ARTIGO 9 - O PORQUÊ ALGUÉM É FILHO DE IEMANJÁ

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 01 de fevereiro de 2018.

Iemanjá é um orixá de vibração feminina, que era cultuado originalmente pelo povo Egba, uma das nações iorubanas. Na mitologia africana, como os demais orixás, Iemanjá é apresentada com características humanas. Esses traços míticos são fundamentais, porque revelam, através de seus símbolos, as tendências de caráter dos chamados “filhos” de cada orixá. Isto facilita um aprofundamento no mundo interno, promovendo o autoconhecimento. Pessoas que desejam atuar como médiuns, de maneira equilibrada, e, além disso, ter autorrealização na sua vida, sem conhecer-se bem, é algo bastante difícil. É primordial desnudar-se perante a sua própria consciência, de modo a compreender seus pontos positivos, suas potencialidades e o que precisa ser modificado.

Objetivando abordar didaticamente o mundo interior dos indivíduos sob a regência principal de Iemanjá, serão colocados alguns aspectos de caráter positivos e negativos dos mesmos. Através dos contrastes apresentados, se poderá ter uma boa visão e reconhecimento dos “pontos fortes”, no sentido de aperfeiçoá-los, bem como entender os traços considerados negativos, cujas energias desarmônicas precisam ser direcionadas para algo melhor, atingindo-se uma autotransformação. No entanto, não se pretende, neste breve artigo, esgotar o assunto.

Aos filhos da Mãe Iemanjá, atribuem-se frequentemente, a título de exemplo, três atributos positivos: forte capacidade de iniciativa para o que desejam; têm boas condições de liderança; e são protetores de quem está em dificuldade, até assumindo os problemas alheios como se fossem seus. Quanto ao lado negativo, podem apresentar as seguintes características de personalidade: ocultam sentimentos, não permitindo uma transparência; usam artimanhas para prevalecer a sua vontade; e tendem a ser teimosos. 

Entretanto, é fundamental frisar que as características, principalmente as negativas, referem-se a alguns dos chamados filhos de Iemanjá, não à totalidade, e nem muito menos ao orixá em si, a “Mãe da Águas” ou “Rainha do Mar”. Não se pode imputar culpa ao orixá, por algum nível de desarmonia atingido pelos seres humanos, cujas vibrações estão fortemente ligadas ao seu campo vibratório. Cada um deve ser responsável por si e precisa desenvolver sabedoria para conectar-se às irradiações, sempre positivas, de seu orixá principal. É importante lembrar que Iemanjá, como qualquer outro orixá, é constituído por um campo de energias ocupado por entidades luminosas, ou seja, estes seres trazem todas as boas características desta vibração. Os aspectos negativos existem somente no Mundo Terreno e nas camadas mais baixas do Plano Astral. Em outras palavras, nós encarnados e desencarnados em desarmonia é que somos capazes de pensar, sentir e agir com desequilíbrio. Assim, cabe aos filhos de Iemanjá buscarem a essência primordial e pura que é vibrada sobre eles. Quando não fazem assim, no dia a dia, a primeira a permitir o sofrimento, como forma de despertar para a autocorreção, é a própria Mãe Iemanjá. 

Depois de tudo o que foi colocado, naturalmente vem a pergunta central deste artigo: por que alguém é filho de Iemanjá? Basicamente, existem duas causas. A primeira é que o indivíduo tem suas principais vibrações em correspondência estreita ao campo energético de Iemanjá. Ou seja, há ressonância da criatura encarnada com a frequência vibratória deste orixá. A segunda causa possível é que, por intermédio da Lei de Ação e Reação (ou Lei do Carma), o ser teve suas principais falhas, em vidas anteriores, no contexto das características negativas já citadas. Para melhor esclarecer, vamos exemplificar uma questão cármica. Uma pessoa, no passado, formou uma família e teve grande apego por ela, em especial aos filhos, mantendo uma atitude de superproteção. Isto não permitiu um bom desenvolvimento dos filhos, que ficaram numa relação de dependência excessiva, sem capacidade de iniciativa. Após o desencarne dessa pessoa de Iemanjá, suponhamos uma mulher, os seus filhos não conseguiram viver bem por conta própria, apresentando vários insucessos em suas trajetórias. Então, este espírito feminino renasce para mudar de atitude, quando atingir a maternidade novamente, na sua vida atual. Deverá ser uma mãe que educa seus filhos para a vida e não para si própria. Ela terá que identificar isso e não repetir os erros do passado. Num caso como esse, a egrégora espiritual de Iemanjá lhe dá a inspiração de como agir, de forma a construir uma família harmônica, sem chantagens emocionais e sem apego excessivo. 

As criaturas que têm em Iemanjá, o orixá principal, possuem grande capacidade de amar e proteger. Têm boa iniciativa para resolver problemas e, com frequência, assumem posição de liderança onde atuam, seja no lar, como no ambiente profissional. Nesse sentido, os filhos da “Grande Mãe” atuam com eficácia em atividades que lidam com o cuidar do próximo, como a psicologia, a assistência social, a enfermagem, a medicina ou no âmbito do lar, gerenciando tudo com muito zelo. Porém, os filhos de Iemanjá normalmente são também criativos e responsáveis, podendo exercer muito bem trabalhos em outras áreas como a educação, letras, serviço público etc. Quem tem do seu lado um equilibrado filho ou filha da “Rainha do Mar” é uma pessoa abençoada, pois será alguém que se sentirá protegido constantemente e, até mesmo, agraciado pela sorte. Odociabá “Grande Mãe”! Odoyá Iemanjá!

Clique aqui e deixe um comentário!


LIVRO DE VISITAS



VOLTAR PARA A PÁGINA ANTERIOR