RELATO 17 - A VISÃO DO CABOCLO

Autor: Pablo de Salamanca

       

       Numa época em que eu ainda não tinha colocado a “roupa branca”, em 1992, tive uma interessante experiência com um caboclo. Nesse tempo, eu era um consulente de uma casa umbandista, não imaginando que eu a integraria, alguns poucos meses depois.

        Estava na universidade naquela sexta-feira e, logo depois do almoço, iria pegar um ônibus para ir para casa. Contudo, me atrasei razoavelmente porque ficara ajudando um colega que fazia um curso agrícola. Ele tinha uma tarefa numa área plantada com jiló, onde precisava avaliar o nível de pragas e doenças da lavoura, bem como retirar ervas daninhas. Acabei passando por mais de uma hora no meio do mato, de modo a ajudá-lo com o seu trabalho.

        Depois que peguei o ônibus, calculei que se fosse passar em casa antes de ir para o centro, iria chegar atrasado ou acabaria por perder a sessão de Umbanda. Então, fui direto para o templo religioso, sem ao menos ter a chance de tomar um banho. Isso não é recomendável, mas eu não queria perder a gira, que era destinada à consulta com caboclos.

      A sessão transcorria normalmente e eu, ali no setor destinado ao público, observava tudo com muita atenção. Sempre tive muita curiosidade e vontade de entender a mediunidade de incorporação da Umbanda, mas dentro de um aspecto sadio. Não era uma mera curiosidade sobre o fenômeno, mas sim um interesse nos mecanismos energéticos da interação entre médium e entidade. Por outro lado, sempre respeitei muito o ambiente religioso da Umbanda, mantendo-me bem quieto e concentrado durante os trabalhos.

        Quando chegou o momento da consulta e chamaram o meu número, fui até o Caboclo Flecheiro, que estava incorporado na médium Maria Lúcia, uma senhora que viria a ser uma das pessoas importantes nos meus primeiros passos no Umbandismo. Aquele encontro com o Sr. Flecheiro era apenas a segunda vez que eu ia ficar de frente a ele. E logo que cheguei até aquele guia, ele foi dizendo: “Salve meu filho!” No entanto, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a entidade falou: “Ê moço! Hoje você está com uma energia verde bonita por todo o corpo! Você mexeu com mato hoje?” Fiquei surpreso com a visão espiritual do Caboclo e respondi: “Sim senhor! Hoje fiquei uma parte do dia no meio de uma plantação, na universidade, ajudando um amigo.” Então, a entidade voltou a falar: “Muito bonito esse seu trabalho! A energia das plantas ficou no seu corpo. Gosto muito disso. Continue com esse seu trabalho!”

        Em seguida, ele fez breves comentários sobre o uso das plantas para a limpeza e energização das pessoas. Logo depois a consulta tomou outro rumo e ele passou a me dar instruções pessoais relevantes, para a fase que eu estava vivendo.

        Mas, nunca esqueci aquele trecho, onde a entidade notou que meu corpo ficara magnetizado com a energia dos vegetais. Ali eu começava a entender a importância das plantas dentro da Umbanda. E fiquei também impressionado com a visão do guia espiritual, que percebera a imantação benéfica que havia acontecido comigo dentro da lavoura, horas antes. Hoje, com a experiência que já tenho, sei que só médiuns equilibrados e bem sintonizados com suas entidades podem dar informações precisas como essa. Ao longo do tempo, fui constatando mais e mais que a dupla “Maria Lúcia e Caboclo Flecheiro” tinha uma grande afinidade espiritual e boa conexão mediúnica. Eles muito me beneficiaram no início de minha jornada na Umbanda. Assim, deixo o registro de minha gratidão.

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