ARTIGO 13 - VIAGEM ASTRAL E ATIVIDADE MEDIÚNICA

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 09 de julho de 2012.

Este artigo apresenta um aspecto importante do que ocorre nos mais variados centros espíritas/espiritualistas, que usam intensivamente a mediunidade nas suas lidas ordinárias: a correlação dos trabalhos mediúnicos com experiências fora do corpo. O objetivo fundamental é assinalar o porquê da relação entre viagem astral e atividade mediúnica. Mas, antes de entrarmos no foco da questão, é importante apontar também, neste início, que o presente texto de certa forma complementa outro artigo que escrevi há tempos atrás, que foi intitulado “Projeção astral e mediunidade”, disponível também aqui neste site.

A viagem astral é um fato fortemente conectado às atividades mediúnicas de um centro, quer os médiuns saibam disso ou não. Muitos médiuns têm experiências extrafísicas, mas não possuem boa capacidade de rememoração do que lhes sucedeu. Até possuem boa lucidez quando estão fora da matéria, mas, logo depois que retornam ao plano físico, não se lembram do que ocorreu, ou apresentam memórias distorcidas, chamando-as de “sonhos”.

Fundamentalmente, para que um trabalho espiritual funcione a contento, não basta apenas a realização da atividade mediúnica no dia marcado para a sessão no templo. Antes disso, no Mundo Espiritual, existem preparativos para o que precisará ser feito no plano terreno. E esta preparação prévia no Astral, muitas vezes requere a presença in loco de um ou mais médiuns, que são retirados de seus corpos físicos (ou atraídos) por mentores especializados. Então, uma vez no Mundo Sutil, esses médiuns recebem instruções ou mesmo já iniciam uma atividade energética preliminar, que os conecta às entidades que serão tratadas no templo terreno, no dia programado para a sessão mediúnica.

Além do que foi comentado, destaca-se que há mais duas situações de relação entre projeção astral e atividade mediúnica nos centros espíritas/espiritualistas. Uma delas é a correlação entre os fenômenos, no próprio período da sessão mediúnica. Não é tão raro que um ou mais médiuns, durante os trabalhos práticos, acabe saindo de seu corpo para cumprir tarefa no Astral, seja para atuar bioenergeticamente (de forma passiva, como doador de ectoplasma, ou de forma mais ativa, aplicando passes magnéticos em desencarnados, por exemplo), ou ainda para obter informações sobre o ambiente circundante, quando podem até receber instruções diretamente dos mentores presentes.

A outra correlação relevante entre viagem astral e atividade mediúnica é a que se dá após a sessão de trabalhos no centro, quando os médiuns já retornaram para as suas residências. É frequente que algumas tarefas só terminem posteriormente, no Astral, com o concurso direto de alguns médiuns, em desdobramento espiritual. Essas atividades posteriores à sessão espírita/espiritualista podem perdurar vários dias, quando um ou mais trabalhadores encarnados serão induzidos a saírem do corpo, geralmente durante à noite.

Portanto, em resumo, assinale-se que a atividade mediúnica de vários tipos de grupos espiritualistas está intrinsecamente relacionada ao fenômeno da viagem astral. E esta correlação acontece nos momentos distintos apontados, mas para execução de um plano comum, que é o de auxiliar bioenergeticamente a desencarnados e também a encarnados. Embora grande parte dos sensitivos/médiuns não tenha boa consciência de sua atuação fora do ambiente físico, cremos que a tendência futura é de elevação desta conscientização.

A seguir, apresento um relato que consta no meu livro “Experiências Extrafísicas” (disponível nesta home page), que exemplifica razoavelmente a ação de médiuns no Astral. Este relato foi intitulado “Projeções conectadas” e ocorreu em 1994:

Logo no início de minhas atividades mediúnicas, ocorreu uma projeção astral muito significativa para mim. Realizei uma tarefa no Mundo Extrafísico, acompanhado pelo professor Nélson. Ele era o dirigente de um dos dois centros onde eu atuava e também lecionava na mesma universidade que eu frequentava.

Durante o início da viagem astral, eu caminhava solitariamente por uma estrada, rumo a um local desconhecido. Cheguei a uma localidade onde haviam vários prédios, como se fosse um conjunto habitacional. Numa espécie de praça estaquei, observando que a uma certa distância estavam muitas pessoas com aspecto humilde, algumas sentadas no chão, aparentemente gente sem moradia. Confesso que cheguei até o lugar sem saber bem o porquê. Talvez estivesse sendo guiado por algum amparador invisível.

Então, resolvi me aproximar de um grupo, quando, para minha surpresa, avistei o Nélson. Ele parecia estar ajudando de algum jeito aquele pessoal. Notei, agora que eu estava mais próximo, que os indivíduos ali eram todos índios. Homens, mulheres e crianças possuíam pele morena, rostos arredondados e olhos um pouco oblíquos, como os indígenas brasileiros. No entanto, eles trajavam vestuário normal de pessoas das cidades grandes. Fui retirado do meu estado de surpresa e inoperância, por alguém que exclamou: “- puxa! Que bom! Chegou mais um para ajudar!” De imediato, passei a me integrar ao trabalho. No entanto, não me recordo ao certo o que fiz de bom para aquelas pessoas. Era algo ligado à cura, mas minha mente material não conseguiu registrar exatamente o meu papel ali. Logo em seguida, depois de um tempo impreciso no Astral, despertei no corpo material.

Fui à universidade feliz porque me encontraria com o Nélson, podendo-lhe contar que estivéramos juntos no Plano Espiritual, fazendo algo de útil a algumas entidades necessitadas. Eu concluíra que aqueles “índios” eram desencarnados que precisavam de algum aporte de bioenergia de nós, médiuns do centro espírita recém-fundado. Quando encontrei-me com o Nélson, eu lhe disse de supetão: “- sonhei com você!” Ele, de bate-pronto, retrucou: “- eu também sonhei com você!” Então pedi que ele contasse, primeiramente, o que “sonhara”. Nélson disse que lembrava ter ajudado a um grupo de pessoas, atuando como médico. Após um certo tempo de auxílio, ele narrou que eu havia chegado e me juntado ao trabalho. Em seguida a esta fase do serviço espiritual, segundo ele, nós saímos juntos do local e fomos para uma outra região, onde atingimos um vilarejo cheio de casas. Fomos em várias residências para verificar a saúde das pessoas. Nós éramos considerados como médicos naquele lugar. Depois ele retornou ao corpo, guardando na memória os fatos aqui relatados.

A seguir, contei ao Nélson a minha versão da viagem astral. Nós ficamos muito satisfeitos, por termos nos lembrado de alguns detalhes das experiências extrafísicas que coincidiram entre si. Pode-se verificar que estivemos no mesmo local, a princípio, pois ambos vimos inúmeras pessoas que precisavam de ajuda. No meu relato, quando eu cheguei, ele já estava lá. Na narrativa de Nélson, eu cheguei após ele já estar executando uma tarefa. Ou seja, há perfeita coerência. No entanto, ocorreu uma discordância, que foi quanto ao aspecto dos desencarnados. Eu os vi como sendo de etnia indígena, enquanto Nélson os viu como pessoas comuns de uma grande cidade brasileira, com diversas miscigenações. Acredito que a minha rememoração da projeção tenha sido de qualidade inferior a de Nélson neste ponto. Entendo que, às vezes, o nosso cérebro físico provoca algumas “distorções” quanto às experiências extracorpóreas, introduzindo ou suprimindo detalhes, ou ainda transformando algumas imagens astrais em algo ou alguém com quem estamos mais acostumados, no nosso dia-a-dia terreno. É importante destacar também, que eu não entendi exatamente qual era a nossa função, tendo interpretado que fora uma atuação no sentido de curar as pessoas. Já o Nélson compreendera que agíamos como médicos. Desta forma, pode-se concluir que também há boa coerência entre os relatos nesta questão. Mais à frente, o Nélson lembrou de uma segunda fase da projeção, quando fomos no vilarejo de casas. Eu, por minha parte, não recordo deste período. Minha “mente consciente” não foi capaz de reter ou registrar estes outros fatos, embora eu estivesse lá de forma lúcida e atuante, conforme a narrativa de meu amigo. Aqui, é possível notar um fenômeno comum no Astral: podemos estar acordados e agindo lucidamente, mas corremos o risco de não trazer a memória das ocorrências para o cérebro físico. Isto caracteriza o que se chama “falta de capacidade de rememoração”.

Finalizando este relato, é relevante assinalar que eu e o Nélson, naquela época, não tínhamos conhecimento de que poderíamos nos projetar pelos nossos próprios meios. Entendíamos o fenômeno exclusivamente sob a ótica do Espiritismo Cristão, que basicamente o denomina “desdobramento espiritual”. Compreendíamos que principalmente através dos guias espirituais é que poderíamos libertar os nossos perispíritos do corpo material, para que pudéssemos ir até o Plano Astral e auxiliar em alguma tarefa, através das nossas bioenergias.

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