RELATO 35 - ZÉ PELINTRA E O ÁLCOOL

Autor: Pablo de Salamanca


Uma das questões polêmicas que envolvem a Umbanda é o uso de bebidas alcoólicas nas suas sessões, sobretudo nas chamadas “giras de esquerda”. Ao contrário do que alguns acreditam, isto não é a manutenção ou estímulo ao vício. Em termos gerais, o álcool é utilizado para a dissolução de bioenergias deletérias agregadas aos consulentes, ou no ambiente das atividades. Ou seja, uma de suas principais funções é a de higienização. Outra finalidade do álcool é a de ativação energética para certos trabalhos, mas não é objetivo descrever isso neste relato. E em muitos terreiros, hoje, praticamente não há ingestão do álcool pelos médiuns incorporados, que o utilizam de outras maneiras. Assim, caros irmãos umbandistas, se entrarem num centro que se intitula “de Umbanda” e encontrarem médiuns supostamente incorporados, ingerindo bebida em excesso, observem o estado em que eles ficam após as atividades. Se estiverem com seus comportamentos alterados ou claramente bêbados, ali há um desequilíbrio que não se coaduna com valores espirituais.

Em 12 de agosto de 2011, tive a oportunidade de psicografar uma mensagem do Senhor José Pelintra sobre o álcool, onde ele dá seu depoimento de como se prejudicou em encarnação passada, por este vício. Além disso, o “seu Zé” coloca que, hoje, uma de suas tarefas principais é ajudar quem está se entregando ao alcoolismo. O título desta mensagem é “Aguardente”, que está expressa na sequência.

Aguardente sobre a mesa! É uma visão que me ficou, na mente, com certeza. O líquido transparente e a sua descida, em queimação, até quase o baixo-ventre, não esqueci também. A sensação acompanha-me sempre. Não alimento tristeza, mas no vai e vem da vida as lembranças retornam. E uso a recordação para prosseguir na minha missão. Trabalho nas esquinas e encruzilhadas, ajudando bebuns e mulheres mal amadas, pessoas que buscam, nas noitadas, o prazer que foi minha derrocada. Faço de tudo um pouco e me intitulo “auxiliar de serviços gerais”. O botequim e a beira do cais recebem minha visita costumaz.  Casas noturnas, bem soturnas, são passagem obrigatória. Tudo isso fez e faz parte de minha história. Ajudo como posso, desde o vagabundo comum, que chora, até o indivíduo mais proscrito. Despeço-me, por ora. Sou o Poeta do Rio Antigo.

Bem, o texto da entidade é bastante claro e objetivo. Não acrescento qualquer observação. Apenas comento que a falange de Zé Pelintra é composta por espíritos com histórias um tanto parecidas em suas essências. Foram pessoas que tiveram erros e aprendizados semelhantes, adquirindo uma experiência valiosa de vida, que pode ser muito útil a nós encarnados.

 Assim, nos terreiros de Umbanda, muitos consulentes se beneficiam de uma boa consulta com o “seu Zé”. E proveniente da sabedoria desta falange de exus, lembro o seguinte: “Malandro que é malandro aprende com os erros dos outros! Não precisa tomar tombo, para aprender!”

Saravá Senhor José Pelintra! Exu é mojubá!

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