terra, pela magia negra. Finalmente eu estava entendendo como funcionavam as coisas no “outro lado”, nas zonas próximas ao Mundo Material.

Com o tempo fui me arrependendo. Lembrava da minha família, e também do meu tio, que havia me dado bons ensinamentos. Lamentava que eu não havia formado minha própria família, pensando só em ganhar dinheiro. Deixei escapar oportunidades. E estava ali, servindo como lacaio de entidades mais brutas que eu. A ambição havia me cegado.

Eu não tinha muito tempo para me entregar ao arrependimento, porque quando minha mente se perdia nisso os “chefes” percebiam e me puniam. Nas camadas baixas do Astral, há dor parecida com a física. Tudo depende da mente e das emoções. Conforme a energia da entidade, ao apanhar, sente dor. O espírito ignorante pode ficar preso, sentir fome e sede. Há verdadeiras torturas nos submundos, mas não vim para detalhar isso não!

Um dia, numa época em que obedecia só por obedecer, já não tendo afinidade com tudo aquilo, tive uma oportunidade nova. Eu estava na casa de uma pessoa rica, para causar uma perturbação encomendada. Era eu e mais outro “pau mandado”. No entanto, depois que entramos na mansão, ficamos presos no lugar. Ali tinha uma proteção invisível. Parecia uma armadilha. Entramos livremente, sem sentinelas, mas não era possível sair. Uma barreira não nos deixava sair. Meu “companheiro” ficou revoltado! Eu não! Já estava cansado de tudo. Se eu não podia voltar para o “buraco” onde estava acostumado, e se nenhum “chefe” conseguiu voltar para nos cobrar, melhor!

Após alguns dias, tudo se esclareceu. Eu e meu comparsa fomos recolhidos por um grupo de exus. Meu comparsa resistiu e foi imobilizado a força. Eu não reagi. A partir daquele dia, fomos para lugares diferentes. Deram-me uma chance para recuperação e reinício de trabalho dentro da Lei. Eu aproveitei a chance e, com o tempo, trabalhei como auxiliar de uma falange de exus. Minha tarefa era resgatar entidades esgotadas energeticamente no Baixo Astral. Agora, depois de nove anos terrestres, me deram grau. Já trabalho como exu de descarrego em centros de Umbanda. Não dou consulta não! Preciso aprender mais. E só consigo te transmitir essa mensagem, porque estou sendo ajudado.

Vou seguindo minha caminhada, com determinação, sem desanimar. Passei por um grande desvio! Perdi uma vida, caindo no mesmo erro de um passado mais distante. Espero que meu caso seja lido pelo povo da Terra e que sirva para outros que renasceram para serem médiuns. E que esses não caiam como eu! Aproveitem melhor a chance de crescer e de se libertarem dos velhos vícios.

 Após a veiculação da mensagem, senti-me um pouco cansado, até porque já havia passado da meia-noite. A entidade não se identificou, mas não me incomodei com isso. Agradeci ao Sr. Sete por ter trazido aquele espírito, que nos contou sua história, que é a história de muitos médiuns que se perdem por ambição financeira ou de poder. Meditei um pouco sobre este assunto e senti que tinha cumprido bem a minha missão psicográfica, naquela noite. Em seguida, fui dormir, tendo uma boa noite de sono.

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