RELATO 19 - ENCONTRANDO MEU AVÔ

Autor: Marcel B. Lussac

13 de abril de 2012

Madrugada entre os dias 28 e 29 de março de 2012. Estávamos eu, meu irmão Adriano e mais alguém cuja identidade não distingui, dentro de um veículo, que interpretei como um carro, nos deslocando por um local desconhecido. O veículo se movimentava com rapidez por ruas, buscando uma vaga para estacionar. Nesta busca pela vaga, demos aproximadamente três voltas por um mesmo percurso, compreendido por algumas vias, como se fosse um quarteirão. Para minha estranheza, enquanto o amigo "desconhecido" guiava o veículo pelas ruas, ao longo das mesmas, divisava inúmeras vagas, quando lhe questionei o motivo de não estacionarmos nestas vagas. Ele me explicou que tais vagas se destinavam a veículos maiores ou especiais e que não seria conveniente estacionar ali. Pouco mais adiante encontramos uma vaga adequada e estacionamos o veículo. O local que percorríamos era uma estrada com gramados verdes e muitas árvores.

Fomos até uma construção específica, entre tantas outras, e entramos. Nos arredores, muitas pessoas caminhavam a pé, indo e vindo. Tratava-se de uma construção grande, com um único ambiente, em cujo interior encontravam-se dois caixões. O local era uma espécie de mausoléu, com janelas e cortinas, que se movimentavam com a brisa amena que soprava no local. Recordo-me de ter ficado reparando, admirado, as cortinas tremulando ao sabor do vento, as quais guardo a impressão de serem azuis. O local era claro e se destinava a duas pessoas. Uma não me recordo de sua identidade ou não conheço, não sabendo dizer nem mesmo se era homem ou mulher. A outra, tratava-se de meu avô materno, Delfino. Tanto meu avô, como a outra pessoa, se mantinham deitados em urnas funerárias, com a aparência de cadáveres, inclusive quanto às roupas que vestiam, que pareciam ser brancas amareladas pelo tempo. Tive a impressão de que se fossem tocados, se esfarelariam como acontece com múmias, dado seus aspectos. Apesar de se manterem deitados, ambos falavam e se movimentavam em suas camas/caixões.

Anteriormente, enquanto meu irmão e nosso acompanhante "desconhecido" adentravam a construção, me recordo de ter dado uns passos atrás e retornar à entrada da construção. Não me lembro do porquê de ter tomado tal atitude, porém me recordo de ter ficado impressionado com o movimento das pessoas, homens e mulheres que caminhavam pelas ruas. Nesse momento, fui inquirido por um homem, com uma espécie de prancheta nas mãos, me perguntando se permaneceria ali até a noite. Fiz-me de desentendido e virei de lado, quando ele dirigiu-se a mim novamente dizendo: “- Sua mãe permite que você brinque com fogo?” Ainda sem lhe dar muita importância, respondi-lhe que sim, dando as costas e adentrando novamente a construção. A diferença entre o nível da rua e a porta da construção era compensada por uma escada com aproximadamente vinte degraus.

Novamente dentro da construção, vi que meu irmão e nosso acompanhante conversavam fraternalmente com os dois “cadáveres-falantes”. Dialoguei por alguns instantes com a outra pessoa que ali se encontrava e me dirigi a meu avô, que passou a me contar de sua situação, se queixando de fortes dores em suas pernas (antes de seu desenlace, ele teve problemas circulatórios graves em suas pernas, chegando a amputar uma delas). Após um breve relato acerca de sua situação, argumentei que não existiam mais motivos para ele se manter naquela situação, sentindo inclusive as fortes dores em suas pernas, uma vez que ele já tinha morrido e, portanto, não possuía mais um corpo físico, origem de suas dores. Acrescentei que ele necessitava compreender esta mudança em sua vida. Ele me ouviu atentamente e quando pretendia dizer-lhe para não se esquecer de rezar a Deus, pedindo-lhe entendimento e luz, fui abruptamente reconduzido ao corpo físico, acordando em meu quarto.

Para não incomodar Rosa Vilhenna (minha esposa), que dormia a meu lado, levantei-me em silêncio no escuro, tateando a estante na busca de papel e caneta, para registrar a projeção. De repente, me espanto com o despertar abrupto de Rosa, que senta na cama me perguntando se eu tinha tirado uma fotografia, pois um forte flash de luz no quarto a fez despertar.

Refletindo sobre tudo, fico com a impressão que meu avô e seu companheiro, eram amigos quando em vida e que nosso guia na visita, possuía algum laço fraterno com a outra pessoa que lá se encontrava. Meu avô desencarnou em 01/10/1992.


COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS

O relato de Marcel apresenta aspectos interessantes e merece alguns comentários. Com relação ao seu avô e ao outro desencarnado estarem em urnas funerárias, em pleno Astral, compreende-se que os caixões podem ser imagens construídas pelos próprios desencarnados (a "matéria" astral é plástica e fortemente moldável conforme a energia mental das pessoas). Há seres humanos que, ao desencarnarem, acompanham mais ou menos conscientemente as cerimônias de sepultamento, e mantêm-se presos a esta condição (de "falecidos") por longo tempo após o desenlace, em conformidade com seu grau de lucidez espiritual. Outra hipótese para os caixões, poderia ser uma distorção de rememoração da experiência pelo projetor Marcel, ou ainda, que os caixões foram plasmados momentaneamente pelo mentor espiritual que orientava a experiência, de forma a causar impacto na memória de Marcel, que, assim, teria maior dificuldade em esquecer a viagem astral.

Outro aspecto digno de nota é o fato de Delfino, avô de Marcel, ainda estar preso a sensações materiais após quase vinte anos de desencarne. Essa realidade é comum no nosso mundo, onde poucas pessoas têm, de fato, expansão consciencial suficiente para adaptar-se rapidamente à chamada "vida após a morte". Assim, é fácil entender que Marcel e seu irmão foram para lá levados, de modo a auxiliar o avô a entender sua nova realidade. Além disso, acreditamos que esta projeção teve também a função de alertar a Marcel para a condição de Delfino, de modo a que levasse o nome do desencarnado para seu grupo espiritualista terreno, para emitirem, em conjunto e conscientemente, bioenergias em favor dele.

Por fim, chama-se a atenção para a questão do flash percebido por Rosa Vilhenna, enquanto dormia. Possivelmente o guia que promoveu a experiência de Marcel, deve ter provocado este fenômeno, para que Marcel desse a devida importância à projeção ocorrida, uma vez que Rosa é médium desenvolvida, possuindo entre tantas outras faculdades a visão eventual do Astral, sendo portanto capaz de vislumbrar com maior facilidade o fenômeno, diferentemente de Marcel.

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