RELATO 13 - A ORIENTAÇÃO DO ERÊ

Autor: Pablo de Salamanca

        Em 1996, eu havia realizado vários concursos públicos dentro da minha área de atuação profissional. Em um deles, fui aprovado e rapidamente chamado para assumir o cargo. Assim, no início de 1997, deixava de ser exclusivamente estudante de doutorado, para também exercer uma função pública.

        O meu curso de doutoramento já estava quase todo concluído, faltando escrever a tese e apresenta-la à banca examinadora. Essa situação me dividia e eu precisava trabalhar corretamente, embora precisasse armazenar um pouco de energia mental, para analisar os dados que eu tinha obtido e escrever a tese. Fui carregando com grande dificuldade as minhas tarefas, até o ano de 1999, ao ponto de adoecer. Para mim, estava sendo muito difícil trabalhar, estudar e ainda exercer minhas atividades mediúnicas. Eu estava muito esgotado e pensava seriamente em desistir da minha tese de doutorado. Com esse pensamento, fui buscar uma entidade na qual eu realmente confiava, e que trabalhava numa médium firme e equilibrada.

        Lá no centro, havia um momento específico para os médiuns atuarem com seus ibejis e erês. Era um raro terreiro, que sempre permitia consulta com as entidades na forma de crianças espirituais.

     Quando tive oportunidade, dirigi-me ao Crispiniano, que já estava fazendo suas típicas “brincadeiras”. Então, expliquei sobre a minha situação, comentando que eu estava quase decidido a desistir do doutorado. Perguntei-lhe se esse meu pensamento estava correto e aguardei sua resposta.

        O erê riu um pouco, após ouvir o meu caso, mas logo passou a falar num tom mais sério: “Tio, você vai precisar terminar esse seu estudo porque, lá na frente, o seu “bambo” vai aumentar por causa disso”.

        Eu entendi o que o Crispiniano havia falado, pois “bambo” é um dos termos que significa “dinheiro” na Umbanda. Havia uma certa razão no que ele me dissera, mas esse dinheiro a mais não seria muito. No meu cargo público, naquela época, a gratificação de doutorado era só um pouco maior do que a de mestrado, que eu já possuía. Valeria o sacrifício? Valeria manter aquele nível de esforço, que eu vinha fazendo, com minha saúde abalada? Com essa dúvida em mente, argumentei com a criança: “Mas, Crispiniano, quando eu terminar o doutorado, vou ganhar só um pouco a mais. Valerá a pena mesmo?”

        O menino me olhou de um jeito curioso, parecendo ver o futuro. Então, falou: “Tiozinho, lá na frente esse seu estudo vai valer muito. Pode acreditar!” Ao ouvir uma resposta que eu não queria, pois desejava muito descansar, agradeci e disse que manteria meu esforço, de modo a terminar a tese. O erê sorriu e voltou para as suas “brincadeiras”, com outras pessoas do terreiro.

        Desta forma, não desisti de terminar o doutoramento, defendendo a minha tese no ano de 2000. Finalizei aquele ciclo de minha vida realmente esgotado, contudo, poucos anos depois, constatei que Crispiniano estava totalmente certo. Após uma mudança de regras que o governo realizou, a minha função pública foi bastante valorizada, no que se referia aos funcionários com doutorado. A minha gratificação, devido à titulação acadêmica, aumentou bastante. E até hoje, meus rendimentos econômicos têm parcela significativa dependendo do doutorado que finalizei.

        Assim, fica fácil demonstrar como é importante a atuação de médiuns equilibrados e dedicados, permitindo que suas entidades trabalhem sem excesso de obstáculos. Esse foi apenas um dos casos, em que fui beneficiado de maneira decisiva por uma consulta na Umbanda. Aproveito a oportunidade e deixo registrado um agradecimento especial ao Crispiniano. Salve todos os erês! Oni Ibejada!

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