ARTIGO 4 - O PORQUÊ ALGUÉM É FILHO DE XANGÔ

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 18 de junho de 2016.

Na mitologia iorubá, Xangô apresenta-se, como outros orixás, com características muito humanas. Em verdade, esses mitos apontam tendências de traços de caráter dos filhos de cada orixá.

Especificamente quanto a Xangô, por exemplo, assinalaremos três frequentes características positivas: agir com justiça, boa capacidade de liderança e sinceridade. Também existem possíveis aspectos negativos e destacaremos três: o autoritarismo, a fome de poder e a arrogância. No entanto, como salientado anteriormente, esses traços, sobretudo os negativos, referem-se aos filhos deste vigoroso orixá, simbolizado pelo machado de duas lâminas (oxê), e não a Xangô em si, que é associado ao fogo, raios e trovões. Não é possível atribuir culpa ao orixá Xangô, pelas eventuais ou constantes atitudes autoritárias, ambição desmedida ou arrogância de alguns de seus filhos. O orixá Xangô é um campo vibratório formado por seres luminosos, que trazem as boas e positivas características dessa frequência. Os aspectos negativos podem ocorrer apenas no Mundo Físico ou nas camadas inferiores do Plano Astral, sendo praticados por nós encarnados, ou por espíritos em desarmonia. Assim, cabe aos filhos de Xangô buscarem a energia primordial e pura que os sustenta, pois, de outra forma, o primeiro a corrigi-los é o próprio “pai de cabeça”, o Senhor da Justiça.

Depois desta introdução, há uma pergunta evidente: por que alguém é filho de Xangô? Fundamentalmente por dois motivos. Primeiramente, alguém é filho deste orixá, porque suas vibrações naturais possuem grande correspondência ao campo magnético de Xangô. Além disso, respeitando-se a Lei de Ação ou Reação (ou Lei Cármica), o indivíduo cometeu seus principais erros, em vidas pregressas, dentro das características negativas citadas acima. Isto é, muitas vezes se impôs autoritariamente e de forma injusta, foi arrogante ultrapassando os limites da Lei do Amor, foi ambicioso demais, dentre outras falhas. Desta forma, nesse contexto, ninguém melhor que o orixá Xangô para guiar esse espírito no Plano Terreno, na busca dos aspectos positivos desse campo vibratório.

A impetuosidade e a vontade de liderar dos filhos de Xangô não devem ser impostos aos seus irmãos, mas sim direcionados a um processo de transformação, canalizando suas forças para vencerem os próprios aspectos menos nobres, colocando por terra o autoritarismo e a arrogância. Um filho de Xangô equilibrado, quando chamado ao dever, se torna um bom líder de pessoas que precisam de orientação, fazendo isso com um senso de justiça bastante apurado. Podem ser ótimos professores, gerentes, figuras públicas ou juízes, dando exemplo de retidão e idealismo na estruturação de uma sociedade melhor.

Entretanto, os filhos de Xangô que agem de forma egocêntrica sistematicamente, e ainda justificando que é devido ao seu orixá, estão se arriscando muito. Necessita urgentemente de autocrítica. Precisa ter mais respeito com a sua coroa, porque o símbolo de Xangô mais característico, o machado de duas faces, representa que a justiça se faz igualmente pelos dois lados de uma questão, de forma impessoal. Assim, o primeiro a podar as tendências negativas do filho de Xangô é o seu próprio “pai de cabeça”, e isto vale também para os demais orixás em relação aos seus respectivos filhos. A finalidade do orixá principal de um ser humano encarnado é conduzi-lo à evolução, atraindo-o para o seu campo de luz, onde estão imantadas as qualidades positivas da sua faixa vibratória. Salve Xangô! Caô Cabecile!

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