ARTIGO 8 - PROJEÇÃO ASTRAL E MEDIUNIDADE

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito originalmente em 01 de janeiro de 2009, e revisado em 15 de outubro de 2011.

Caros amigos, neste artigo apresentamos alguns aspectos da relação entre mediunidade e projeção astral. A princípio, é importante lembrar algumas definições sobre mediunidade, oriundas de livros que são referências. Segundo Allan Kardec, a mediunidade é uma faculdade dos médiuns, e, no Livro dos Médiuns1, consta que a palavra medium vem do Latim, significando “meio” ou “intermediário”. Ou seja, médium é a pessoa que pode servir de intermediária entre as duas dimensões da vida, isto é, entre a dimensão espiritual (mundo dos espíritos) e a dimensão material (mundo terreno/encarnados). Conforme G. M. Ney2, mediunidade é a faculdade dos médiuns ou sensitivos de serem “meio” aos fenômenos paranormais. De acordo com L. Palhano Júnior3, mediunidade é a faculdade que têm as pessoas (médiuns), em maior ou menor grau, de receber comunicações ou perceber os espíritos ou o Mundo Espiritual. Portanto, o que é fundamental na definição do que é mediunidade, é a questão da intermediação. Ou se intermedeia outras consciências (ideias de desencarnados ou de pessoas projetadas), ou se intermedeia informações inerentes a outras dimensões da vida (Mundo Espiritual, Plano Astral e outras denominações), trazendo para a Terra esclarecimentos de como é a vida fora da matéria, das “paisagens” encontradas, da aparência dos seres menos densos que nós etc. Quanto à projeção astral, definiremos de forma simplista, que é a capacidade que temos de sairmos do corpo físico, usando um veículo sutil de manifestação da consciência, de forma a interagir no Mundo Imaterial, com algum grau de lucidez. São as também chamadas experiências fora do corpo (EFCs).

Bom, após estas conceituações, é relevante levantar a seguinte questão: a projeção astral pode ser considerada um tipo de mediunidade? Conforme a agregação das três definições de mediunidade, pode-se concluir que esta faculdade inclui a intermediação entre o Mundo Sutil e o Plano Terreno, de forma ampla. Assim, se o projetor vai ao Mundo Extrafísico com lucidez, e traz para o Plano Material a memória de informações obtidas de outras consciências, ou sobre o que existe “do outro lado”, ele está intermediando. Ou seja, neste caso, a projeção astral pode ser considerada uma mediunidade. No entanto, se o indivíduo sai do corpo e tem lucidez no Astral, mas, ao voltar ao Plano Físico, de nada se lembra, ele não intermediou. Portanto, nesta situação em que há uma projeção astral sem rememoração, não se pode afirmar que há uma mediunidade em ação.

Por outro lado, algumas pessoas acreditam que um médium ostensivo terá maior facilidade em conseguir viagens astrais conscientes, com rememoração. Porém, a ligação entre mediunidades comuns (como a intuitiva e a de “incorporação”) e a projeção astral consciente não é obrigatória. Nem todos bons médiuns atuantes realizam viagens astrais lúcidas com rememoração. Alguns bons projetores nunca manifestaram uma mediunidade evidente. No entanto, não há como negar que há uma correlação entre ambas capacidades, e não é nada incomum que as duas ocorram naqueles que direcionem suas energias, se dedicando tanto à mediunidade como às EFCs. Compreendo que a ligação entre mediunidade e projeção está na questão do desenvolvimento dos chacras. Se o indivíduo tem um bom desenvolvimento em alguns desses centros energéticos, estará apto a desempenhar tanto uma função, quanto a outra, conforme seus esforços conscientes e também de acordo com o que chamo de programação existencial (aquilo que os espíritos mais conscientes de sua condição evolutiva planejam, antes de reencarnar).

Um outro aspecto interessante da relação viagem astral/mediunidade, é que os médiuns, com frequência, são retirados de seus corpos pelos amparadores, para iniciarem tarefas dois ou três dias antes de uma sessão espírita/espiritualista ocorrer no ambiente terreno. Ou seja, o trabalho espiritual dos centros inicia-se previamente nas dimensões sutis, tendo continuidade no Plano Material na data da sessão, perdurando às vezes nos dias seguintes, novamente no Astral. Assim, os médiuns fazem projeções e recordam-se de fatos que, quando comentados, percebe-se que vários integrantes do grupo estiveram no mesmo lugar do Umbral (por exemplo), realizando as mesmas tarefas. Inclusive, não é tão incomum a lembrança de que os médiuns estiveram no Mundo Sutil “incorporados” com seus guias. Isto se dá porque, mesmo no Mundo Extrafísico, a entidade incorporante se apresenta com um corpo astral menos denso que o do médium projetado, possibilitando o processo da “incorporação”. Abaixo, coloco um breve relato que consta no livro “Experiências Extrafísicas”, de minha autoria, de forma a exemplificar um trabalho mediúnico de “incorporação”, durante uma experiência fora do corpo (EFC). O livro citado encontra-se disponível, para download gratuito, aqui no Harmonianet.

Estávamos reunidos, em um local desconhecido, para atrair e tentar encaminhar um desencarnado desequilibrado, que constantemente perturbava aquele ambiente. Era um lugar escuro, que me parecia ser uma pequena casa de apenas dois cômodos. Naquele momento, eu, o Nélson Vilhenna, a Tetê Souza e sua filha permanecíamos sentados no chão de um dos cômodos, em concentração, como se estivéssemos à mesa de trabalhos do centro espírita, que era dirigido pelo Nélson. Depois de um certo tempo, o Nélson sugeriu que terminássemos nossos esforços no outro cômodo. Porém, entrei em transe semiconsciente, permitindo que uma entidade desse uma orientação através da minha voz. O mentor nos explicou que deveríamos terminar o trabalho onde havíamos começado. Logo após esta mensagem, eu perdi a consciência. Quando recobrei a lucidez, notei que ainda estava no Astral. Eu estivera dormindo ali mesmo e assinalei a presença da Tetê Souza nas proximidades, dormindo, deitada sobre o piso. Chamei-a e, quando ela despertou, indaguei se eu havia entrado em sonolência profunda antes da reunião acabar. Ela respondeu que eu havia “incorporado” um guia de Umbanda, que tratara de levar a entidade que andava perturbando aquele ambiente. A partir desse ponto, não recordo mais detalhes das atividades no Plano Astral, naquela noite.

Por fim, é importante citar que ainda há, pelo menos, mais um fator digno de nota na relação entre mediunidade e projeção astral: a Apometria. Contudo, não é objetivo deste artigo tecer comentários sobre esta questão, o que deixamos para os interessados buscarem, por si mesmos, informações a contento.


Fontes bibliográficas consultadas:

  1. O Livro dos Médiuns. Allan Kardec. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, 1996. 62a Edição.

  2. Parapsicologia: termos e mestres. Gerardo M. Ney. Livraria Freitas Bastos. Rio de Janeiro, 1991.

  3. Mirabelli: um médium extraordinário. Lamartine Palhano Júnior. Edições CELD. Rio de Janeiro, 1994.

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