RELATO 11 - INVOCAÇÃO

Autor: Pablo de Salamanca

03 de maio de 2010

Esta experiência extrafísica ocorreu em cinco de abril de 2001, e apresenta alguns aspectos diferenciados.

Naquela noite deitei-me para dormir, sem realizar o exercício da minha técnica usual para projetar-me no Astral lucidamente. Eu queria apenas descansar. No entanto, um tempo depois, minha consciência estava desperta num lugar, onde havia uma casa de alvenaria humilde. Eu assistia a tudo de uma altura de mais ou menos cinco metros. Era possível divisar o referido domicílio e o pequeno quintal onde estava inserido. Neste quintal estava um homem com roupas simples: camisa desabotoada e calça surrada. Ele invocava o “diabo”, enquanto olhava fixamente para um pequeno espelho, pendurado na parte externa de uma parede da casa. Eu avaliava a situação, como mero espectador, achando aquela atitude bastante imatura e até um tanto ridícula, pois, na minha concepção, o “diabo” é apenas figura mitológica. O que acontece nas áreas umbralinas, é que há desencarnados que alteram suas formas astrais, plasmando várias modalidades de “demônios”, no intuito de provocar medo ou repulsa. Estava pensando nisso, quando pude observar no espelho a formação de uma imagem. Surgia a figura de um homem de pele toda vermelha, semelhante à lendária aparência do “diabo”. Aquilo me surpreendeu um pouco, mas uma movimentação no interior da casa, que eu podia enxergar por uma janela aberta, chamou a minha atenção. Quando foquei melhor na direção mencionada, pude notar, com clareza, que aquele ser cuja imagem surgira no espelho, estava se materializando dentro da casa. Era um homem musculoso e todo vermelho, com ar pouco amistoso. Levei um susto com o fato inesperado, retornando ao corpo em seguida. Contudo, o retorno de minha consciência ao veículo físico não teve o impacto típico de um tranco forte, que sempre me ocorre após um “susto extrafísico”. Apenas despertei, abrindo os olhos e conferindo que eram 5:00 horas da madrugada. Passei, na cama, a meditar sobre a experiência. Rememorei tudo, assinalando que, naquele lugar onde estivera, eu não fora visto pelo homem da invocação (ele facilmente poderia ter me notado, pois eu estava logo acima da cena que se desenrolava). Além disso, eu estava ali sem a noção do meu próprio corpo astral. Eu era basicamente um foco de consciência, sem interferir no ambiente. Assim, concluí que realizara uma “clarividência viajora” e não uma projeção astral. A principal diferença entre estes dois tipos de experiência extrafísica é o fato de, durante a clarividência viajora, grande parcela do psicossoma (corpo astral) se manter em coincidência com o corpo físico (só pequena porção sai, como se fosse uma “sonda”, a busca de informações em outros ambientes), enquanto que, na projeção astral, o psicossoma se descoincide por completo do físico. Cabe, aqui, lembrar que clarividência viajora também se distingue da chamada projeção mental, pois esta decorre de um deslocamento de um veículo mais sutil, chamado “corpo mental”. Além disso, as projeções mentais estão associadas a um nível vibracional mais elevado de experiência extrafísica, quando se visita o chamado Plano Mental.

Em seguida, voltei a pensar na experiência em si. Passei a tentar compreender se aquilo que eu vislumbrara, ocorrera no Mundo Terreno (neste caso um encarnado estaria invocando alguma força “trevosa”), ou se acontecera no Astral Inferior (neste caso um desencarnado estaria chamando um outro desencarnado – o “diabo”). Senti que esta segunda hipótese seria a mais acertada naquela situação, mas não tinha meios de ter certeza. Na sequência tentei voltar a dormir, mas, em decorrência do susto e das conjecturas a que me deixei levar, não peguei mais no sono.

Dois dias depois, em sete de abril de 2001, eu estava participando de reunião mediúnica, no centro em que labutava na época. No momento dedicado ao atendimento de entidades desequilibradas, manifestadas através da “incorporação”, uma delas apresentou-se através da minha mediunidade, com grande revolta, dizendo que não se entregaria sem luta. Após um esforço conjunto de médiuns e guias da casa espiritualista, a entidade fora encaminhada depois de entrar em profunda sonolência, sem maiores explicações de sua origem e motivação para estar ali. Ao final da sessão, eu conversava com alguns médiuns amigos, quando abordou-me minha prima, também sensitiva da casa, e disse-me que a entidade que se manifestara através de mim, apresentava-se com a aparência astral do que na Idade Média se acreditava ser o “diabo”. Então, muito surpreso com o ocorrido, contei-lhe a experiência extrafísica que tivera dois dias antes. Assim, concluí que, de alguma forma, havia uma correlação entre a clarividência viajora e aquele trabalho espiritual realizado. Talvez justamente a minha experiência extrafísica tenha ocorrido, como uma fase anterior e preparatória para aquela atividade mediúnica. A partir de experiências como essa, é que eu fui percebendo que, pelo menos no meu caso, as minhas incursões no Astral tinham uma frequência significativa de interferência dos amparadores.

Retirado do livro “Experiências Extrafísicas II”,
disponível para download gratuito, neste site.

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