ARTIGO 3 - A PROJEÇÃO ASTRAL EM DIVERSAS RELIGIÕES

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito originalmente em 22 de junho de 2006, e revisado em 01 de outubro de 2011.

Caros amigos, hoje pretendemos discorrer um pouco sobre a incidência do fenômeno da viagem ou projeção astral em religiões variadas, de forma a demonstrar que a saída de nossas consciências do corpo físico é algo comum, mesmo em ambientes que cultuam a Deus de formas diversas. A projeção astral não é privilégio de ninguém em especial, nem de grupos de conhecimento hermético, nem desta ou daquela religião. Todos nós podemos nos libertar momentaneamente do plano denso, alçando voos até os mundos sutis, e ganhando novas experiências. A viagem astral é fato universal, não tem fronteiras de tipo algum, e é uma grande possibilidade para contatar dimensões superiores.

Inicialmente, vamos abordar o Judaísmo através do Velho Testamento (Bíblia Sagrada). Lá há várias passagens que demonstram, com maior ou menor clareza, que ocorreu o fenômeno da viagem astral. Citaremos apenas alguns exemplos. Primeiramente, em Ezequiel 3.14 se pode ler: “Então o Espírito me levantou, e me levou; eu fui amargurado na excitação do meu espírito; mas a mão do Senhor se fez muito forte sobre mim”. Ora, aqui é bem claro que o Espírito que o levantou e levou, era um guia espiritual e executou a tarefa através do corpo astral de Ezequiel. Este ficou surpreso com a situação, se dizendo amargurado e excitado. O detalhe que ele narra, informando que a mão do Senhor se fez muito forte sobre ele, aponta para o fato de a sua projeção ter sido induzida e patrocinada pelo guia ou amparador (ele não se projetou por conta própria). Mais à frente, em Ezequiel 8.2, observa-se: “Olhei, e eis uma figura como de fogo; desde os seus lombos, e daí para baixo, era fogo e dos seus lombos para cima como o resplendor de metal brilhante”. E em seguida, em Ezequiel 8.3: “Estendeu ela dali uma semelhança de mão e me tomou pelos cachos da cabeça; o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e me levou a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava colocada a imagem dos ciúmes, que provoca o ciúme de Deus”. Esta sequência de Ezequiel, capítulo 8, do segundo para o terceiro versículo, é extremamente esclarecedora. De início ele narra a presença da figura de fogo, que nada mais era do que um amparador luminoso, de provável grande envergadura espiritual. Logo após, ele percebeu que o guia estendeu a mão, e, magnetizando-o, levou-o ao espaço astral (“...entre a terra e o céu...”). A seguir, chegaram a Jerusalém, o que caracteriza uma projeção astral com deslocamento geográfico definido, pois Ezequiel descreve detalhes do lugar. Já em Ezequiel 37. 1-2, a narrativa diz: “Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale, e estavam sequíssimos”. É facilmente perceptível aqui, mais uma viagem astral de Ezequiel (“...ele me levou pelo Espírito...”), promovida pela ação de um amparador, já que o projetor sentiu-se como teleguiado. Outro aspecto interessante deste relato bíblico é que o profeta Ezequiel foi levado para o Astral para receber ensinamentos, o que é muito comum nas experiências extrafísicas (quem quiser ler até o versículo 14 deste capítulo, perceberá que se trata de um tipo de aprendizado o que se passa com Ezequiel). Finalizando esta breve avaliação do Velho Testamento (religião judaica), podemos assinalar o profeta Daniel. Este profeta foi pródigo em relatos de visões (clarividência) e de sonhos simbólicos, bem como em elaborar interpretações para os mesmos através de sua intuição. Contudo, em Daniel 8.2 nota-se que ele realizou uma projeção astral típica: “Quando a visão me veio, pareceu-me estar eu na cidadela de Susã, que é província de Elão, e vi que estava junto ao rio Ulai”. Ou seja, ele estava no local! Daniel estava fora de seu corpo! A partir deste momento, ele começa a ter visões simbólicas sobre o futuro (quem se dispuser a ler perceberá que as visões são muito interessantes).

Agora, abordaremos casos de viagem astral no cristianismo primitivo, através do Novo Testamento (Bíblia Sagrada). Em II Coríntios 12.2-4, o apóstolo Paulo escreveu: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu, se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe. E sei que o tal homem, se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe, foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Portanto, nesta epístola de Paulo é óbvio que se considera a possibilidade de se sair do corpo de modo a atingir outra dimensão da vida (foram citados o “paraíso” e o “terceiro céu”), isto é, o Mundo Espiritual ou o Astral etc. Mais à frente, no Apocalipse 1.10, João narra: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta”. O apóstolo claramente estava em algum lugar “em espírito”, ou seja, projetado. Em Apocalipse 4.1-2 pode-se ler: “Depois destas cousas olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas. Imediatamente eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado”. É muito interessante e até óbvio que o apóstolo João estava fora do corpo físico, pois após ele ver a porta aberta no céu, foi lhe dito para subir, e ele “em espírito” atendeu ao chamado. Mais uma vez citando João, em Apocalipse 21.9-10, temos outra descrição de projeção astral: “Então veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos, e falou comigo, dizendo: vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha, e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus”. Nesta passagem facilmente se distingue o amparador (“...um dos sete anjos...”), que auxilia o apóstolo em sua projeção. João se diz, novamente, “em espírito”. Isto significa, mais uma vez, que ele estava com sua consciência projetada através do corpo astral (chamado perispírito no Espiritismo).

A seguir, dissertaremos sobre viagem astral no Islamismo, no único mas significativo caso que conhecemos do meio muçulmano. Trata-se de um episódio chamado “A viagem noturna até aos céus”, que é uma projeção do profeta Maomé. A narrativa conta que o profeta estava descansando na mesquita de Meca, à noite, quando o anjo Gabriel apareceu lhe trazendo um animal. Maomé montou no animal e foi a Jerusalém acompanhado do anjo (neste caso, Gabriel foi o guia ou amparador que promoveu a viagem astral). Quando chegaram na mesquita de Al Aksa, na Cidade Santa, encontraram com muitos mensageiros e rezaram juntos. Em seguida, Maomé saiu dali com o anjo, indo a sete céus (diferentes locais da Espiritualidade, possivelmente com níveis vibracionais distintos entre si), e sendo bem recebido em todos eles, onde se encontrou com diversos mensageiros e outros profetas. Na sequência, Gabriel levou Maomé a um lugar ainda mais elevado (local grandioso, descrito com algum detalhamento, e chamado de paraíso pelo profeta), deixando-o lá para receber instruções religiosas para o povo muçulmano. Após as instruções e esclarecimentos, o representante de Allah voltou à Terra, onde seu corpo físico estava repousando, em Meca. Ele, então, contou às pessoas o que viu e ouviu, porém alguns não acreditaram, desdenhando o profeta. Resolveram testá-lo, pedindo-lhe que descrevesse a mesquita de Jerusalém, pois sabiam que Maomé nunca havia viajado para lá, e entre os descrentes haviam uns que já tinham estado em Jerusalém. Para a surpresa deles, o profeta respondeu às perguntas com minúcias, descrevendo muito bem a mesquita que visitara em espírito (corpo astral). Aí temos a confirmação da veracidade da projeção da consciência de Maomé, mas, como ainda duvidassem, interrogaram-no a respeito de uma caravana que estava de regresso da Síria, em direção a Meca. O profeta descreveu a caravana com pormenores, o número de camelos e o dia que deveria chegar à Meca. Tudo isso, mais tarde, se constatou ser verdade. Isto é muito interessante para aqueles que estudam a projeção astral de forma mais crítica, pois aqui temos um relato histórico onde se buscou a confirmação dos lugares por onde passou o projetor.

 Agora, falaremos um pouco sobre viagem astral no Catolicismo. No ambiente católico, se usa o termo “bilocação” para o fato de uma pessoa (santo) ser vista, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes. Nós entendemos este fenômeno como um tipo de projeção astral, só que com a particularidade da pessoa projetada tornar visível seu corpo astral, ou, até mesmo, materializar-se em outro local distante do seu corpo físico. Este fenômeno é perfeitamente explicável por meio de mecanismos mediúnicos que envolvem o uso abundante de ectoplasma, mas não é objetivo deste artigo detalhar esta questão. Um bom exemplo oriundo da Igreja Católica, com esta capacidade de projeção da consciência, foi Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, nascido em 15 de agosto de 1195 em Portugal, o Santo Antônio. A ele são atribuídos muitos eventos de bilocação, mas narraremos apenas um. Num domingo de Páscoa, enquanto Santo Antônio pregava numa catedral, lembrou-se de que havia sido destacado para o cântico da Aleluia, numa missa que estava ocorrendo naquela mesma hora em um convento franciscano. Então, pelo poder de sua vontade, mesmo não podendo descer do púlpito de onde pregava, parou por um instante e calou-se como se estivesse fazendo uma pausa para respirar. Neste momento, foi visto no coro do convento franciscano entoando a Aleluia. Consta que este fato foi visto e certificado por várias testemunhas. Esta ocorrência é deveras interessante e, por si só, demonstra a capacidade humana de projetar a sua consciência além do corpo material. Outro personagem ligado ao Catolicismo e detentor de habilidades projetivas foi São Martinho de Porres, nascido em 9 de dezembro de 1579, em Lima no Peru. Não era incomum ele aparecer em ambientes fechados, ultrapassando portas ou paredes, para auxiliar pessoas enfermas. Também foi visto em lugares diferentes (até mesmo em países distantes) num mesmo momento. Estas informações só nos levam a concluir que este santo era um excelente projetor. Finalizando a parte relativa ao Catolicismo, gostaríamos de citar Francesco Forgione, nascido em 25 de maio de 1887 na Itália, também conhecido por Padre Pio de Pietrelcina, ou São Pio de Pietrelcina. Ele é muito respeitado no meio católico pelas muitas curas realizadas por seu intermédio e pela capacidade da bilocação. Aqui, apenas comentaremos um episódio de viagem astral de Padre Pio, embora poderíamos descrever muitos. Uma mulher, com câncer em um dos braços, foi convencida a fazer uma cirurgia pela sua filha. O marido de sua filha enviou um telegrama para Padre Pio, pedindo orações pela sua sogra, que aguardaria mais alguns dias no hospital para ser operada. Em determinado dia, no hospital, a mulher com câncer viu entrar pela porta um monge que disse: “Eu sou Padre Pio de Pietrelcina”. Ele interrogou a ela o que o médico havia lhe contado e encorajou-a. A seguir, fez o sinal da cruz no braço dela e despediu-se. Logo após, a mulher doente chamou a filha e o genro, que estavam do lado de fora, perguntando porque haviam deixado o padre entrar sem avisá-la antes. Contudo, eles responderam que não tinham visto o Padre Pio, nem aberto a porta a ninguém. No dia seguinte, o médico ao fazer uma avaliação da paciente para prepará-la para a cirurgia, não encontrou nenhum câncer. O padre havia se projetado e auxiliou a mulher, de forma decisiva, trazendo-lhe a cura.

Com relação ao meio espírita, a viagem astral tem nuances muito especiais. O Espiritismo possui, em sua literatura, diversos casos muito bem descritos. Contudo, o termo utilizado para designar a projeção astral é “desdobramento espiritual”. Por exemplo, no livro “Devassando o Invisível” a grande médium Ivone A. Pereira narra uma experiência fora do corpo muito interessante. Por sua vez, o médico desencarnado André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, também faz menções muito esclarecedoras sobre o assunto em mais de um livro psicografado. Poderíamos citar diversos outros casos, mas isto não é fundamental no momento. O que mais importa, é destacar que no Espiritismo a viagem astral tem finalidades muito relevantes. Em reuniões de trabalho mediúnico, em certas casas espíritas, há médiuns que se projetam para auxiliar no resgate de entidades sofredoras, retidas em regiões densas do Astral (Umbral). Sem o socorro desses projetores, este tipo de auxílio seria muito mais difícil, pois nestes casos, os desencarnados perturbados precisam das bioenergias do médium projetado, para serem despertados e/ou deslocados de onde estão. Também há o uso da projeção astral com finalidade de cura. O médium se projeta e vai, por exemplo, até hospitais do plano material, onde ele pode transmitir energias curativas a doentes encarnados.

Poderíamos nos estender mais sobre viagem astral em outros agrupamentos religiosos, como no caso do Hinduísmo ou do Budismo tibetano, mas isso extrapolaria a intenção original deste artigo, que foi a de trazer um pouco de esclarecimento sobre as ocorrências históricas e práticas usuais de projeção astral em alguns ambientes diferenciados. Esse assunto, se bem explorado e aprofundado, resultaria num conteúdo que só caberia num livro. Portanto, paramos por aqui, chegando a uma conclusão sobre viagem astral: realmente é um fenômeno universal e inerente ao homem que se espiritualiza, sendo uma “porta” para experiências diretas com tudo aquilo que está além do plano físico. Saudações fraternas a todos.


Fontes consultadas:

1- A Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica do Brasil. Brasília-DF, 1969. Edição de 1994. Tradução de João Ferreira de Almeida.
2- Devassando o Invisível. Yvonne A. Pereira. Rio de Janeiro-RJ, 1963. Editora FEB. 232p.
3- http://www.cademeusanto.com.br/sao_martinho_porres.htm (acesso em 22/06/2006).
4- http://www.catolicanet.com.br/interatividade/santo/conteudo.asp?dia=13/06 (acesso em janeiro de 2006).
5- http://www.lepanto.com.br/HagSParr.html (acesso em  janeiro de 2006).
6- http://www.padrepio.catholicwebservices.com/PORTUGUES/PORTUGUES_index.htm (acesso em janeiro de 2006).
7- http://www.santododia.com.br/sao_martinho_porres.htm (acesso em 22/06/2006).

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