ARTIGO 4 - ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito originalmente em 16 de julho de 2006, e revisado em 09 de abril de 2011.

Inicialmente gostaríamos de lembrar um conceito para Espiritualismo, de forma a delinear melhor a abrangência deste artigo: "doutrina que admite, quer quanto aos fenômenos naturais, quer quanto aos valores morais, a independência e o primado do espírito com relação às coisas materiais, afirmando que os primeiros constituem manifestações de forças anímicas ou vitais, e os segundos criações de um ser superior ou de um poder natural e eterno, inerente ao homem"(1). Em seguida, apresentamos um conceito clássico do que é Ecumênico: é um adjetivo que significa "universal" ou "diz-se do crente que manifesta disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas"(2). Como nós acreditamos que o Espiritualismo Ecumênico é um ótimo caminho para que o mundo seja mais harmônico, resolvemos desenvolver alguns argumentos a favor.

Caros amigos, como seria bom se a busca de Deus, ou do Divino em nós, fosse realizada em bases mais solidárias! Infelizmente, desde milênios atrás neste mundo, se mata em nome de Deus. Quando não tanto, se repudia o semelhante porque ele não pertence a nossa agremiação religiosa ou porque tem compreensões diferentes acerca da Espiritualidade, da vida e da morte. Isto tudo é fruto da infantilidade espiritual que ainda predomina neste planeta. Como podemos afirmar com intensidade quase profética, que detemos a Verdade ou que a nossa religião é aquela onde se cultua o Deus Verdadeiro? Estamos todos engatinhando na trilha da evolução espiritual, e, por isso, seria muito mais proveitoso aprendermos uns com os outros. Deus (ou o Todo), nos seus infinitos Amor, Inteligência e Justiça, jamais teria preferências. Senão, Ele não seria equânime. Por isso, a natureza, que é uma extensão da Divindade ou do Absoluto, doa indistintamente a sua energia e seus frutos a materialistas tanto quanto a espiritualistas de diversas vertentes. As leis universais estão aí para todos! Qualquer indivíduo, autoconsciente ou não, está sujeito às leis que regem a matéria e às leis que regem o chamado Mundo Espiritual.

Raciocinemos! A criação/manifestação de Deus é o próprio universo nos seus aspectos macro e microcósmicos, o que inclui, obviamente, a nós. Percebamos quanta diversidade e quantas complexidades! Daí, só podemos concluir que Deus é praticamente impossível de se avaliar. Quem pode definir quem ou o quê é Deus? Quantos nomes existem para Deus? Ora, se as religiões têm por objetivo conhecer, cultuar, aprender, conectar-se com a Divindade Suprema, e percebemos com facilidade o quanto Ela é complexa e insondável, por quê os sacerdotes de diversos tipos afirmam com tanta certeza, que a religião A, B ou C é aquela que segue o verdadeiro Senhor? Precisamos com urgência, todos nós, exercitarmos a humildade. Estamos trilhando um caminho, tateando às escuras, tentando ainda vivenciar apenas algumas leis espirituais básicas. Nenhum de nós pode bater no peito e declarar: eu pratico a correta e única religião, e sigo ao verdadeiro Pai! Isto é somente uma manifestação inocente, de quem está dando os primeiros passos na busca de uma união com o Divino.

O Mestre Jesus nos deu várias dicas excelentes para uma forte e contínua espiritualização. Quando declarou que toda a lei e os profetas dependiam dos mandamentos “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22: 35-40), firmou princípios gerais para qualquer doutrina religiosa teísta e, ao mesmo tempo, apresentou um rumo seguro para a convivência harmônica entre os mais variados agrupamentos. Quando Jesus confirmou que nós, seres humanos, somos deuses (João 10: 23-39), Ele apontou para o poder criativo inerente as nossas essências divinas, deixando claro que o principal caminho religioso é o interno. Portanto, podemos concluir que toda religião instituída é válida como forma de se buscar a Deus, embora o mais importante seja a busca interior! O fundamental é nos esforçarmos para alcançar um patamar de união com as forças cósmicas, de maneira que possamos afirmar/sentir um dia: “Eu e o Pai somos Um” (João 10: 30).

Assim compreendemos que, sobretudo por estarmos ainda numa fase primária de aprendizado espiritual, devemos respeitar o semelhante e sua escolha religiosa, porque a maioria de nós não detém profundos conhecimentos e experiência na Espiritualidade. Desta forma, cada um de nós sempre tem algo a aprender ou algo a ensinar. Isto se reflete nas tantas religiões, doutrinas e filosofias do nosso planeta. Todas têm algo a ensinar e a aprender umas com as outras.

Quem se dispuser a um aprendizado sincero, sem preconceitos quanto à origem dos ensinamentos espirituais, provavelmente atingirá mais rapidamente estados de consciência superiores, dando passos largos na direção da união com Deus (ou o Todo). É o que desejo para todos que estão lendo este artigo, mesmo para aqueles que discordarem desses argumentos. Apesar das diferenças, estamos no mesmo barco! Deve haver um motivo importante para isso! Reflitamos! Saudações fraternais.


Fontes bibliográficas consultadas:

(1)  Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1999. 3a edição.

(2) Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1986. 2ª edição.
  

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