RELATO 9 - DE CABEÇA PARA BAIXO

Autor: Pablo de Salamanca

12 de novembro de 2008

Eu dormia na casa de uma amiga, no quarto de sua filha, até que despertei às 5:30 h da madrugada. Estava com fome. Tive que ir até a cozinha e acabei roubando um pedaço de bolo. Retornei à cama, dormindo um sono pesado e povoado de imagens oníricas.

Em determinado sonho, estava deitado descansando e ouvia alguém que dizia que eu deveria levantar e atender um telefonema urgente, que iria acontecer a qualquer momento. Eu não poderia deixar de responder ao chamado. Os avisos da pessoa eram insistentes e enfáticos. Embora eu não ouvisse nenhum telefone tocando, fiquei tenso com a possibilidade de dormir e não escutar quando tocasse. Pensei repetidas vezes que deveria atender ao telefonema, até que levantei-me.

Uma vez de pé, mas com a mente ainda um pouco atordoada, pensei: “eu saí do corpo! Caramba! Será possível?” Então, tentei entender onde estava, para certificar-me se aquilo era real ou se seria apenas um sonho. Para minha surpresa, após ter olhado para o lado direito, pude ver o ventilador de teto próximo aos meus pés. Eu estava de cabeça para baixo, no quarto da Fabíola, a filha da minha amiga. Eu havia saído do corpo de forma tão brusca, que, de início, até mesmo esquecera que estava passando um final de semana na casa de amigos. A visão do ventilador ajudou a me situar no tempo e no espaço.

Escrevendo este relato, agora, tive ideias interessantes. Será que o sonho do telefonema foi uma elaboração do meu inconsciente com a ajuda de algum amparador, que usou a estratégia de me induzir insistentemente a atender ao chamado telefônico para me projetar? Isto é uma possibilidade. Outra hipótese plausível é que o meu inconsciente, que já vinha sendo bombardeado há algum tempo com a ideia de me projetar durante o sono, teria produzido solitariamente aquele sonho do telefonema, de modo a disparar o processo de saída do corpo.

Voltando ao relato, notei que as medidas do quarto extrafísico eram bem maiores do que as do seu paralelo no Plano Material. Por exemplo, a altura do cômodo astral parecia ter dobrado de tamanho com relação ao cômodo físico. Esta informação sobre proporções maiores da contraparte astral de nossas residências não é incomum. Volto a citar o livro “Vivendo em Múltiplas Dimensões”1, de Glória Thiago, que faz menção a este fato.

Como eu estava de cabeça para baixo, interessei-me em continuar observando o quarto desta perspectiva. Olhei para o lado esquerdo e assinalei a cor branca da parede, igualmente quando observada do Plano Físico. Mais abaixo, enxerguei a cômoda do quarto da Fabíola, onde estava uma pilha de roupas passadas. Lembrei que, quando eu fora dormir, a mãe da menina havia dito que só guardaria as referidas roupas no dia seguinte. Assim, tive certeza que estava projetado. Então, subitamente, recordei de uma instrução de William Buhlman2, que dizia que, uma vez fora do corpo, se deve dar comandos mentais firmes e claros para se realizar coisas no Mundo Extrafísico. Desta forma, determinei que eu ficasse na “posição normal”, na intenção de ficar de pé. Para minha decepção, retornei suavemente ao envoltório físico, o que possibilitou a percepção nítida dos braços astrais (ou parabraços) se acoplando aos braços físicos. Abri os olhos e movimentei os membros superiores, que estavam formigando. Esta sensação passou rapidamente e fiquei ali meditando um pouco.

Pensava no porquê eu retornara ao corpo. Uma explicação conhecida é que não resistimos muito tempo no Astral, quando estamos projetados muito próximos ao corpo físico. Este era o meu caso naquela oportunidade. Por outro lado, o comando mental que eu fizera, havia dado um resultado negativo. Eu desejara ficar de pé e tentar explorar o ambiente, mas retornei ao corpo material. Por quê havia falhado? Então pensei que o próprio comando mental que eu realizara, não fora correto. Ao pensar em “posição normal”, o corpo astral se deslocou para o meu corpo físico, que estava deitado na cama. Talvez eu devesse ter pensado em “posição de pé” e, quem sabe, eu pudesse me afastar do quarto e andar pela vizinhança, em busca de algum aprendizado interessante.

Olhei para o relógio da cômoda, que marcava 7:10 h da manhã. Permaneci meditando sobre a experiência. Lembrei que, enquanto estava projetado de cabeça para baixo, não senti desconforto pela posição em si, mas eu estava meio entorpecido. Provavelmente isto ocorreu devido à proximidade com o corpo denso logo abaixo. Esta proximidade normalmente dificulta a manutenção de boa lucidez no Astral. Além disso, lembrei que havia uma espécie de força de tração na nuca, isto é, algo me puxava para baixo, causando algum incômodo. Embora eu não tenha visto o “cordão de prata”, percebi esta sua atuação durante a projeção, tracionando-me insistentemente. Após alguns minutos, concluí que, apesar de não ter podido estender aquela viagem astral, a experiência tinha sido bem interessante.


COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS

Este relato é uma projeção astral que surge a partir de um sonho, ou seja, o projetor recupera a sua lucidez num dado momento em que está sonhando. Assim, toma ciência de que está tendo uma experiência extrafísica e onde está situado. O que é curioso, é que muitos projetores sonham enquanto já estão fora do corpo físico, recobrando a lucidez em algum momento. Neste caso, o próprio sonho produziu o motivo para o projetor sair do corpo material e, tão somente, passa a ter lucidez.


FONTES CONSULTADAS

1- Vivendo em Múltiplas Dimensões. Glória Thiago. Rio de Janeiro, 1999. Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia. 366p.

2- Aventuras Além do Corpo. William Buhlman. Rio de Janeiro, 1998. Ediouro. 320 p.


Retirado do livro “Experiências Extrafísicas”,
disponível para download gratuito, neste site.

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