RELATO 16 - A PRESENÇA DE OGUM

Autor: Pablo de Salamanca


        Naquele dia eu me dirigia a uma casa, onde uma senhora atendia ao público, incorporada com um médico espiritual. Era a primeira vez que eu ia ao local, por indicação da amiga Claudina. Minha intenção era obter alguma orientação quanto a minha saúde, já que vinha tendo alguns problemas, que os médicos terrenos não conseguiam resolver com seus receituários tradicionais. No entanto, eu estava um pouco preocupado, porque Claudina me informara que a senhora Branca, médium do doutor Aloísio, trabalhava também com magia. Como Claudina não sabia me explicar exatamente a linha de trabalhos da senhora Branca, e como eu sou um tanto desconfiado, fui ao local um pouco tenso. Esta minha preocupação também ocorria, porque eu tinha pouca experiência, tendo iniciado apenas há cerca de três meses minha caminhada dentro da Umbanda.
        Assim me dirigia ao endereço, naquele início de 1994, pedindo proteção a Ogum. Andava e mentalmente cantava pontos do Orixá Guerreiro, sem parar, num percurso que durou em torno de 15 minutos. Então, achei o número da casa e, uma vez dentro dela, descobri que eu seria o segundo a ser atendido, num cômodo específico. A entidade conversava com cada consulente individualmente.
        Quando chegou a minha vez, uma atendente me levou até onde estava o doutor Aloísio. O médico espiritual mediunizava a senhora branca, que estava sentada atrás de uma mesa de madeira, com alguns papéis empilhados. O médico me cumprimentou, sorridente, e espantei-me com a sua forte voz masculina, através daquela pequena senhora morena, de aparência indígena.
        O doutor Aloísio me deu orientações bem precisas sobre o meu quadro de saúde e, com poucas semanas de tratamento, melhorei de forma consistente e duradoura. Mas, o presente relato não é sobre esse assunto. Num dado momento, o médico, muito simpático, mudou o rumo da consulta. Ele, espontaneamente, começou a falar sobre Umbanda, explicando-me que a missão da sua médium era parcial com ele. Parte do trabalho mediúnico da senhora Branca era com entidades da corrente umbandista. E como eu era neófito no assunto, ele me explicou alguns aspectos sobre os guias espirituais e trabalhadores da Umbanda, que ele acompanhava no Plano Astral e também no ambiente terreno, durante as sessões em que a sua médium atuava.
        A seguir, o doutor Aloísio, sabendo que eu vestira a roupa branca do Umbandismo há pouco tempo, perguntou se eu já conhecia meu pai de cabeça. Mas, ele não me deixou responder, dizendo: “Você é um filho de Ogum! Ele está aí, do seu lado, desde que você entrou aqui!” Achei seu comentário muito interessante, porque eu pedi a proteção de Ogum, através das cantigas mentais, durante todo o caminho até ali. E houve resposta, que foi comprovada pela visão espiritual do doutor Aloísio, que não sabia da minha atitude.
       Na sequência, falei ao médico espiritual, que no meu centro haviam dito que eu era filho de Xangô, embora ainda não houvesse uma confirmação. Ele sorriu e reafirmou que, ao meu lado, naquele momento, estava Ogum.
      A consulta se transformara numa excelente conversa, de pouco mais de uma hora, sobre a Espiritualidade de Umbanda. Obtive algumas valiosas explicações que eu já buscava há algum tempo. Ao final, ele marcou uma nova consulta para dois meses depois. Fui algumas vezes até o doutor Aloísio, com quem aprendi muito. Em outra oportunidade, pretendo compartilhar algo a mais sobre esse espírito.
        Por ora, saliento que experiências como essa foram se somando em minha vida, dando-me confiança quanto à presença das entidades de Umbanda, a cada passo de minha jornada. Naquele dia, eu pedira a proteção de Ogum. Eu pude sentir a sua vibração comigo, desde que eu começara a cantar pontos mentalmente. E isso foi confirmado pelo médico espiritual, dentro do consultório. Só posso agradecer. Salve Ogum! Ogunhê!

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