RELATO 15 - O MENSAGEIRO DE SHIVA

Autor: Pablo de Salamanca

08 de fevereiro de 2011

Esta experiência, que passo a relatar, ocorreu em 15 de novembro de 2003, e é das mais interessantes que vivenciei no Astral. Creio que seja útil ao leitor que ignore os simbolismos vinculados à divindade hindu Shiva, conhecido como “o destruidor” ou como “o transformador”, que faça uma pesquisa pessoal um pouco mais aprofundada, de maneira a compreender melhor esta projeção de minha consciência.

Estava na casa de uma amiga e fui deitar-me cansado, já próximo à meia-noite. Realizei um breve exercício bioenergético com luzes mentalizadas, logo adormecendo. Recordo de estar lúcido na entrada de uma espécie de vilarejo de casas pequenas, em pleno Plano Astral. O meu estado de lucidez era razoável, percebendo facilmente que eu estava mediunizado, mais uma vez, no Mundo Extrafísico. Assim, meu corpo astral era conduzido pela influência de uma entidade, que dominava os meus movimentos, mas permitia-me ver bem os arredores e ouvir os “sons ambientais”. Aquilo que eu estava vivenciando, é similar ao que na Terra é chamado “incorporação semiconsciente”, onde o médium cede o seu corpo e sua fala para a manifestação de um espírito, mas mantém um grau significativo de consciência. Bem, retornando ao relato em si, eu estava adentrando o vilarejo, sem qualquer controle de locomoção e movimentos do meu corpo astral, e falava em tom relativamente elevado, numa língua completamente estranha a mim. Ou seja, eu não sabia o que estava emitindo para o ambiente.

Num dado momento, recordo-me de surgirem pessoas com cassetetes negros e compridos como cabos de vassoura. Um atacou-me e defendi-me com habilidade, tomando-lhe o cassetete e em seguida derrubando-o com uma paulada. Na realidade eu não fiz nada, mas sim a entidade espiritual que me influenciava. A seguir, o ser que utilizava as minhas possibilidades mediúnicas continuou caminhando e falando. Então, muitos outros sucederam-se no ataque a mim, que estava em franco processo de transe ali, no Mundo Extrafísico. Cada um que me abordava agressivamente era logo derrubado. Eu, atônito, acompanhava a habilidade de meus movimentos de braços, pernas e tronco, rechaçando os golpes, para, logo em seguida, desferir pauladas com o cassetete que tomara das mãos de um deles, no início da contenda. Um fato que era espantoso para mim, é que eu podia ouvir “ossos quebrando”, em determinados golpes que meus braços desferiam nos “adversários”. A partir desses primeiros confrontos em que os agressores ficavam nocauteados no chão, vieram mais entidades, que passaram a me atacar em número de dois ou três de uma só vez. Neste momento, confesso, tive medo. Pensei automaticamente: vou apanhar! Contudo, o ser que me mediunizava estava bem firme no controle do meu corpo astral (apesar de eu ter expressado internamente medo) e provou estar no domínio da situação, naquele “vilarejo astral”. Conforme os grupos de dois ou três atacantes desferia golpes sucessivos em minha pessoa, rapidamente era possível desviar e contra-atacar com perfeição. E o porrete em minhas mãos era movimentado e girado, sempre com destino certo em “costelas”, “braços” e “pernas” dos contendores, que logo iam ao chão. Assim, fui avançando pelo lugar adentro, enquanto podia ver as imagens dos adversários caindo a minha esquerda e direita sucessivamente, às vezes tombando também a minha frente. Tudo acontecia muito rapidamente, o que não permitia-me refletir bem sobre o que estava acontecendo. Eu era, praticamente, um mero expectador.

Quando a turma parou de surgir, pude notar a minha volta muitos agressores no solo, gemendo ou desmaiados. Agora, a entidade que me conduzia no transe, estacara finalmente. Então, aproximaram-se de mim cinco ou seis pessoas (duas eram mulheres), que mantinham postura e gestos humildes. Pude notar que eles estavam cansados e tinham roupas um tanto rotas. Assemelhavam-se a mendigos. Aparentavam manter algum tipo de expectativa quanto a minha presença ali. Pareciam estar interessados também naquilo que a entidade continuava a falar através da minha boca, embora numa língua desconhecida para mim. Então, a entidade parou de se comunicar verbalmente. Após instantes, senti que retornaria a falar, mas em português. Provavelmente eu estava numa localidade umbralina, onde a comunicação era verbal e em português, ou seja, ali talvez não fosse comum a telepatia, como ocorre em áreas “menos densas” do Astral. Isto aconteceu, com alguma dificuldade de início, pois notei que a decodificação dos pensamentos da entidade, através da minha mente, não era um processo simples. A primeira frase que saiu, foi: “- sou um mensageiro de Shiva.” A seguir, complementou: “- trago uma mensagem do Grande Pai.” Na sequência, com a comunicação já fluindo melhor, passei a me espantar com o conteúdo que saía de minha boca. Aquilo era uma explanação sobre o perdão e a misericórdia de Deus. Explicou sobre a importância de compreender o semelhante e de perdoar. Em resumo, embora já não me recorde mais de suas exatas palavras, ele fez um belo discurso semelhante ao Sermão da Montanha, que está no Evangelho. Um fenômeno muito interessante, é que acabou havendo uma dissociação significativa entre a minha consciência e a mente da entidade comunicante, pois enquanto ele falava, eu passei a meditar sobre a aparente incoerência dos fatos. Afinal de contas, há pouco, a entidade utilizando-se de minha condição mediúnica no Astral, distribuíra pancadas (embora sempre defensivamente), para, agora, comunicar-se tranquila e esclarecedoramente, até usando um tom quase profético em determinados momentos. Outro fato interessante, é que num dado instante uma das mulheres aproximou-se da entidade comunicante, ajoelhando-se logo em frente. Em seguida, meus braços astrais se estenderam, fazendo pousar as minhas mãos sobre a cabeça dela. E nesta posição, o mensageiro de Shiva continuou sua explanação até um ponto que não pude mais registrar conscientemente. Despertei na minha cama sob a forte impressão de tudo aquilo que ocorrera, ainda um tanto espantado e emocionado com aquela vivência no Mundo Extrafísico. Logo em seguida, anotei tudo o que estava na minha memória.

Imagino, agora, que aquela atividade tenha sido um resgate de desencarnados em zona umbralina. Aqueles poucos espíritos que me rodearam, ao final, enquanto eu estava mediunizado, tinham um aspecto assustado, mas esperançoso. Talvez tenham atingido um grau mínimo de compreensão, já tendo possibilidade de irem para região melhor, embora devessem estar ali ainda “escravizados” pelo medo e sentimentos de culpa. Entendo que o mensageiro de Shiva tenha utilizado parte de minhas bioenergias para facilitar a retirada daquelas entidades dali. Infelizmente, os seres que se julgavam “donos” do lugar se opuseram, e acabaram sendo “neutralizados” de uma forma drástica, mas, ao mesmo tempo, impessoal. A vibração que o mensageiro me passava, durante o intercâmbio mediúnico, foi um misto de harmonia e distanciamento das dualidades que predominam na Terra. Isto foi o que eu senti, nesta experiência marcante.

Retirado do livro “Experiências Extrafísicas II”,
disponível para download gratuito, neste site.

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