ARTIGO 7 - REENCARNAÇÃO E CIÊNCIA: ALGUNS ASPECTOS

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito em 16 de junho de 2009.

A comprovação científica para a reencarnação é, de certa forma, tão difícil quanto a comprovação da vida após a morte física. Até o momento, não é possível atender a todos os postulados científicos, num sentido restrito. Contudo, será que o método cartesiano/mecanicista se aplica de forma bem ajustada a experimentações psíquicas e/ou espirituais? Tranquilamente, é possível afirmar que não. O método científico tem suas limitações para alguns campos do conhecimento. Por exemplo, ainda não há equipamentos aceitos pela ciência tradicional para a mensuração das chamadas “bioenergias” (empregadas em diversas atividades de cura espiritual), embora alguns esforços envidados por pesquisadores pioneiros. O preconceito da ciência instituída é forte obstáculo para o estudo sistemático de tudo aquilo que foge aos padrões materialistas, mas este preconceito ainda tem grande força na maioria dos países. No entanto, já é possível notar cientistas com nova mentalidade, que compreendem o universo de maneira mais ampla e integrada, deixando em segundo plano a velha visão estritamente mecanicista do mundo. Assim, a questão da reencarnação vem ganhando relevância no meio acadêmico e, aos poucos, está deixando o status de crença religiosa ou mística, passando a ser uma hipótese científica digna de ser pesquisada. A seguir, serão apresentados brevemente alguns estudos relevantes sobre este tema, embora sejam apenas uma limitada amostra do que já foi feito neste sentido.

Em 1966, Stevenson (1971), da Universidade de Virginia/EUA, publicou o estudo “20 casos sugestivos de reencarnação”, que foi realizado através de investigação exaustiva e metódica de ocorrências naturais de reencarnação (recordações espontâneas) em diversos países. Após ter investigado pessoalmente cerca de 1/3 dos 600 casos catalogados, à época, Stevenson resolveu publicar uma amostra de 20 casos dos mais variados tipos, desde os que estavam muito bem embasados e documentados, até os casos com menor grau de sustentabilidade.

No ano de 1970, o trabalho de Muller (1978), diplomado como Doutor em Ciências Técnicas em Zurique/Suíça, veio a lume com o título “Reencarnação baseada em fatos”. Nesta obra, o autor discutiu intensivamente os casos de reencarnação registrados na literatura da época, conjuntamente com cerca de 700 casos que foram objeto de seu estudo particular. O Dr. Muller investigou as memórias de crianças; memórias de adultos; estudos experimentais (baseados principalmente em hipnose); sensitivos e místicos; evidências a partir do Espiritismo moderno; e o que chamou de “provas conjuntas”. Ao final do seu livro, o autor afirma: fazendo um balanço geral das diversas classificações apresentadas, verificamos a existência de seis grupos principais e mais de 25 subgrupos. A maioria dos incidentes é de caráter espontâneo, todavia, dispomos de vários métodos de pesquisa, como a regressão da memória, a investigação através de médiuns e os experimentos realizados pelos próprios sensitivos. Os relatos demonstram enorme diversidade, entretanto, são todos interligados e formam, na verdade, um sistema coerente, uma rede de evidências. Podemos, em princípio, afirmar que todos já viveram na Terra anteriormente, e que a memória de uma ou mais vidas prévias está oculta na estrutura psíquica do subconsciente.

Em 1979, o Dr. Banerjee, da Universidade de Jaipur/Índia, apresentou ao grande público aspectos de seus estudos que perduravam por mais de 25 anos, acumulando mais de 1100 casos investigados de reencarnação, em todo o mundo. A sua pesquisa, bem como a dos estudiosos citados acima, foram baseadas em rigorosos métodos, e não consideraram a reencarnação como hipótese única para a explicação dos casos, mas também a possibilidade de fraude, percepção extra-sensorial etc. O Dr. Banerjee concluiu que a personalidade humana é composta por aspectos físicos e psíquicos, acrescentando que a parte física é destruída com a morte da pessoa, mas a psíquica, de algum modo sobrevive, podendo se expressar na forma de lembranças de uma ou várias vidas passadas. Ele ainda declara, ao final do prefácio do livro, que tem a convicção de que vivemos anteriormente e de que tornaremos a viver no futuro.

Já a Dra. Helen Wambach, psicóloga norte-americana citada por Silva (1985), utilizou a hipnose clássica para encontrar alguma prova que confirmasse memórias de vidas passadas. Sua pesquisa teve duas etapas, onde, na primeira, teve 800 sujeitos (28% de mulheres), e na segunda, tinha 300 sujeitos (55% de mulheres). No primeiro grupo, constatou-se que em vida passada, a proporção entre o sexo masculino e feminino declarados, sob transe, foi de 50,3% de homens e 49,7% de mulheres. No segundo grupo, a proporção encontrada em vida anterior, também sob transe, foi de 50,9% de homens e 49,1% de mulheres. Estes resultados são os que a Dra. Wambach considera como “a prova objetiva mais robusta” de que os sujeitos realmente regrediram a vidas passadas, já que a divisão de indivíduos entre os sexos masculino e feminino acompanhou o fato biológico da espécie humana, que apresenta normalmente porcentagens semelhantes para ambos.

Mais recentemente, o pesquisador Jim B. Tucker, da Universidade de Virginia/EUA, têm realizado investigações sérias sobre reencarnação, através da memória espontânea de crianças, seguindo os passos do Dr. Ian Stevenson. Alguns vídeos sobre o trabalho de Jim B. Tucker podem ser encontrados facilmente no www.youtube.com .

Além das pesquisas mencionadas, muitos outros pesquisadores estudaram seriamente a questão da reencarnação, através de métodos variados. De posse da já vasta literatura sobre o assunto, é possível afirmar que há evidências suficientes para compreender que a reencarnação é um fenômeno natural. No entanto, prefiro finalizar este artigo com a opinião de Goswami (2005), professor titular da Universidade de Oregon/EUA, Ph.D em Física Quântica, respondendo à seguinte pergunta: as ideias de reencarnação e de sobrevivência à morte são científicas? E ele respondeu: décadas atrás, a resposta teria sido um sonoro “não”, mas, hoje, não é bem assim. Um dos principais motivos é a existência de bons dados. Referi-me antes a dados relativos a memórias reencarnatórias espontâneas. Muitos desses dados, com alguns de seus aspectos já estudados, tratam de crianças que se recordam de vidas passadas. Foram obtidos muitos outros dados nas chamadas regressões a vidas passadas: sob hipnose, trauma, drogas ou técnicas especiais, as pessoas parecem recordar incidentes de outras vidas. E muitas das lembranças trazidas à tona foram corroboradas. Em muitos dos casos, a possibilidade de fraude foi eliminada.


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Este artigo foi escrito com base num capítulo do e-bookFundamentos de Psicoterapia Reencarnacionista e um estudo de caso”, que pode ser baixado gratuitamente aqui no www.harmonianet.org , no setor “Terapias”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Banerjee, H. N. Vida pretérita e futura. Um impressionante estudo sobre reencarnação, São Paulo. Nórdica, sem data. 119 p.

Goswami, A. A física da alma. A explicação científica para a reencarnação, a imortalidade e experiências de quase morte, São Paulo. Editora Aleph, 2005. 316 p.

Muller, K. E. Reencarnação baseada em fatos, São Paulo. Edicel, 1978. 298 p.

Silva, D. B. T. Terapia das vidas passadas: reencarnação e ciência. In: Psicoterapias e estados de transe, p.187-216, São Paulo. Summus Editorial, 1985. 239 p.

Stevenson, I. 20 casos sugestivos de reencarnação, São Paulo. Editora Difusora Cultural, 1971. 520p.


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