RELATO 37 - OFERENDA PRECIPITADA

Autor: Pablo de Salamanca


Naquela sessão de caboclos, muito movimentada, estava presente Adriano, irmão de um dos cambonos da casa espiritualista. Era a sua primeira vez ali e estava muito necessitado de ajuda, pois a sua vida profissional permanecia completamente estagnada, mesmo após muitos anos de formado num curso superior.

Durante a gira, Adriano ouviu de um dos caboclos que, numa próxima oportunidade, seria necessária uma oferenda para abrir os seus caminhos. O jovem ficou com aquela informação na sua mente, tendo esperança de que sua vida, finalmente, destravasse.

No entanto, uma forte característica da personalidade de Adriano era a ansiedade. Ele não sabia esperar e quase sempre tomava atitudes precipitadas. Assim Marcel, cambono de nosso terreiro e irmão de Adriano, veio me dar uma notícia sobre o que Adriano havia feito, alguns dias depois de ter ido a nossa sessão de Umbanda.

Marcel contou-me que ouvira de seu irmão, que morava num sítio, que ele havia realizado uma “oferenda” por conta própria num determinado dia. Adriano queria uma melhora rápida de sua vida e, depois do almoço, resolveu preparar um prato de comida, com os mesmos itens de sua refeição, para seus guias. Ele acreditava que isso funcionaria, levando a “oferenda” para a beira de um riacho, que corria num terreno atrás de sua casa. Adriano fez uma oração e seus pedidos, afastando-se alguns metros do prato de comida. Resolveu ficar por ali, a certa distância, observando por um tempo a “oferenda”.

Não demorou muito e surgiu um gato, vindo do meio do mato. O animal se aproximou lentamente do prato, mas, a cerca de um metro, parou. Seus pelos se eriçaram visivelmente. O bichano deu um salto para trás, soltando um miado assustado. Em seguida, correu em disparada para o meio do mato, sumindo das vistas de Adriano.

Provavelmente o gato viu alguma entidade que veio receber a “oferenda” ou sentiu a sua presença, assustando-se. O fato é que o animal não tocou na comida e isso surpreendeu Adriano, que resolveu contar o acontecimento a seu irmão Marcel.

O tempo passou. Qual foi o resultado da "oferenda"? Os pedidos de Adriano foram atendidos? Ele teve oportunidades em sua vida profissional? Não! Transcorreram-se meses e nada mudou. Adriano só voltou uma vez mais no nosso terreiro, não tendo paciência de aguardar uma orientação segura. Anos depois, Marcel contou-me que a vida de seu irmão ainda estava paralisada profissionalmente.

Este caso é uma oportunidade de breve reflexão quanto às oferendas. Na Umbanda, elas podem ter funções variadas, não se utilizando qualquer alimento e também devendo-se seguir modos adequados de preparo. Destaco que os alimentos e bebidas, disponibilizados às entidades, são fontes de bioenergias para as diversas atividades do terreiro. Como grande parte dos centros umbandistas atuam em processos desobsessivos e, frequentemente, no desmanche da magia negra, há necessidade deste suporte energético. Quando as oferendas são escassas ou mal realizadas, as bioenergias dos médiuns são requeridas em excesso, podendo trazer desgaste intenso, com uma baixa imunológica, e até resultando em doenças a alguns dos integrantes do terreiro. Porém, este assunto é vasto e não há espaço suficiente para destrinchá-lo neste relato.

Bem, mas o que aconteceu com a “oferenda” precipitada de Adriano? Quem veio receber os alimentos ofertados foram entidades desequilibradas, que o acompanhavam já há algum tempo. Em outras palavras, foram obsessores que se aproveitaram dos alimentos, fortalecendo-se ainda mais, para continuar provocando obstáculos na vida de Adriano. Naquela época, realizei um desdobramento espiritual e pude ver, no Astral, os perseguidores do irmão de Marcel. Era uma verdadeira gangue.

Ou seja, qualquer oferenda precisa ser bem orientada e só deve ser realizada em locais com proteção espiritual. Se esses fundamentos não forem respeitados, há grande risco de se estar doando bioenergias para os chamados quiumbas.

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