RELATO 11 - O AVISO DO CABOCLO PENA VERDE

Autor: Pablo de Salamanca

        Numa das primeiras vezes em que fui a uma mata, para participar de atividades mediúnicas na corrente umbandista, recebi um aviso importante para a minha caminhada. Éramos um pequeno grupo, formado pelo amigo e dirigente espiritual Nélson Vilhenna, pelas amigas e médiuns Tetê Souza e Mariana, por mim e Fabíola di Mello. O ano do fato foi 1995.

        Após breve caminhada, chegamos à beira de um riacho, que corria suavemente logo depois da queda d’água de uma pequena cachoeira. Ali fizemos orações e lavamos as nossas cabeças, buscando renovação de nossas bioenergias para o bom exercício da mediunidade.

        Quando quase já nos retirávamos do belo lugar, Tetê Souza deu passagem ao Caboclo Pena Verde. Ele disse que não poderia deixar de descer, para dar um abraço em cada um de nós. Manifestou satisfação pelo nosso empenho e boa vontade em aceitarmos a missão na Umbanda.

        Então, aproximou-se de mim, dando-me o seguinte recado: “Se prepara moço, que você vai ver muita tristeza nessa vida. Vai lidar com muita miséria. Se mantenha forte, que a missão é árdua.” Eu respondi que não tinha problema e que estava firmemente disposto a encarar os obstáculos. A entidade arrematou: “Muito bem filho! Vou estar sempre por perto para ajudar.”

        Bem, naquela altura da minha jornada, com 27 anos de idade, posso dizer que acreditei prontamente no aviso do Caboclo. Porém, realmente não podia imaginar a intensidade de tudo que vivenciaria no futuro, dentro da Umbanda.

        Com o tempo, através da mediunidade, lidei com casos bem difíceis, que foram reduzindo um certo grau de inocência da minha personalidade. A realidade era dura e logo concluí que minha “ficha cármica” não devia ser das mais leves. Para citar alguns exemplos de situações, que chegaram até meus guias, coloco: traições conjugais; casos de abuso sexual de crianças dentro das próprias famílias; assassinatos ou ameaças de morte; consulentes viciados em drogas ilícitas; alcoolismo; casos muito difíceis de magia negra; pessoas com problemas psíquicos graves; doenças incuráveis pela medicina terrena; desespero devido a desemprego; indivíduos com tendências suicidas; dentre outros problemas de difícil solução.

        Assim, acabei por compreender que a mediunidade de Umbanda, no geral, apresenta um grande componente cármico, que é reflexo de atitudes muito negativas em vidas passadas, o que pude constatar também através de regressões terapêuticas de memória, da minha pessoa, e de médiuns umbandistas amigos. Nesse contexto, sempre foi muito importante ouvir do Sr. Pena Verde a frase “A espiritualidade não é parque de diversões”, uma expressão que ele usava quando chegavam, até o nosso centro, médiuns sem experiência e ainda com muitas ilusões em mente.

        Contudo, os guias da Umbanda são muito sábios e sabem lidar com todas essas dificuldades. Por isso, nas giras umbandistas há também momentos indispensáveis de descontração, para uma compensação em relação às pressões psicológicas. Para isso, conta-se com a alegria do erês; com o bom humor dos compadres exus, quando a situação permite; com os cânticos de Umbanda; com as sessões que possuem algum caráter festivo; etc.

        Fechando este relato, assinalo que até mesmo o firme e sério Caboclo Pena Verde apresenta bom humor de vez em quando, surpreendendo àqueles que se relacionam com ele. Sou muito grato pela sua presença em minha vida, tanto nos momentos bons, como naqueles mais difíceis. Salve Senhor Pena Verde!


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