RELATO 14 - O CABOCLO TREME-TERRA E O REENCONTRO

Autor: Pablo de Salamanca

       No outono de 1994, eu aceitei ir a uma mata na chamada “Costa Verde” do Estado do Rio de Janeiro. Eu acompanhava os amigos Saulo e Nelson Vilhenna. Eu era um médium ainda no início do meu desenvolvimento, mas já recebia algumas entidades com razoável equilíbrio.
        Após a nossa entrada respeitosa na morada de Oxóssi, com uma singela oferenda e o devido pedido de licença, realizados pelos meus experientes amigos, nos dirigimos a uma cachoeira. Nossa intenção era ter apenas uns momentos de contato com a natureza, para “trocar energias”, absorvendo um pouco do bom magnetismo da mata.
        Depois de um tempo conversando e observando a beleza do lugar, comecei a sentir uma vibração conhecida. Percebi a presença do Caboclo Treme-Terra. Comentei com meus amigos e eles disseram que, se eu entendesse que era para dar passividade à entidade, que permitisse a incorporação.
        Meu corpo vibrava forte e permiti a passagem do Caboclo. Ele ficou um tempo em terra e conversou com Saulo e Nelson. A seguir subiu e, aos poucos, voltei a minha plena consciência. Então, retornamos à trilha que permitiria a saída da mata.
        Já no carro, Saulo começou a rir e a demonstrar muita surpresa. Eu e Nelson ficamos curiosos sobre o motivo dele estar assim. Mas, logo entendemos. Saulo passou a explicar o que havia constatado. Ele salientou que a entidade dissera, há poucos minutos atrás, que o conhecia já havia um tempo. E colocou que o Caboclo perguntou se lembrava dele, da seguinte forma: “Está lembrado de mim, moço? Já conversamos antes!” Saulo, por educação, confirmou que recordava, mas na realidade não tinha certeza. Saulo acreditou que o guia se referia a alguma vida passada, mas, naquele momento, dentro do carro, finalmente recordava que havia conversado com o Caboclo Treme-Terra, naquela mesma mata, uns 15 anos antes.
        Então, nos contou que havia ido ali sozinho, naquela época, para meditar um pouco sobre os problemas de sua vida. Porém, perto da cachoeira, havia um pequeno grupo de médiuns desconhecidos, estando um deles incorporado. Saulo falou que pediu licença para passar, mas a entidade o chamou. Ele retornou e ficou de frente para o médium em transe, um rapaz negro e magrinho, cujo corpo tremia bastante. Ali estava o Caboclo Treme-Terra que o saudou, deu-lhe algumas instruções e disse que voltaria falar com ele no futuro através de outro médium.
       Eu e Nelson achamos muito interessante o que Saulo acabava de lembrar e nos revelar. Haviam se passado cerca de 15 anos e o reencontro com o Caboclo Treme-Terra aconteceu ali, na mesma mata, só que através da minha mediunidade.
        Hoje compreendo que a abrangência de conhecimento das entidades de umbanda é bastante grande. Os verdadeiros guias dessa corrente espiritualista têm acesso profundo e detalhado das programações cármicas dos médiuns vinculados ao Umbandismo. Na época do primeiro encontro de Saulo com o Caboclo Treme-Terra, eu tinha apenas cerca de 11 anos de idade, não entendendo absolutamente nada sobre espiritualismo, e nem mesmo sabia da existência de Saulo e Nelson. Mas, a entidade já trabalhava por meio de outro médium, tendo ciência de que eu estava reencarnado, e que, no futuro, tinha uma missão comigo. Ou seja, antes do meu reencarne, em pleno Mundo Astral, tudo havia sido acertado. Aliás, nada é por acaso. Todos os médiuns de Umbanda, antes de retornarem à experiência física, planejam sua programação existencial junto aos trabalhadores espirituais da corrente umbandista. E uma vez aqui na terra, têm a oportunidade de concretizar o planejamento, de modo a se melhorarem como seres humanos e como consciências espirituais.

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