RELATO 33 - O MÉDIUM UMBANDISTA

Autor: Pablo de Salamanca


Aquele dia era véspera de uma sessão de Umbanda. Meus pensamentos não vinham numa sintonia positiva. Por mais que eu tentasse, acabava recordando de alguns problemas que havia no terreiro. Ora eu lembrava um médium antigo, pessoa um tanto desequilibrada, que via e apontava o erro dos outros, mas não enxergava os seus próprios. Ora eu recordava de outro componente da casa que, volta e meia, criava maledicências por motivos fúteis. Ora retornava, a minha mente, a figura de uma médium que sempre se vitimava, nunca estando satisfeita, ou seja, uma pessoa bem derrotista.

Aquela situação cíclica causava algum impacto no meu campo emocional, de forma que eu já estava um pouco desanimado. Estava entrando numa rota pessimista, em relação à capacidade daquelas pessoas se transformarem, o que não era, de fato, da minha conta. Na realidade, cada um deve se esforçar para encontrar o equilíbrio e, se não o deseja, a transformação não vem de fora.

Então, passei a questionar mentalmente o porquê aquelas pessoas ainda faziam parte do centro de Umbanda, se elas mais causavam problema do que ajuda ao corpo mediúnico e aos consulentes. Para a minha surpresa, ouvi uma resposta: “O primeiro que deve ser curado num terreiro é o próprio médium.”

Fiquei surpreso que alguém estivesse acompanhando meus murmúrios mentais. A sua argumentação e presença causaram um impacto benéfico na minha consciência. Eu respondi, mentalmente: “Sim, nós médiuns somos bastante limitados e todos precisamos nos curar de um ou mais aspectos negativos.”

 Na sequência, senti que melhorava meu campo vibratório. Agradeci, pois, na realidade, eu estava lutando há algum tempo para rechaçar os desarmônicos e insistentes pensamentos. Eu queria ficar bem, para exercer corretamente a minha mediunidade no dia seguinte.

A seguir, notei que a presença benéfica, agora, começava a ditar um texto. Rapidamente entendi quem era. Logo apanhei papel e lápis, para registrar a mensagem, que consta abaixo.

 

O médium umbandista

Já percorreu diversas estradas.

Muitas vezes foi magista

Em suas vidas passadas.

 

Perdeu-se, com certeza,

Movido pelo poder e paixão.

Sobrava a dureza,

Enquanto faltava equilíbrio e razão.

 

O médium umbandista,

Antes, sofreu e fez sofrer.

Hoje, mais realista,

Entende que precisa crescer.

 

Esse crescimento é interno,

Em expansão que se faz notar,

Quando está a trabalhar

Na irradiação dos orixás.

 

O médium umbandista

É ser em evolução.

A alavanca maior é a magia

Que brota do coração!

 

Este já bate e irradia

No compasso de Oxalá.

A transformação nunca é tardia!

Trabalha, sem nada esperar!

 

A Umbanda é oportunidade,

Outrora, jamais vista.

Sob a bandeira da caridade,

Aproveita médium umbandista.

 

Após a leitura e releitura do poema, tive grande gratidão. Nada posso acrescentar às palavras rimadas da entidade “Poetinha”, que se apresenta como uma criança espiritual. Apenas comento que, nos dias de véspera de uma sessão mediúnica, é comum o assédio de seres desequilibrados, a nós médiuns, que insistimos em deixar brechas à negatividade. No Espiritismo, na Umbanda ou em qualquer religião é fundamental o “Orai e vigiai”.

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