ARTIGO 8 - O PORQUÊ ALGUÉM É FILHO DE OXUM

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 04 de outubro de 2017.

Oxum é um orixá de origem iorubá, de vibração feminina. Na mitologia africana, como os demais orixás, Oxum é apresentada com características claramente humanas. Esses traços míticos são bastante relevantes, porque mostram, através de aspectos simbólicos, as inclinações de caráter dos chamados “filhos” de cada orixá. Esta realidade permite um mergulho ao mundo interno, na direção do autoconhecimento. Nenhuma pessoa pode se desenvolver como médium, de maneira equilibrada, e nem mesmo ter autorrealização na sua vida, sem conhecer-se bem, sem desnudar-se perante a sua própria consciência, de modo a compreender seus pontos positivos, seus potenciais e o que precisa ser transformado e melhorado.

Buscando uma forma didática de abordar o mundo interior dos indivíduos que tem, em Oxum, o orixá principal, serão colocados alguns traços de caráter positivos e negativos dos mesmos. Isto auxiliará, através dos contrastes, à visão e ao reconhecimento dos “pontos fortes”, no sentido de realçá-los e aperfeiçoá-los mais, bem como entender os aspectos considerados negativos, cujas energias desarmônicas precisam ser canalizadas para melhores resultados, conseguindo-se uma autotransformação. 

Aos filhos da Mamãe Oxum, atribuem-se facilmente, a título de exemplo, três atributos positivos muito frequentes: atendimento acolhedor e maternal ao seu semelhante; forma de comunicação branda; e preferência pela paz. Quanto ao lado negativo, podem possuir as seguintes características de personalidade: permitirem a própria exploração por pessoas matreiras, por algum tempo ou fase; manterem sentimentos de insatisfação, o que os torna, por vezes, lamentosos; e, dentro do contexto apresentado, podem revidar de forma sigilosa, até por meio da magia. Ou seja, não é difícil perceber que as ações positivas, quando realizadas em benefício de pessoas que não merecem um tratamento tão acolhedor, podem gerar as reações negativas nos filhos de Oxum. No mundo em que vivemos, é preciso avaliar, com certo cuidado, a quem ajudar e até que ponto se deve prestar o auxílio...

Contudo, é sempre relevante frisar que as características, principalmente as negativas, referem-se a alguns dos filhos de Oxum, não a todos, e nem muito menos ao orixá em si, a luminosa e doce “Rainha das Cachoeiras”. Não cabe imputar culpa a este orixá, por algum nível de infelicidade atingido e pela decepção no trato com as pessoas ou no campo afetivo/amoroso. Cada um deve ser responsável por si e precisa ser sábio o suficiente para buscar as irradiações sempre positivas de seu orixá principal. É importante lembrar que Oxum, como qualquer outro orixá, é constituído por um campo vibratório ocupado por entidades de luz, ou seja, estes seres trazem todas as boas características desta vibração. Os traços negativos existem tão somente no Mundo Material e nas camadas mais baixas do Plano Astral. Em outras palavras, nós encarnados e desencarnados em desarmonia é que somos capazes de atuar com desequilíbrio. Assim, cabe aos filhos de Oxum buscarem a energia primordial e pura que é vibrada sobre eles. Se assim não fizerem no cotidiano, a primeira a permitir o sofrimento, como forma de correção, é a própria Mamãe Oxum, pois deseja que seus filhos aprendam a ter autoconsciência, autoestima e capacidade de se regenerarem.

Após o que foi desenvolvido até o momento, vem a indagação: por que alguém é filho de Oxum? Fundamentalmente, existem duas motivações. A primeira é que a pessoa tem suas principais vibrações naturais em grande correspondência ao campo energético de Oxum. Isto é, há ressonância da criatura encarnada, pelos seus traços de personalidade, com a frequência vibratória deste orixá. A segunda causa possível é que, por intermédio da Lei de Ação e Reação (ou Lei do Carma), o ser teve seus principais desvios, em vidas passadas, dentro do contexto das características negativas já citadas. Vamos a um exemplo prático de uma questão cármica. Um indivíduo, no passado, viveu se doando demais a alguém que não merecia, pois este desejava apenas explorar sua boa vontade. Desta forma, mesmo após as evidências das atitudes exploratórias, a pessoa permitiu a continuidade desta maneira de viver até o final, por excesso de compaixão pelo “outro” e por falta de autoestima. Então, o indivíduo explorado renasce para mudar de atitude, reencontrando, na sua vida atual, pessoas de caráter duvidoso. Ele terá que identificar isso e não incorrer nos mesmos erros do passado. Num caso como esse, a egrégora espiritual de Oxum o ampara, para lhe trazer a inspiração de como agir, não entregando-se às mesmas atitudes, mas sim o induzindo a formar uma família harmônica, na direção da autoestima e da felicidade. Um outro exemplo de questão cármica ligada à egrégora de Oxum, seria a do uso da vaidade desequilibradamente no pretérito. Entretanto, não é objetivo deste artigo colocar as diversas possibilidades cármicas, mas sim despertar o umbandista para o estudo de si próprio.

As criaturas que têm Oxum como orixá principal possuem grande capacidade de amar e acolher. Fazem de tudo a seu alcance para manter a harmonia e a beleza onde vivem e  trabalham, se comunicando, na grande maioria das vezes, de forma simpática e pacífica. Assim, os filhos da “Mãe das Águas Doces” profissionalmente atuam em atividades que lidam com a arte no geral, sendo bons exemplos: maquiagem, estética, decoração, moda, ourivesaria, indicação e venda de produtos cosméticos, artesanato, pintura, canto etc. Além disso, por suas características maternais, tendem a ser excelentes mães, cuidam muito bem do lar e podem ter profissões ligadas à maternidade ou aos cuidados com crianças pequenas. Quem tem do seu lado um equilibrado filho ou filha da “Rainha das Cachoeiras” é também uma pessoa abençoada pela “Mãe do Ouro”. Ora yê yê ô! Salve Mamãe Oxum!


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