ARTIGO 18 - VIAGEM ASTRAL É PSICOTERAPIA?

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 10 de agosto de 2012.

Após diversos anos participando de variados fóruns na Internet, notei, recorrentemente, pessoas perguntando se melhorariam de quadros depressivos, bem como de outros distúrbios psicológicos/emocionais, através da projeção astral. Este questionamento motivou-me a escrever este artigo, de modo a contribuir um pouco neste assunto.

Inicialmente, é importante trazer alguma conceituação sobre o que é psicoterapia. Embora saibamos que seu significado é amplo, e que há muitas modalidades psicoterapêuticas, é relevante colocar alguns pontos que auxiliem o leitor a se situar. Segundo o Dicionário de Psicologia Prática(1), “a psicoterapia pode ser definida como o tratamento dos problemas e transtornos psíquicos do indivíduo por meios psicológicos, ou como o conjunto de procedimentos de tratamento agudo, direto ou indireto, sobre os estados mórbidos do psiquismo segundo um processo psicológico”. Conforme a mesma fonte(1), qualquer definição de psicoterapia compreende dois itens fundamentais: a existência de um estado mórbido; e um processo psicológico, que envolve a ação do terapeuta sobre o psiquismo do doente e a reação do psiquismo a essa ação.

Portanto, considerando a conceituação apresentada, já nota-se a incompatibilidade entre psicoterapia e projeção astral, pois na primeira há um procedimento psicológico padronizado envolvido, enquanto na segunda fundamentalmente se tem um fenômeno natural, que é a saída do projetor de seu veículo físico para uma dimensão sutil (o Astral). Além disso, ainda conforme os conceitos colocados, ficou evidente a importância da ação do terapeuta, que precisa ter uma continuidade junto à pessoa em desequilíbrio.

Bem, passemos agora para alguns argumentos realizados por vários internautas, que desejavam melhorar ou se curarem de seus problemas psíquicos/emocionais, por meio da viagem astral.

Uma argumentação era a de que, ao sair do corpo, o projetor poderia encontrar-se com o seu mentor diretamente, e, desta forma, poderia dialogar com ele, recebendo esclarecimentos e/ou bioenergias curativas. No entanto, esta situação apresenta intensa fragilidade, pois como se pode ter segurança de que realmente quem é encontrado é o guia da pessoa? Mas, considerando a hipótese de que alguém acesse seu mentor no Astral, após uma saída do corpo, nada garante que os esclarecimentos/orientações sejam rememorados pelo projetor no retorno ao Mundo Físico. Em grande parte das vezes, as comunicações recebidas durante uma viagem astral são mal rememoradas (com distorções) pelo projetor, ou basicamente ficam armazenadas em seu inconsciente.

Outra colocação de internautas no sentido de se ter ganhos terapêuticos é no caso de poderem ir até o Astral Superior, e, uma vez lá, absorverem energias positivas, que os fariam melhorar ou curarem-se de seus distúrbios emocionais. Quanto a isso, assinalamos que alguém em desarmonia, pela sua má sintonia mental, tenderá a ir com muito mais facilidade às chamadas regiões umbralinas, onde predominam os desequilíbrios e vícios. Entretanto, supondo que o amparador (ou mentor) do indivíduo o auxilie a chegar até o Astral Superior, neste caso o projetor realmente poderá receber energias harmonizantes. Mas, este tipo de auxílio se caracteriza apenas como um paliativo que a Espiritualidade usa, no intuito de socorrer o encarnado. A pessoa não ficará curada de seus problemas emocionais desta forma, pois justamente está na Terra para se conscientizar de suas deficiências, transformando-se paulatinamente, fundamentalmente pelos próprios esforços.

Destacamos, ainda, outra argumentação frequente na Internet, por parte das pessoas que acreditam que encontrarão a cura para seus males psíquicos: se equilibrariam através de regressões a vidas passadas no Astral. Quanto a isso, alertamos que não equivale a uma Terapia de Vidas Passadas. Embora seja interessante acessar alguma vida pretérita a partir de uma projeção astral, quase sempre não há continuidade do processo, e muitas vezes a rememoração das vivências é parcial ou distorcida. Neste caso específico de recordação de uma vida anterior, durante o período de uma experiência extracorpórea, pode-se ter algum ganho terapêutico ou no âmbito do autoconhecimento, mas, geralmente, são situações apenas pontuais.

Neste momento, é relevante frisar que realizar viagens astrais pode trazer benefícios no campo da expansão consciencial e do autoconhecimento, mas que isso não equivale a um procedimento psicoterapêutico. Se o indivíduo não apresenta problemas ostensivos em nível psíquico, poderá, por meio de experiências extrafísicas, compreender que é uma consciência se manifestando através de um corpo e que sua vida vai além da matéria. Além disso, poderá notar que já possuiu vidas pretéritas (o fenômeno da reencarnação) e, uma vez no Astral, também será confrontado com suas deficiências, evidenciando quem ele é de fato e o que precisa melhorar (autoconhecimento). Mas, tudo isso, embora seja muito positivo, não é uma forma de psicoterapia. Ou seja, para pessoas que apresentam problemas psicológicos/emocionais nítidos, o fundamental é procurarem tratamento/psicoterapia adequados. Somente após atingir um patamar mínimo de equilíbrio/harmonia, é que se deve pensar em experiências fora do corpo, pois apenas assim serão aproveitados os benefícios deste tipo de vivência.


Fonte consultada:

(1) Dicionário de Psicologia Prática, vol. II. Coordenação de Leonardo Pereira Lima. Honor Editorial Ltda. São Paulo, 1973.

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