RELATO 22 - A PREVISÃO DE PAI CIPRIANO

Autor: Pablo de Salamanca

       

         No ano de 1998, aconteceu uma experiência marcante com o amigo Fabrício, que, à época, tinha apenas 17 anos de idade. Ele, portanto, estava na fase da adolescência, que é um período em que os jovens são muito influenciáveis. Sua mãe se queixava que ele acreditava muito nos “amigos”, temendo que o jovem se deixasse levar para o alcoolismo ou para o mundo das drogas ilícitas.

         Naquele dia, eu estava na residência de sua mãe, médium extremamente confiável, que mantinha anexada a sua casa um “quartinho de santo”. Este lugar é assim denominado pois possui um gongá, bem como firmezas de proteção e de fundamento de Umbanda. Isto não é um terreiro, mas sim um local de orações, onde eventualmente podem descer entidades para dar algum recado ou orientação. Ou seja, esses ambientes não são preparados para giras típicas de Umbanda, mas podem permitir manifestações mediúnicas seguras, para finalidades mais leves em termos vibratórios.

        Éramos apenas quatro pessoas presentes, no momento em que fazíamos algumas orações, enquanto a médium, dona do “quartinho”, acendia as velas no gongá. Após alguns minutos, senti a presença do preto-velho. A médium, mãe de Fabrício, disse-me para dar passagem ao vovô, se ele quisesse dar alguma mensagem. Então, permiti a manifestação de Pai Cipriano. O preto-velho agradeceu a acolhida e disse que queria conversar com Fabrício. A mãe do jovem acompanhou o acontecimento, atuando ali como cambono daquela consulta inesperada. Ela pôde ouvir a tudo e me dar pleno testemunho depois dos fatos consumados.

        Ela, em resumo, comentou comigo que o velho Cipriano chamou a atenção do rapaz de forma amigável, ponderando que deveria tomar cuidado com os falsos amigos. Enfatizou, também, que nem todos os que lhe sorriam, de fato lhe queriam bem. A mãe de Fabrício segredou-me que ele andava meio rebelde, não acreditando muito nas entidades. Por isso, ao final da consulta, Pai Cipriano fez uma previsão ao seu filho, dizendo a ele que um dos seus amigos, que ele nunca imaginaria, estava usando drogas. O preto-velho, num tom mais enfático e desafiador, falou ao Fabrício que ele ia ter notícia disso em breve.

        Alguns dias se passaram, para ser mais exato foram 15 dias, e eu estava novamente na casa da mãe de Fabrício. Logo que eu cheguei, ela me alertou que o jovem estava muito chateado com uma recente descoberta: um amigo de Fabrício, talvez aquele que ele mais tinha estima, foi pego usando cocaína. Ninguém esperava, nem os seus pais, porque o rapaz sempre fora pessoa exemplar.

       Os anos passaram e Fabrício fez faculdade. Ele se formou e viu, passo a passo, diversos amigos de infância e adolescência se perderem no mundo das drogas. Muitos faleceram prematuramente, por vários motivos ligados ao vício. No entanto, Fabrício foi muito bem orientado pela sua mãe, pessoa bastante disciplinadora, e pelos guias da corrente umbandista. Hoje Fabrício ocupa, por seus próprios méritos, cargo gerencial numa grande empresa do mercado financeiro. Ele é bom esposo e pai dedicado de duas lindas filhas. Ainda auxilia seus avós, que moram próximos a ele, sempre que possível, já que a idade avançada dos mesmos impede uma ação plena. Fabrício é bom exemplo de cidadão brasileiro e suas filhas terão alguém bem positivo para se espelhar no futuro. Contudo, é claro que a sua vida não é um “mar de rosas”, pois sempre há aprendizados programados para o nosso crescimento interior, enquanto estamos encarnados. Porém, o que seria dele se não tivesse orientação familiar e espiritual seguras? E se o jovem não tivesse, à época, a boa vontade de entender? Poderia, sem dúvida, ter terminado como alguns de seus amigos do passado. Salve Umbanda!

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