ARTIGO 11 - ASPECTOS SOBRE REMEMORAÇÃO DE VIAGENS ASTRAIS

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito originalmente em 22 de agosto de 2010, e revisado em 06 de novembro de 2011.

Raríssimos são os viajantes astrais que conseguem consciência contínua com frequência, isto é, deitam-se para fazer um exercício projetivo e saem do corpo lúcidos, para, em seguida, realizar algumas atividades conscientes e retornar ao veículo físico, sem lapsos de memória. A maioria das pessoas que realizam viagens astrais lúcidas, não trazem para a chamada "mente consciente" as lembranças de suas atividades extracorpóreas. Simplesmente não se recordam (as ações lúcidas ficam armazenadas no inconsciente), ou apresentam memórias parciais ou distorcidas. Com certeza, este é um “ponto de estrangulamento” relevante no registro consciente de experiências extrafísicas. Não raras vezes, ao nos encontrarmos lúcidos no Astral, nos preocupamos com a questão da rememoração. Então, nos perguntamos: “- será que vou lembrar de tudo que estou vendo?” Ou, em outras oportunidades, dizemos para nós mesmos: “- não posso esquecer isso!” Portanto, entre o estado de dúvida e o de desejar recordar, diversas vezes, acabamos por retornar abruptamente ao corpo denso, interrompendo experiências interessantes. Assim, o presente artigo pretende contribuir para o esclarecimento desta questão, que é parte importante para o sucesso pleno das incursões no Astral.

A princípio, colocaremos os tipos de rememoração possíveis, baseados em experiência própria, para uma projeção astral. Antes, ressalto apenas que o processo de rememoração pode se dar do início para o final das atividades exercidas, ou do final para o início, logo após o despertar do projetor em seu leito.

Num nível ideal, mas de ocorrência limitada, está a rememoração integral. Esta modalidade engloba todos os momentos lúcidos que a pessoa teve fora do corpo, relembrando-se toda a sequência de atividades e detalhes dos fatos, com clareza completa.

A seguir apontamos a rememoração parcial, que é um tipo comum entre os projetores, consistindo na recordação incompleta da experiência lúcida no Astral. Neste caso, quando o viajante tem sorte, o esquecimento é relativo às partes menos importantes de suas atividades.

A terceira forma de lembrança pode ser denominada rememoração condensada, que é uma maneira de recordar resumida, das partes mais importantes de uma vivência lúcida fora da matéria. Neste caso se perdem alguns detalhes, mas o contexto geral fica registrado na mente. Uma experiência com este tipo de rememoração pode ser exemplificada assim: recorda-se a ida para uma tarefa extrafísica com outros projetores e amparadores (1a fase); em seguida, lembra-se que a tarefa foi de esclarecimento a entidades desequilibradas em zona umbralina (2a fase); e, por fim, foi recordado que o retorno para o corpo físico foi difícil (3a fase). É claro que, nesta modalidade de rememorar, podem ser captados um pouco mais de detalhes do que forneceu-se no exemplo acima.

O quarto tipo de rememoração pode ser chamada rememoração distorcida, que é bastante comum entre viajantes do Astral, e que, por diversos motivos, não conseguem recuperar as lembranças com nitidez. Nesta modalidade, por ser muito frequente, nos estenderemos mais, apresentando alguns exemplos. Uma situação comum de rememoração distorcida, com a minha pessoa, é o caso de um fenômeno que chamo de “identificação”. Exemplificando, uma vez obtive uma informação no Astral (talvez através de um amparador), de que uma pessoa perderia o pai em breve. Esta informação ficou registrada na minha mente, na forma de um sonho, em que meu pai falecia e eu ficava muito abatido. No entanto, um pouco antes e logo após ao despertar no corpo material, ponderei que meu pai já havia falecido há anos e aquilo não fazia sentido. Porém, ao longo da semana, o pai de um funcionário da minha empresa faleceu abruptamente, e pude ver, de fato, o alto grau de abatimento do rapaz. Bem, na realidade o que ocorreu, de minha parte, foi uma possível experiência extrafísica com rememoração distorcida, através de um fenômeno que chamo “identificação”. Explicando melhor, no Astral eu me identificara com o sofrimento por vir do meu colega de trabalho, de tal maneira que, ao trazer a memória do que estava por acontecer, assumi aquele sofrimento como se fosse meu. Ou seja, a possível viagem astral lúcida que tive, depois de um processo de distorção na rememoração, transformou-se num sonho simbólico premonitório. Numa outra oportunidade, creio que fui avisado por algum amparador, sobre os problemas que teria numa viagem a trabalho. A situação ficou registrada na minha mente, após noite conturbada de sono, na forma de um sonho, onde eu estava discutindo com pessoas, todas sentadas em cadeiras, enquanto eu estava sentado no chão. Poucos dias depois, durante uma viagem de negócios, fiquei em situação desvantajosa. Aí, compreendi que o sonho fora possivelmente algum tipo de experiência extrafísica lúcida, mas com rememoração distorcida, resultando num sonho simbólico premonitório. É claro que, aqui, não pretendo reduzir a questão premonitória à interferência exclusiva de amparadores. Provavelmente, premonições (simbólicas ou não) ocorram por outros mecanismos além deste, mas que não fazem parte do escopo deste artigo. Outra circunstância em que possivelmente acontece uma rememoração distorcida, a partir de uma viagem astral consciente, é nos casos em que ajudamos um amigo no Mundo Extrafísico, mas a lembrança do fato se dá no formato de um sonho em que, por exemplo, fornecemos uma roupa limpa a alguém que estava com uma vestimenta toda suja. Nos dias subsequentes, não raras vezes, encontramos o indivíduo amigo no Mundo Terreno, e acabamos por nos inteirar de que está ou esteve (recentemente) passando por dificuldades. Ou seja, nestes casos, é bem possível que tenhamos realizado tarefa assistencialista à pessoa, durante uma projeção consciente, mas as recordações ficaram limitadas e distorcidas, até porque nessas situações, o teor vibratório da atividade é “denso”, o que dificulta lembranças posteriores nítidas. Um último exemplo de rememoração distorcida, que é relevante ser colocado, pela grande frequência com a qual acreditamos ocorrer, é a distorção na recordação da identidade de pessoas no Astral. Há indícios de que se possa estar projetado lucidamente com alguém no Mundo Extrafísico, mas, no retorno à matéria, confundirmos a identidade de quem nos fazia companhia “do outro lado”. Entendemos que isso acontece, porque a nossa personalidade encarnada busca na memória, automaticamente, pessoas do nosso convívio e confiança aqui no Mundo Físico, no processo de rememoração das atividades no Astral. Assim, talvez estivéssemos projetados conscientemente com algum amparador, enquanto que, no retorno ao corpo, distorcemos o fato, só “recordando” que estivéramos fora do corpo com um parente (ou amigo) encarnado em projeção. Bom, depois de vários exemplos, de forma geral, por que ocorre a rememoração distorcida? A resposta está no funcionamento da mente humana. Resumida e didaticamente, ela pode ser dividida em “Inconsciente” e “Consciente”. A mente inconsciente trabalha basicamente com simbolismos, que dificultam uma interpretação mais direta e objetiva dos fenômenos. Como nos projetamos quase sempre enquanto o nosso corpo dorme, e sendo justamente durante o sono que o Inconsciente aflora e predomina, as projeções lúcidas poderão sofrer uma maior ou menor influência de símbolos e imagens oníricas, durante o momento da rememoração. Aí temos um problema adicional, que é o de como podemos diferenciar uma projeção astral com rememoração distorcida, de uma experiência fundamentalmente onírica (sonho). Entendemos que isso não é algo fácil, nem o mais importante, embora, às vezes, acontecimentos posteriores no Mundo Físico possam esclarecer que a prévia experiência noturna, tenha sido uma viagem astral com rememoração distorcida. O mais relevante, para quem deseje realizar projeções conscientes com boa rememoração, é seguir algumas condutas gerais, expressas abaixo.

Uma rememoração adequada depende de um corpo físico bem nutrido e descansado. O cérebro é um órgão que exige muitas calorias para um bom funcionamento, o que permite inferir que uma vida bem regrada e harmônica seja essencial, também, para a recordação dos fatos extrafísicos. Um outro fator que estimula a rememoração, é descondicionar-se de pensamentos e sentimentos muito materialistas. Isto pode ser feito através de leituras frequentes sobre projeção astral, bem como sobre temas espiritualistas diversos. O treinamento persistente de técnicas projetivas também pode ser útil, tanto para a lucidez no Mundo Extrafísico, como para rememoração posterior. Uma dica importante para se evitar perder um processo de rememorar, é ficar parado na cama após o despertar, buscando na memória o que se fez à noite. Se o indivíduo se levanta e vai logo cuidar de seus afazeres, desliga-se automaticamente do que pode ter realizado no Astral. Neste caso, raramente recordará do que houve extrafisicamente, mais tarde, pois há uma tendência natural do Inconsciente “levar” tudo ou quase tudo para os seus “porões”. Por último, vamos deixar mais uma sugestão para recordar melhor, lembrando que não temos a pretensão de ter esgotado este assunto aqui. Há pessoas que, usando técnicas auto-hipnóticas, conseguem “programar” o Inconsciente para permitir lembranças mais assíduas e com maior qualidade das viagens astrais, que passam a “fluir” melhor para o Consciente. Para isso, é necessário conhecer um pouco sobre auto-hipnose e hipnose. Por fim consideramos que, quanto maior o número das condutas colocadas sejam praticadas pelas pessoas, de uma forma perseverante, melhor resultado tenderão a ter com a rememoração de atividades nos mundos sutis.

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