ARTIGO 19 - VIAGEM ASTRAL E MUDANÇA PERISPIRITUAL

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 19 de agosto de 2012.

Quando alguém se projeta de seu corpo físico para o Mundo Sutil, o faz através do chamado perispírito (ou corpo astral). Cabe, então, uma breve explicação sobre o que é o perispírito, do qual podemos dizer, de forma simplificada, que é um envoltório para a “essência do ser” (o espírito ou consciência). Portanto, o perispírito (corpo astral) é um veículo de manifestação da consciência no Mundo Extrafísico. Quanto à composição perispiritual, não nos ateremos a essa questão no presente artigo, e apenas afirmamos que é um “corpo não material”, que possui grande plasticidade e, por isso, responde com desenvoltura aos comandos mentais da consciência que o dirige. Mas, o que é plasticidade? Bem, esta propriedade significa que o perispírito se altera com facilidade na sua forma de apresentação, conforme a vontade do ser. Ou seja, a aparência da pessoa que se apresenta no Astral pode variar fortemente, desde a infância até a velhice, passando pelo gênero feminino até o masculino, mudando também de acordo com as etnias terrestres, por exemplo.

A vasta literatura espírita/espiritualista aponta, com boa frequência, que os desencarnados modificam facilmente suas aparências. No entanto, muitos encarnados que se projetam, desconhecem a capacidade intrínseca de alterarem suas formas, enquanto estão no Astral, pois ainda estão muito presos aos condicionamentos mentais tipicamente terrenos. Principalmente, por isso, este artigo foi elaborado.

O livro “Nos domínios da mediunidade”, do espírito André Luiz, através do grande médium Francisco Cândido Xavier, assinala bem a limitação de mentalidade de nós encarnados, ao estarmos no Mundo Astral, quanto à aparência apresentada. Isto ocorre de forma especial, quando um instrutor espiritual comenta sobre um médium desdobrado, durante uma sessão espírita: Nosso amigo, então, se pudesse pensar com firmeza fora do campo físico, se já tivesse conquistado uma boa posição de autogoverno, com facilidade imprimiria sobre as forças plásticas de que se reveste a imagem que preferisse, aparecendo ao nosso olhar como melhor lhe aprouvesse, porque é possível estampar em nós mesmos o desenho que nos agrade. Ainda no mesmo livro citado é possível ler: Raros espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios, em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa.

Bem, após esses esclarecimentos, uma pergunta natural que surge é a seguinte: por quê mudar de forma no Astral, durante uma experiência extrafísica? Em resposta, podemos dizer que há pelo menos dois bons motivos. Um deles é a situação em que precisamos assumir uma aparência que inspire confiança a entidades desencarnadas, que precisem de ajuda. Por exemplo, isto é verdadeiro no caso em que vamos ao encontro de seres amedrontados/inseguros, e, assim, se nos apresentamos numa forma infantil ou idosa, teremos maior possibilidade de sucesso na atividade assistencialista (a figura de uma criança ou de um velho provavelmente não será interpretada como uma aproximação perigosa). Já um outro motivo para uma mudança perispiritual no Astral é uma questão de segurança própria. Explicando melhor, às vezes chegamos a ambientes pesados (umbralinos), onde é melhor não chamar a atenção dos frequentadores locais. Assim, será interessante apresentar-nos de maneira semelhante aos “moradores” dessas localidades, permanecendo disfarçados o quanto possível, e evitando sustos ou assédios bioenergéticos desnecessários.

Passo, a partir de agora, a compartilhar casos em que alterei a minha aparência perispiritual no Mundo Extrafísico, pois foram situações que estão bem correlacionadas ao tema deste artigo.

Numa oportunidade, estava numa região umbralina e confesso que senti medo. Após sair de um recinto fechado, onde ocorria uma festa desagradável (não sei como eu fora atraído para aquele lugar), dirigi-me para uma rua escura, onde o sentimento de insegurança tomou o meu ser. Pensei que estava muito exposto e não deveria permanecer no local. Parecia que, há qualquer momento, seria atacado. Antes que isso ocorresse, resolvi me movimentar. Comecei a correr numa marcha leve e veio-me à mente que deveria assumir uma forma feia, intimidadora, de maneira a evitar ser atacado por qualquer entidade daquela localidade. Assim, durante o meu percurso, enquanto acelerava meus passos, ia buscando sensações/sentimentos primitivos na minha memória ancestral. Conforme corria, notava que meu perispírito se alterava. Pelos cresciam rapidamente no meu corpo astral. Percebi, inclusive, com grande nitidez, pelos rompendo a superfície de todo o meu rosto. Meu peito se inflou e meus membros, antes magros como na forma física, se alargavam e se robusteciam sobremaneira. Entrei numa espécie de quase transe, e da minha garganta saíam grunhidos. Eu quase rosnava. Transformara-me num tipo de troglodita. Seria uma aparência que tivera numa vivência física primitiva, quando ainda não poderia ser considerado um hominídeo plenamente racional? Não tenho a resposta exata, mas creio que é possível. Deste modo é que eu saí daquele ambiente e, depois, quando despertei no meu corpo material, toda a experiência estava muito vívida na minha memória.

Numa outra época, quando eu atuava como médium no centro do velho amigo Nélson Vilhenna, ocorreu mais um caso de mudança perispiritual envolvendo a minha pessoa. Neste período, eu trabalhava muito com o chamado “descarrego”, ou seja, manipulava bioenergias densas com frequência, retirando “cargas negativas” do público que necessitava de ajuda. Então, talvez por isso, o amigo e dirigente Nélson me abordou certo dia para contar-me uma experiência extrafísica dele. Disse-me que, na noite anterior, encontrara-me no Astral e eu queria mostrar-lhe algo. Relatou-me que eu falei-lhe para prestar atenção em mim. Em seguida, segundo Nélson, eu sacudi a cabeça vigorosamente por poucos segundos, para logo olhá-lo fixamente. Eu estava, então, com o rosto mais embrutecido e cabelos mais fartos na cabeça. Na sequência, Nélson narrou-me que novamente voltei a sacudir a cabeça, para tornar a fitá-lo com fixidez. Conforme o meu amigo, meu rosto ficou ainda mais grosseiro e a cabeleira cresceu muito. A seguir, eu aproximei-me de Nélson, baixei a cabeça na sua frente e abri a densa cabeleira com os dedos, dizendo-lhe que observasse. Meu amigo assinalou que viu diversas larvas e vermes no meu couro cabeludo, achando aquilo muito estranho. Ele finalizou, contando-me que não se lembrava de mais nada daquela estranha experiência, não conseguindo interpretá-la racionalmente. Eu, de minha parte, coloquei-lhe que não recordava de minhas recentes atividades noturnas no Astral, mas que a sua viagem astral fazia muito sentido para mim. Nélson ficou muito curioso em saber a minha explicação para o fato, e confessei-lhe que fizera algo não recomendável. Expliquei a ele que, durante o dia anterior, eu tentara ajudar um amigo (Leone) à distância, pois soubera que passava por problemas. Assim, de minha própria residência, eu mentalizara que estava absorvendo “miasmas” e “larvas astrais” que porventura estivessem perturbando a mente de Leone. Após os minutos em que eu me concentrara para ajudá-lo, realmente me tornei mais “pesado” o resto do dia, ficando com certo mal estar. Portanto, para mim, a viagem astral de Nélson confirmou que eu tivera sucesso em dividir a “carga negativa” que estava com Leone. O mais curioso nessa experiência, no entanto, foi a mudança perispiritual que mostrei ao Nélson no Astral, e da qual não me recordei ao retornar ao corpo físico. Mais uma vez eu utilizara uma forma “troglodita” no Mundo Extrafísico! Quantas vezes eu posso ter utilizado esta aparência no Astral? É algo difícil de responder, pois minhas rememorações são limitadas, mas, contudo, creio que eu deva ter me valido dela por diversas vezes, nas atividades mais grosseiras das regiões umbralinas.

Em outras oportunidades recordo-me de ter usado, na Dimensão Sutil, aparências diferentes daquela que tenho na vida material. Uma das mais comuns é aquela em que apresento-me como oriental, quando, por diversas vezes que vi meu rosto refletido em espelhos, minha face era a de um típico japonês. Acredito que esta minha forma astral seja em decorrência de uma ou mais vidas passadas terem ocorrido na Ásia. Há pouco tempo, através de um processo psicoterapêutico que resolvi trilhar, por meio de regressões de memória, recordei vida pretérita como samurai no Japão feudal.

Finalizando o artigo, afirmamos que o tema “viagem astral e mudança perispiritual” é bastante amplo e há outros aspectos não abordados aqui. Entretanto, compreendemos que o conteúdo colocado foi o suficiente para despertar a atenção de projetores e estudiosos da questão.

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