RELATO 8 - PROJEÇÕES CONECTADAS

Autor: Pablo de Salamanca

01 de outubro de 2008

Logo no início de minhas atividades mediúnicas, ocorreu uma projeção astral muito significativa para mim. Realizei uma tarefa no Mundo Extrafísico, acompanhado pelo professor Nélson. Ele era o dirigente de um dos dois centros onde eu atuava e também lecionava na mesma universidade que eu frequentava.

Durante o início da viagem astral, eu caminhava solitariamente por uma estrada, rumo a um local desconhecido. Cheguei a uma localidade onde haviam vários prédios, como se fosse um conjunto habitacional. Numa espécie de praça estaquei, observando que a uma certa distância estavam muitas pessoas com aspecto humilde, algumas sentadas no chão, aparentemente gente sem moradia. Confesso que cheguei até o lugar sem saber bem o porquê. Talvez estivesse sendo guiado por algum amparador invisível.

Então, resolvi me aproximar de um grupo, quando, para minha surpresa, avistei o Nélson. Ele parecia estar ajudando de algum jeito aquele pessoal. Notei, agora que eu estava mais próximo, que os indivíduos ali eram todos índios. Homens, mulheres e crianças possuíam pele morena, rostos arredondados e olhos um pouco oblíquos, como os indígenas brasileiros. No entanto, eles trajavam vestuário normal de pessoas das cidades grandes. Fui retirado do meu estado de surpresa e inoperância, por alguém que exclamou: “- puxa! Que bom! Chegou mais um para ajudar!” De imediato, passei a me integrar ao trabalho. No entanto, não me recordo ao certo o que fiz de bom para aquelas pessoas. Era algo ligado à cura, mas minha mente material não conseguiu registrar exatamente o meu papel ali. Logo em seguida, depois de um tempo impreciso no Astral, despertei no corpo material.

Fui à universidade feliz porque me encontraria com o Nélson, podendo-lhe contar que estivéramos juntos no Plano Espiritual, fazendo algo de útil a algumas entidades necessitadas. Eu concluíra que aqueles “índios” eram desencarnados que precisavam de algum aporte de bioenergia de nós, médiuns do centro espírita recém-fundado. Quando encontrei-me com o Nélson, eu lhe disse de supetão: “- sonhei com você!” Ele, de bate-pronto, retrucou: “- eu também sonhei com você!” Então pedi que ele contasse, primeiramente, o que “sonhara”. Nelson disse que lembrava ter ajudado a um grupo de pessoas, atuando como médico. Após um certo tempo de auxílio, ele narrou que eu havia chegado e me juntado ao trabalho. Em seguida a esta fase do serviço espiritual, segundo ele, nós saímos juntos do local e fomos para uma outra região, onde atingimos um vilarejo cheio de casas. Fomos em várias residências para verificar a saúde das pessoas. Nós éramos considerados como médicos naquele lugar. Depois ele retornou ao corpo, guardando na memória os fatos aqui relatados.

A seguir, contei ao Nélson a minha versão da viagem astral. Nós ficamos muito satisfeitos, por termos nos lembrado de alguns detalhes das experiências extrafísicas que coincidiram entre si. Pode-se verificar que estivemos no mesmo local, a princípio, pois ambos vimos inúmeras pessoas que precisavam de ajuda. No meu relato, quando eu cheguei, ele já estava lá. Na narrativa de Nélson, eu cheguei após ele já estar executando uma tarefa. Ou seja, há perfeita coerência. No entanto, ocorreu uma discordância, que foi quanto ao aspecto dos desencarnados. Eu os vi como sendo de etnia indígena, enquanto Nélson os viu como pessoas comuns de uma grande cidade brasileira, com diversas miscigenações. Acredito que a minha rememoração da projeção tenha sido de qualidade inferior a de Nélson neste ponto. Entendo que, às vezes, o nosso cérebro físico provoca algumas “distorções” quanto às experiências extracorpóreas, introduzindo ou suprimindo detalhes, ou ainda transformando algumas imagens astrais em algo ou alguém com quem estamos mais acostumados, no nosso dia a dia terreno. É importante destacar também, que eu não entendi exatamente qual era a nossa função, tendo interpretado que fora uma atuação no sentido de curar as pessoas. Já o Nélson compreendera que agíamos como médicos. Desta forma, pode-se concluir que também há boa coerência entre os relatos nesta questão. Mais à frente, o Nélson lembrou de uma segunda fase da projeção, quando fomos no vilarejo de casas. Eu, por minha parte, não recordo deste período. Minha “mente consciente” não foi capaz de reter ou registrar estes outros fatos, embora eu estivesse lá de forma lúcida e atuante, conforme a narrativa de meu amigo. Aqui, é possível notar um fenômeno comum no Astral: podemos estar acordados e agindo lucidamente, mas corremos o risco de não trazer a memória das ocorrências para o cérebro físico. Isto caracteriza o que se chama “falta de capacidade de rememoração”.

Finalizando este relato, é relevante assinalar que eu e o Nélson, naquela época, não tínhamos conhecimento de que poderíamos nos projetar pelos nossos próprios meios. Entendíamos o fenômeno exclusivamente sob a ótica do Espiritismo Cristão, que o denomina “desdobramento espiritual”. Compreendíamos que somente os guias espirituais poderiam promover a libertação de nossos perispíritos do corpo material, para que pudéssemos ir até o Plano Astral e auxiliar em alguma tarefa, através das nossas bioenergias.


COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS

Este relato é bastante autoexplicativo, mas convém assinalar que este tipo de experiência cruzada, entre dois ou mais projetores, é uma forma de se obter evidências da realidade da viagem astral. No caso em questão, consideramos que há bastante elementos coerentes entre as experiências dos dois viajores, indicando que ambos estiveram no mesmo lugar do Mundo Extrafísico, realizando atividades em comum.


Retirado do livro “Experiências Extrafísicas”,
disponível para download gratuito, neste site.

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