RELATO 23 - AS PRINCIPAIS FORÇAS DE SUSTENTAÇÃO DE UM TERREIRO

Autor: Pablo de Salamanca

             

        Eu estava, num domingo à noite de abril de 2016, preparando um banho de ervas. Foi quando senti a aproximação de Pai Cipriano. Ele queria me passar uma mensagem sobre o que, de fato, sustenta um templo umbandista. Algumas imagens foram projetadas em minha mente e logo eu tinha uma noção do que ele queria falar, quando possível.

        Tomei o banho e fui realizar uma tarefa inadiável. Duas horas depois, fui me deitar. Contudo, o sono não vinha e tive uma breve vidência de um vilarejo do Plano Astral, que era formado por casas simples, num ambiente de muita luminosidade. Abri os olhos materiais e confirmei a plena escuridão de meu quarto. Tornei a fechar os olhos e vi outras localidades, onde predominava a claridade intensa. Alguém estava me mostrando partes de uma colônia espiritual. A seguir, começaram a se formar ideias muito nítidas em minha mente. Percebi, novamente, a presença de Pai Cipriano. Então, levantei-me para registrar em papel a mensagem abaixo:

        As principais forças de sustentação de um terreiro de Umbanda não são exatamente os assentamentos e firmezas que estão na porteira ou no gongá. A sustentação maior de uma casa umbandista não é feita de matéria. A casa fica de pé pelos bons sentimentos e pensamentos que são depositados em cada ponto que precisa de axé, se irradiando pelo ar que todos respiram.

        Eu, na minha jornada pela Umbanda, já vi muitos terreiros, desde casas quase luxuosas até as cabanas mais humildes. Vi todo tipo de material que foi usado na intenção de firmar a casa e protegê-la dos maus espíritos. Vi vários rituais para trazer axé e dar boas condições para os guias descerem e prestarem a caridade. Mas, nas minhas andanças, percebi que o mais importante era facilmente esquecido pelos filhos de fé. Então, na minha teimosia de preto-velho, sempre que Pai Oxalá permite, venho para lembrar as principais forças de sustentação de um terreiro de Umbanda.

       A primeira força de sustentação de um terreiro de Umbanda é a Caridade. Então, o interesse financeiro não pode fazer morada numa casa umbandista. Se ele entra por uma porta, a Caridade sai por outra.

        A segunda força de sustentação é a Humildade. Num bom terreiro, nunca se pode esquecer que todos são irmãos. Ninguém é melhor que o outro e aquele que sabe algo a mais, precisa ensinar ao semelhante sem soberba. Nunca se esqueça que as lições mais profundas, muitas vezes, partem daquele que aparentemente é o menor.

        A terceira força de sustentação é a Disciplina. É importante respeitar o dirigente do terreiro e outros que têm funções de responsabilidade na casa. Mas, a maior Disciplina é o dever que cada um tem perante si próprio na busca da sua evolução. E lembro ainda que a correta disciplina não ataca a Caridade nem humilha a Humildade, que são as duas primeiras forças de sustentação. É mais importante disciplinar a si mesmo do que corrigir ao seu irmão, porque o Mestre disse um dia que não era bom ver o argueiro no olho do seu irmão, enquanto se esquece a trave no próprio olho.

        A quarta força de sustentação, para completar a Cruz das Almas, é o Amor. Esse é o maior fundamento de um terreiro de Umbanda! Se não houver Amor, as três forças de sustentação anteriores ficam vazias, perdendo o valor verdadeiro, sendo substituídas pelo cinismo, pela hipocrisia e pela falsidade.

        Então, filhos de fé, não é preciso procurar outras forças de sustentação. Se tiver só essas quatro, a Caridade, a Humildade, a Disciplina e o Amor (que a tudo sustenta), tudo o mais se consegue. Assim o terreiro cresce, floresce e frutifica com abundância. Que Pai Oxalá abençoe cada alma de boa vontade que leu, com atenção, essas palavras desse teimoso velho Cipriano.

        Após eu terminar de psicografar a mensagem, li e reli o texto. Fiquei surpreso com o conteúdo porque, horas atrás, eu só tinha vaga ideia do que seria. Olhei o relógio, que marcava quase meia-noite. Eu precisava dormir, porque o dia seguinte era dia de trabalho. Deitei-me e agradeci a Pai Cipriano. Salve os pretos-velhos! Adorei as Almas!

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