ARTIGO 5 - O PORQUÊ ALGUÉM É FILHO DE NANÃ

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 14 de julho de 2016.

Antes de falarmos um pouco sobre os valorosos filhos de Nanã, se faz muito relevante comentar sobre Deus e os orixás, de uma forma geral.

Algumas religiões milenares, bem como tradições espiritualistas diversas, apontam a existência de uma Força onipotente, onisciente e onipresente, a qual simplesmente podemos chamar de Deus. E essa Força Suprema é denominada de muitas maneiras, conforme a cultura que a interpretou: Allah, Brahman, Jeová, Olorum, Zambi etc. Essas religiões e filosofias espiritualistas também assinalam que existem emanações de Deus, o Absoluto, a se irradiarem até o mundo manifestado (o Plano Físico), de modo a sustentarem o equilíbrio universal. Exemplificando, na tradição judaico-cristã se fala de arcanjos, anjos, querubins etc., que fornecem sustentação à criação divina. Mas, como isso acontece na Umbanda? Não é diferente! O umbandista também compreende a existência de uma Força Criadora, Deus, ao qual pode denominar Olorum ou Zambi, por exemplo, conforme a origem de seu culto (a Umbanda é diversa). E a partir dessa Força Suprema, existem emanações muito puras, que são os orixás.

As lendas ou mitos, relacionados aos orixás, nos apresentam eles com características muito humanas. Isso não poderia ser diferente, pois os nossos irmãos africanos, assim como nós, brasileiros encarnados, tendemos a humanizar aspectos que provêm do Mundo Espiritual. Contudo, é preciso um discernimento mais profundo. Como comentado anteriormente, os orixás são emanações puras de Deus, ou seja, possuem qualidades luminosas e positivas. Nós, os encarnados, aqui no Plano físico, é que manifestamos aspectos negativos ou sombrios, porque de fato ainda possuímos sombras em nossas almas. Em outras palavras, não podemos culpar o orixá principal que nos sustenta na vida material, com suas irradiações benéficas, pelos sentimentos e pensamentos mesquinhos que ainda insistimos em ter. Lá, nos campos vibratórios correspondentes aos orixás, há luz pura. Mas, essa luz, quando chega às frequências vibratórias próximas à matéria, encontra os obstáculos de onde se projetam as sombras.

Após essa necessária introdução, chegamos ao ponto central desse artigo: o porquê alguém é “filho de Nanã”. Este grande orixá, de polaridade feminina, está (resumidamente) associado à paciência, à capacidade de interiorização e à reflexão, o que resulta num poder de transformação. Aliás, o simbolismo das águas paradas, lagoas e pântanos remetem à questão da reflexão/vida interior. E a lama ou lodo, desses centros de força naturais de Nanã, representam o núcleo de transformação dos elementos, bioenergias, sentimentos e pensamentos. Assim, os filhos de Nanã que souberem aproveitar a emanação do campo vibratório que é este orixá, tenderão a ser bem observadores, a mergulharem num processo de autoconhecimento e de regenerarem a si mesmos, bem como as pessoas próximas. Porém, os filhos de Nanã que se deixarem levar por tendências mais ligadas à vida material, descolando-se de vibrações mais sutis, podem apresentar alguns aspectos negativos e destacaremos três: dificuldade de expressar sua vontade e sentimentos, omissão perante desarmonias e fechamento em si próprio. A junção dessas características pode torná-los melancólicos ou depressivos em certas fases da vida.

No entanto, como salientado anteriormente, os possíveis traços negativos, referem-se aos filhos deste orixá, e não à Nanã em si. Nós, encarnados, pelo nosso pequeno desenvolvimento espiritual, é que não sabemos ainda vibrar numa escala mais elevada. Não é possível atribuir culpa à Nanã, pelas eventuais ou constantes atitudes consideradas muito lentas, em decorrência de se refletir muito antes de agir. Aliás, pensar muito antes de tomar uma atitude pode ser algo sábio, sobretudo em questões mais delicadas.

E porque alguém é filho de Nanã? Fundamentalmente por dois motivos. Primeiramente, alguém é filho deste orixá, porque suas vibrações naturais possuem grande correspondência ao campo magnético de Nanã. Além disso, conforme a Lei de Ação ou Reação (ou Lei Cármica), o indivíduo cometeu suas principais falhas, em vidas passadas, dentro das características negativas citadas acima. Isto é, muitas vezes entregou-se à melancolia perante as dificuldades da vida, devido ao medo de agir de forma irresponsável. Ou seja, pensou muito, mas não achando solução diplomática, deixou de agir no momento mais adequado e sucumbiu frente aos problemas. Pode não ter conseguido expressar sua vontade, deixando se levar por circunstâncias opressoras, já que preferia evitar desarmonias. Também pode ter tomado decisões inadequadas, com consequências ruins, e, por isso, necessita muito do campo vibratório transformador e reflexivo de Nanã. Desta forma, nos casos citados, ninguém melhor que este orixá como a principal força orientadora desse espírito no Plano Terreno, na busca dos aspectos positivos desse campo vibratório.

Um filho de Nanã equilibrado será um excelente orientador de pessoas, pois têm paciência e sabedoria para exercer esta função. Podem ser ótimos professores, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, enfermeiros, assistentes sociais, dentre outras profissões em que, com sua retidão e zelo, poderão ajudar muito na estruturação de uma sociedade melhor. Salve a Vó do mundo! Cubra-nos com a sua sabedoria! Saluba Nanã!

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