RELATO 34 - OBSESSOR DISFARÇADO

Autor: Aryanna R. Fernandes

12 de junho de 2014

Conheci o Pablo em 1995, quando vim para o Rio de Janeiro para realizar um doutorado. Fomos alunos no mesmo curso e logo nos tornamos amigos, pois tínhamos afinidades em assuntos espiritualistas diversos. Conversávamos muito nos intervalos das aulas e o tema desdobramento espiritual estava entre os temas comentados. Com o tempo nos tornamos grandes amigos e Pablo ia com frequência em minha residência em Ipanema. Não era difícil, também, eu chamar alguns colegas do curso para estudarmos juntos no meu apartamento. Pablo sempre vinha.

Sempre gostei de gatos e tenho vários deles comigo. Numa oportunidade, em 1997, Pablo me ligou e disse que tinha saído do corpo na noite passada e, embora não tivesse uma grande lucidez, ele pôde perceber que minha gata preferida iria correr risco de morrer. Fiquei amedrontada com a posssibilidade disso ocorrer, mas nada aconteceu de imediato, naquela semana. Contudo, na semana seguinte ela amanheceu doente numa segunda-feira. Levei-a ao veterinário, que diagnosticou uma doença incurável. A bichana morreu algumas semanas depois, deixando-me muito triste. No entanto, este evento aguçou muito a minha curiosidade sobre a projeção da consciência, e passei a conversar mais sobre isso com o Pablo.

A partir daquele momento, fiquei mais atenta aos meus sonhos e possibilidades de experiências fora do corpo. Consegui, até mesmo, realizar algumas viagens curtas dentro do meu apartamento. Uma dessas vou relatar, pois me pareceu ser a mais estranha e digna de divulgar. 

Eu tinha ido dormir tarde com meu marido, pois chegamos depois das 23:00 horas, após termos voltado de uma irmandade espiritualista onde trabalhávamos naquele ano de 1998. Bati na cama e dormi rapidamente. Acredito que pela madrugada eu fiquei lúcida fora do corpo. Eu zanzava pelo apartamento, sentindo que tinha mais alguém por ali. Seria meu marido? Depois de ir ao banheiro e a outro quarto, fui até a sala e percebi que não era ele. Quando o homem se virou para mim, notei que era o Pablo. Fiquei feliz e perguntei: Pablo, é você mesmo? Mas, ele não respondeu. Apenas sorriu. Aproximei-me para averiguar melhor, mas notei algo estranho. Não senti a afinidade natural que tinha com relação a ele no Plano Terreno. Tive uma intuição de que algo estava errado, embora aquele ser se apresentasse com a aparência do Pablo. Cheguei mais perto e observei os olhos dele. Espantei-me porque não era o olhar normal de Pablo. Parecia, inclusive, que havia uma irritação nos seus olhos. Assim, perguntei de novo: é você mesmo Pablo? A resposta foi um sorriso irônico, com o canto da boca. Então, concluí que era um obsessor. Fiquei muito aborrecida e comecei a expulsar a entidade de minha casa. Ele foi recuando na direção da porta do apartamento, enquanto eu gritava com ele. Quando se aproximou da porta, ele se retirou, simplesmente sumindo.

Em seguida, despertei na minha cama. Observei meu marido dormindo um sono pesado. Voltei a dormir com alguma dificuldade. No dia seguinte, liguei para o Pablo para contar-lhe a experiência. Ele confirmou que entidades assediadoras podem apresentar-se com a aparência de parentes e amigos.


COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS

A vivência de Aryanna foi bem didática, sendo bastante esclarecedora aos projetores menos experientes. O fato de encontrarmos alguém no Astral, com a aparência de uma pessoa amiga, nem sempre significa que de fato estamos lidando com esta consciência amistosa. 

Tenho duas explicações plausíveis, para o encontro com entidades que se utilizam da aparência de entes queridos por nós. Um delas é que o ser de fato alterou a sua aparência para disfarçar-se como uma pessoa amiga. Isto não é tão difícil para espíritos mais habilidosos, inclusive para encarnados projetados. Eu já alterei minha aparência no Astral por algumas vezes, através de uma dose razoável de concentração mental. Algumas entidades assediadoras realizam isso com facilidade, de modo a tentar assimilar as bioenergias de projetores iniciantes. Às vezes, amigos espirituais e amparadores também podem assumir a aparência de um amigo ou parente, de modo a ter uma conversa útil com uma pessoa projetada, sem assustá-la se viesse como alguém desconhecido.

A outra explicação para o encontro com seres na aparência de amigos e parentes encarnados, é que o projetor pode não estar muito lúcido durante uma experiência extrafísica, e confunde outras entidades com seus conhecidos terrenos, ou ainda, faz essa confusão através de uma rememoração distorcida das ocorrências reais no Astral.

Por fim, salientamos que se deve ter um certo cuidado quando lidamos com pessoas de nosso círculo terreno de amizades, em pleno Mundo Extrafísico, pois nem sempre nos defrontamos com consciências amigas "do lado de lá". Assinalamos que essas plasmagens, quando realizadas por seres com intenção negativa, podem ser percebidas por nós projetores de diversas formas, como por exemplo buscando-se notar detalhes defeituosos ou imprecisos da aparência do ser, também dialogando para notar se há coerência na comunicação e atitudes, bem como tentando captar a vibração que a entidade transmite. 

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