RELATO 25 - ENCONTRO COM A AMPARADORA

Autor: Júlio Cesar de Oliveira

02 de fevereiro de 2013

Madrugada de cinco de abril de 2004. Acordei em minha cama sentindo um suave estado vibracional. Já consciente, e tomando todo o cuidado para não mexer o corpo físico, comecei a sentir a presença de mais alguém no meu quarto, além de mim e do colega que divide o quarto comigo. Não me parecia coisa muito boa, por isso pensei em tomar alguma medida preventiva, por via das dúvidas. Não sei bem porque, comecei a rezar o Pai Nosso, só que rápida e mecanicamente, como um papagaio ligado em 220 v. Resultado: a figura continuava lá do mesmo jeitinho (eu não via, mas continuava sentindo). E eu, sair do corpo mesmo que é bom, nada! Pensei então em entoar como mantra o nome JESUS CRISTO, mas, na hora h, também não sei porque, resolvi, brilhantemente, substituir por aquela música do Roberto Carlos que fala "Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui!..." (rs.). E, enquanto eu desafinadamente cantava mentalmente a música, pude ouvir perfeitamente a voz masculina e debochada da figura, repetindo na mesma melodia: "E eu também estou aqui!" Ai, meu Deus, que mico!!! Nem sei como estou contando isso aqui (rs.)! E não sei o que foi maior: o susto ou o cômico da situação. O fato é que perdi completamente a concentração e abri os olhos do físico. O quarto estava escuro, e, embora eu não pudesse mais sentir a presença do sujeito, algo me dizia que ele ainda estava lá, rindo da minha cara. Recomecei pacientemente a concentração, pois, apesar do susto, o corpo ainda estava bastante relaxado. E, enquanto me concentrava, pensei: "Esse cara querendo ou não querendo, vou sair de qualquer jeito! Não tenho medo dele!" Bem, afora a coragem que, com o devido bom senso, é uma disposição sempre bem vinda, havia em mim também uma certa animosidade, que não é bem o melhor estado de espírito para se começar uma projeção. Talvez isso explique, em parte, o lugar onde fui parar em seguida. Quando o estado vibracional recomeçou a se instalar, comecei a entoar mentalmente o mantra JESUS CRISTO (agora sim!). E o legal foi observar os efeitos que o mantra causava no padrão das vibrações. O negócio era até divertido! Curiosamente, à medida que eu ia testando variações de acento e extensão em cada sílaba, os efeitos mostravam nuances diferentes. Optei então por me concentrar apenas na repetição entoada da palavra CRISTO (a essa altura, já completamente esquecido do suposto assediador de minutos atrás). Não demorou muito e eu me senti finalmente descolar com naturalidade do físico, sentando-me na cama com o corpo astral. Estava tudo escuro, eu não via um palmo à minha frente. Pensei: de duas uma, ou eu não estou vendo nada por estar dentro da área de atuação do cordão de prata (o que às vezes pode acontecer), ou (mais provavelmente) por estar me condicionando subconscientemente pela escuridão das pálpebras fechadas do corpo físico. Por via das dúvidas, resolvi me levantar e me afastar o mais rápido possível do físico. Flutuei no ar, perfeitamente consciente, e, mesmo sem enxergar nada, calculei mais ou menos a direção para atravessar a parede e rumei rapidamente para fora do quarto. À medida que me deslocava no ar, embora já sentisse a diferença de atmosfera do ambiente exterior, continuava sem enxergar nada. Levei a mão ao rosto e pude sentir que as pálpebras de meus para-olhos estavam cerradas (ainda devido, certamente, à autossugestão subconsciente). Lembrei-me de certa vez, numa outra projeção, quando, na mesma situação, resolvi tentar abrir os para-olhos com as para-mãos pra ver se conseguia enxergar o ambiente astral. Resultado: acabei abrindo os olhos físicos e perdi a projeção. Dessa vez, lembrando-me que aquilo que determina a faculdade da visão no astral é o chacra frontal, e não os para-olhos, resolvi tentar outra saída: comecei a entoar o mantra OM no frontal, enquanto continuava a me deslocar no escuro. Deu certo. Pouco a pouco a visão foi se abrindo mais e mais, até eu perceber, embora sem muita clareza, onde estava. O ambiente ainda era meio escuro. Os meus movimentos estavam lentos e difíceis, como em câmara lenta. Olhei em torno e pude ver o suficiente para perceber que flutuava acima de uma espécie de grande estádio, ou algo assim, onde uma enorme multidão se reunia lá em baixo para assistir o que parecia ser um mega-show de rock. Mais à frente, à minha esquerda, um gigantesco telão (ou coisa parecida) mostrava as imagens da banda. Não sei quem eram. Estranhamente, eu não ouvia a música, apenas sentia a sua energia. Era uma sensação desagradável, densa. Sob o impacto daquela energia, suponho, a realidade parecia oscilar, instável, como se estivesse sob luz estroboscópica. Resolvi me afastar dali. Todavia, por mais que tentasse imprimir velocidade ao deslocamento, era como se eu estivesse me arrastando no ar, com grande dificuldade de ganhar altitude. Eu sabia que, se me concentrasse em voltar para o corpo físico, estaria de volta em poucos instantes. Mas eu não queria terminar a projeção dessa forma. Voltar pro corpo assim, só em último caso, de preferência. E já parecia que eu estava chegando a esse último caso, quando, de repente, comecei a sentir-me deslocando para trás e para o alto em velocidade crescente. À medida que me distanciava do local, pude ter uma visão aérea mais panorâmica da imensa multidão que acompanhava o "espetáculo". Percebi, enquanto me movia, que não era eu que estava comandando meu deslocamento. Quando olhei para a minha esquerda, pude perceber a imagem tênue de uma pessoa de roupa branca me sustentando pelo braço esquerdo. Parecia meio diáfana, transparente. Pensei em tocar-lhe a roupa para testar a concretude daquela visão, e, quando o fiz, ela se tornou perfeitamente nítida à minha percepção. Eu estava sendo levado pelos ares por uma sorridente senhora de cabelos curtos e brancos (aquele tom de branco, de cabelos que foram louros na juventude). Com a cara mais simpática desse mundo e do outro, ela virou-se para mim, como que surpresa de eu a estar percebendo e, com um sorriso lindo, desse tamanho, me perguntou como é que eu tinha ido parar ali? Eu perguntei se não tinha sido ela que me levara até lá. Ela sorriu mais ainda e disse que teve que pedir desculpas para interromper o que estava fazendo e vir me ajudar. Pelo que pude entender, ela estava fazendo alguma coisa em outro lugar, quando sentiu que eu estava em apuros. Enquanto olhava para aquele rosto de simpatia radiante eu simplesmente soube, sem nenhuma dúvida, que já conhecia aquela senhora. Soube que somos amigos queridos de muito, muito tempo... Lembrei-me inclusive, instantaneamente, de ter estado com ela em pelo menos duas projeções, uma mais recente e outra mais antiga. Era ela mesmo, aquela senhora de contentamento carinhoso e contagiante que me levou certa vez a uma espécie de parque, onde se reuniam diversas pessoas que estavam prestes a reencarnar. Era a mesma senhora que eu abracei, chorando noutra vez, quando, ao encontrá-la, fui assaltado por uma saudade profunda e indefinível, acordando de olhos molhados sem entender nada. Era ela, ela mesmo! Enquanto isso, percebi, no silêncio da madrugada, que baixávamos até a varanda de uma casa simples e adormecida, como se a senhora quisesse conversar comigo antes de me devolver ao físico. Ou será que havia algo a ser feito por ali? Emocionado com aquelas súbitas lembranças, com a tremenda lucidez em que me encontrava e com o carinho espontâneo e comovente que ela demonstrava por mim, perguntei-lhe qual era o seu nome. E, embora eu não tivesse reparado, até então, se havia articulação labial em nossa comunicação, pude ouvir perfeitamente o timbre nítido e agradável de sua voz me dizendo sorridente: “Meu nome é Shirley.” Eu sorri encantado, envolvido por aquele seu jeito descontraído, que pareceria quase adolescente se também não impressionasse o seu ar de segurança e dignidade simples, embora bem humorada. Fiquei olhando pra ela ali, me tratando com a maior naturalidade, como se nos encontrássemos todo dia... Aquele seu jeito de transbordante jovialidade e energia, apesar de seus cabelos brancos.... Parecia a pessoa mais de bem com a vida que eu já vi! Era tanta emoção que eu a abracei e beijei-lhe o rosto, pensando: “Ai, meu Deus, tenho que me controlar pra não voltar pro corpo. Não posso voltar pro corpo agora... não posso voltar pro corpo... não posso voltar...” E, no instante seguinte, para minha frustração... adivinhem: lá estava eu, de volta ao corpo... Abri os olhos instintivamente. O quarto ainda escuro, o rádio-relógio marcava 4:29 h. Meu colega de quarto ressonava na outra cama. Eu estava emocionado demais pra conseguir me relaxar e tentar voltar até ela. Bem que tentei, mas não consegui. Fiquei ali no escuro, passando e repassando a experiência toda diversas vezes pra não esquecer de nada, embora soubesse que o melhor mesmo era levantar e tomar algumas notas, por garantia. Mas acabei ficando na cama, pensando em quantas vezes aquela senhora estivera ao meu lado nas mais variadas situações, no físico e no extrafísico. Quantas mancadas minhas ela deve ter testemunhado e, mesmo assim, não havia a mais leve sombra de censura em seu olhar, pelo contrário, seu jeito comigo fora de uma generosidade desconcertante, como se eu fosse a mais digna das pessoas. E eu sabendo que não merecia aquilo tudo... De repente pensei que ela talvez ainda estivesse por ali me observando, e, meio constrangido, eu disse mentalmente que eu gostava muito dela e que sabia que ela gostava muito de mim também, e que eu ia tentar... ia tentar realmente não decepcioná-la muito. Ainda fiquei longamente ali na cama, de olhos abertos na penumbra do quarto, relembrando o rosto, a voz, o nome dela... até adormecer novamente, sentindo o coração pulsando, agradecido como um menino que tivesse recebido um presente.


COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS

Esta experiência é bastante rica e seria possível destacar muitos aspectos dela. No entanto, como o Júlio fez um relato bastante didático e autoexplicativo, passo a assinalar apenas alguns pontos em que é possível exercer uma complementação.

Primeiramente, saliento que orações e mantras proferidos sem boa concentração, carecem da energia protetora requerida, pois acaba não acontecendo a conexão com a egrégora (campo energético formado pelo somatório de consciências, sejam desencarnadas ou encarnadas, e suas respectivas energias mentais e emocionais) que se quer. E durante um assédio, realmente o projetor é testado em sua capacidade de focar sua atenção em um mantra ou numa oração.

Foi muito interessante a experimentação que o Júlio fez, usando diferentes formas de mentalizar os mantras, e percebendo resultados distintos. Isto permite-nos apontar a propriedade sensível e plástica do Mundo Astral que nos cerca, que responde prontamente aos nossos sentimentos e poder mental.

Outra situação bastante “didática” que o projetor passou, foi ele ter notado a dificuldade em voar, quando sintonizou-se com a energia do show de rock. A vibração telúrica (terrena) da música iria acabar por imantá-lo à psicosfera do show, ou, alternativamente, ele teria que focar no seu corpo denso e retornar à matéria. Provavelmente, se não fosse a intervenção da amparadora, uma dessas duas hipóteses deveria acontecer.

O momento em que Júlio relata que a amparadora estava fazendo alguma coisa em outro lugar, quando sentira que ele próprio estava em dificuldade e foi ajudá-lo, mostra como um mentor/guia está conectado ao seu “pupilo” por fortes laços de simpatia/afinidade. E desde que o projetor tenha boas intenções e uma curiosidade sadia, terá proteção da Espiritualidade.

Quando Júlio afirma que “Soube que somos amigos queridos de muito, muito tempo...”, esta é uma sensação que alguns projetores relatam, ao encontrarem-se com amigos espirituais no Astral. Isto acontece porque tivemos vidas pretéritas intensas, onde criamos elos de amor, que não se desfazem. Durante uma encarnação no planeta, entes queridos vibram por nós no Mundo Espiritual. Quanto à dificuldade exata de identificação da amparadora, pelo seu “pupilo” Júlio, que teve que perguntar-lhe o nome, isto é compreensível. A mente física não pode discernir perfeitamente, quem são as pessoas com quem convivemos em eras pretéritas, muito embora os sentimentos que emergem do fundo da alma, não deixem margem de dúvida sobre a conexão de afeto.

Por fim, é possível destacar que a experiência foi tão impactante para o projetor que, mesmo ele deixando de anotá-la quando despertou, ainda pôde relembrá-la ao acordar em definitivo. Na realidade, não poderemos saber se esquecemos de algum detalhe, numa situação como essa, onde não se anota de imediato a viagem astral, no primeiro despertar. O ideal é fazer as anotações assim que se retorna de uma experiência extrafísica. Contudo, é fácil se entender que alguém prefira permanecer deitado, em deleite, após uma vivência tão agradável no Astral, como esta que foi relatada.

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