RELATO 28 - BREVE HISTÓRIA DE UM ZÉ PELINTRA

Autor: Pablo de Salamanca

       

Eram 12 dias de agosto de 2011. Noite plena. Não conseguia dormir e, num dado momento, percebi a presença de uma entidade. Peguei lápis e papel, pois notei um desejo de manifestação. Depois de alguns instantes, psicografei a mensagem a seguir.

Pelas ruas da Lapa, eu ia de bar em bar. Afogar as mágoas? Era possível, isso, esperar? Não me engano mais! Aguardente não é água de paz! As cabrochas faceiras, de fingidas boas maneiras, ficaram para trás. Tempos que não voltam mais! Porém, estão vivos na minha memória. Faz parte da minha história! Faz parte da minha raiz! Não fui feliz, mas hoje me sustenta essa raiz. E ando pelas ruas da Lapa, no Centro Velho do Rio, ajudando quem ainda “não tomou vergonha na cara”. Minha banda ainda não está limpa, mas a sujeira maior ficou para trás. Hoje, posso dizer que sou auxiliar de serviços gerais. Ofereço-te meus préstimos, caro amigo. Por fim, assino: Poeta do Rio Antigo.

Quando o texto estava terminado, olhei para o relógio, que marcava meia-noite e trinta minutos. Finalmente senti sono. Li a mensagem e, pelo seu teor, associando-se à vibração do espírito, concluí que era de um trabalhador espiritual da falange de Zé Pelintra. Agradeci a sua presença e comunicação, indo dormir.

Pela manhã, logo que despertei, notei que a entidade estava próxima de mim novamente. Ele queria passar mais uma mensagem. Fiquei sinceramente surpreso, porque tinha que ir trabalhar e meu tempo era um tanto escasso. De qualquer forma, me pus à disposição de imediato, de modo que surgiu o conteúdo expresso na sequência.

Malandro é quem sabe como funcionam as coisas. É quem procura entender as regras do jogo. Insano é quem se deixa levar pela vida, a seu bel-prazer. Mas, como fazer? Vou descrever! Tem que ser bom observador para, na vida, ser bom jogador. Primeiro olha, depois joga. E quando entrar em cena para fazer seu papel, não adianta querer ganhar o Prémio Nobel. Não vai acertar tudo! Então, vai ter que aprender a paciência e voltar a jogar com persistência. Se fizer isto, eu digo que é malandro, pois malandragem verdadeira não é escândalo. Disso eu tenho experiência própria. Conheci bem a sarjeta, que faz parte da minha história. Desci fundo, atrás do prazer de momento. Fui chamado de escória. Não enxergava a verdade. Só descia mais fundo, sem querer entender. Fechei-me para tudo! E este é o maior perigo! É o que deixo, agora, escrito. Sou o Poeta do Rio Antigo.

Após o segundo texto, entendi que o amigo espiritual desejava passar um pouco da história de sua última encarnação, com seus dissabores e aprendizados. Muitas vezes, esquecemos que as entidades da Umbanda fizeram uma longa caminhada, através das suas encarnações, até se tornarem guias ou protetores. Nenhum espírito se agrega a uma falange à toa. É uma questão de afinidade e habilidades adquiridas. Cada trabalhador espiritual, chancelado pela Lei de Umbanda, é o resultado do somatório de suas experiências pretéritas e do treinamento pelo qual passam no Plano Astral. Especificamente, quanto ao exu que me deixou as mensagens acima, suas palavras falam por si e não me atrevo a acrescentar nada. Salve Senhor Zé Pelintra!

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