RELATO 30 - MARIA PADILHA: QUEM SOMOS NÓS, OS EXUS

Autor: Pablo de Salamanca


Há três dias, eu vinha cantarolando mentalmente um ponto de Umbanda. A cantiga vinha, ficava por um tempo na minha cabeça e sumia. O problema é que eu não sabia dar continuidade ao ponto, que dizia: “Cemitério é praça linda, mas ninguém quer passear...”. Eu devia ter ouvido o cântico em algum lugar e ele acabou ficando no meu subconsciente. Como dizia, ele insistia em ressurgir, nos últimos dias, em vários momentos diurnos ou noturnos, porém sempre incompleto. Assim, hoje, 20 de junho de 2016, nesta segunda-feira da minha última semana de férias, resolvi descobrir a letra completa do ponto pela Internet, com a ajuda da companheirinha Fabíola di Mello. Após breve busca, pude ouvi-lo de forma completa.

Acomodado em frente ao computador, de forma isolada em meu escritório, senti uma profunda emoção ao ouvir o ponto algumas vezes. Eu não sabia explicar de onde vinham aqueles sentimentos. Eles apenas fluíam. Chorei. Confesso que chorei. Isto não tinha acontecido comigo antes. Não desta forma. Contudo, não era devido exatamente à cantiga. Agora, eu percebia a presença de uma entidade feminina, uma pomba gira, que era a fonte das emoções que repercutiam em minha alma.

Depois que aquela corrente vibratória amenizou, fui realizar algumas tarefas no quintal de casa. Entretanto, passados alguns minutos de atividades, a presença daquela nobre senhora novamente ficou evidente. Ela me falava coisas bonitas e percebi que precisava interromper meus afazeres domésticos. Eu devia escrever o que ela me transmitia e compartilhar com aqueles que têm afinidade com a Corrente Astral de Umbanda.

Uma vez sentado, com papel e caneta na mão, aguardei até que aquela agradável presença se manifestasse da seguinte maneira:

Salve meu filho! Estava te arrodeando já há alguns dias, preparando-te para escrever uma mensagem aos filhos de fé. Venho para falar um pouco sobre exus e pomba giras, sobre quem somos nós.

 Muito se diz que os trabalhadores da Linha dos Exus foram pessoas que passaram pela marginalidade, de diversos tipos, enquanto encarnados na Terra. Isso não é totalmente falso, mas também não é completamente verdadeiro. Fomos também mercadores, médicos, enfermeiros e enfermeiras, advogados, enfim, toda a gama de atividades que a humanidade vem desenvolvendo neste mundo. Erramos, como todos os espíritos que desceram à Terra, mas também acertamos, crescemos e evoluímos. Não participamos somente dos chamados “prazeres da vida”, nos cabarés e tabernas da estrada. Não fomos sempre facínoras ou bandidos. Fomos também pai e mãe. Fomos filhos. Tivemos irmãos de sangue e irmãos do coração. Fomos guerreiros e guerreiras, matando algumas vezes para defender a nossa prole ou a nossa terra. Fomos “vilões” e fomos “vítimas”. Cumprimos muitos papéis em que precisávamos compreender os dois lados de uma mesma moeda. E por isso, hoje, somos exus e pomba giras! Trazemos conosco a experiência amarga que ensina, mas que também regenera. Assim, podemos ajudar os caídos com eficiência. Podemos amparar a alma dos viciados de toda espécie e, com muita satisfação, às vezes, recebemos a tarefa de proteger e inspirar alguém que, um dia, foi nosso filho, marido ou irmão de sangue no Plano Físico. Portanto, meu filho, agora você sabe quem sou eu. Estou contigo há muito tempo. De ciclo em ciclo, com as bênçãos de Oxalá, volto a ti de uma forma ou de outra. Deixo um afago em seu coração e nos corações de quem entende realmente o que é uma pomba gira ou um exu, que trabalham conforme ordena a Lei de Umbanda. Sou uma Maria: Maria Padilha das Sete Catacumbas.

 Logo após o fluxo da psicografia, permaneci sentado, imóvel por alguns minutos, enquanto ainda sentia a energia tão acolhedora da guardiã. Para mim, o acontecimento ocorreu como um presente. Além de suas palavras orientadoras, tive o benefício de sentir seu magnetismo amoroso e protetor, que só as mães verdadeiras conseguem transmitir. E isso, de alguma forma, tento compartilhar através desse texto aos irmãos umbandistas. Laroiê, Sra. Pomba Gira! Exu é mojubá!

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