ARTIGO 2 - MEDIUNIDADE

Autor: Pablo de Salamanca

Escrito originalmente em 21 de setembro de 2005, e revisado em 26 de março de 2011.

Hoje falaremos um pouco sobre Mediunidade. A princípio, cremos ser importante expor algumas definições, oriundas de boas fontes de referência. Segundo Allan Kardec, a Mediunidade é uma faculdade dos médiuns, e, no Livro dos Médiuns(1), consta que a palavra “médium” vem do Latim (medium), significando “meio” ou “intermediário”, ou seja, médium é pessoa que pode servir de intermediária entre os dois planos da vida, isto é, entre os espíritos e os homens.  Conforme G. M. Ney (2), Mediunidade é a faculdade dos médiuns ou sensitivos de serem “meio” aos fenômenos paranormais. De acordo com L. Palhano Júnior (3), Mediunidade é a faculdade que têm as pessoas (médiuns), em maior ou menor grau, de receber comunicações ou perceber os espíritos ou o Mundo Espiritual.

A nosso ver, as definições apresentadas apontam para um aspecto fundamental da Mediunidade, que é o da intermediação. Dependendo do tipo de sintonia que o médium (também chamado sensitivo, paranormal ou aparelho mediúnico) estiver fazendo em determinado momento, a Mediunidade poderá ser algo agradável ou não. Em outras palavras, a Mediunidade, por si só, não é positiva nem negativa, consistindo meramente numa capacidade que a pessoa tem. Exemplificando, podemos citar um caso de Mediunidade mal exercida, onde um alcoólatra, que até mesmo desconhece ser médium, sintoniza-se com grande força a um espírito, que também foi viciado em álcool em sua última existência terrena. Desta forma, o alcoólatra encarnado recebe, facilmente, as sugestões mentais de seu “amigo invisível”, para buscar bebida frequentemente. Num caso de Mediunidade bem conduzida, podemos comentar sobre alguém que passou por um treinamento adequado de suas faculdades, passando a transmitir as vibrações de uma entidade equilibrada, com regularidade e sucesso a pessoas necessitadas, numa localidade destinada à cura/harmonização.

Contudo, a questão não é tão simples. Por exemplo, existem muitos tipos de Mediunidade quanto ao fenômeno que o médium produz (clarividência, psicografia, clariaudiência, etc.), porém não vamos nos ater a estas modalidades neste artigo. Objetivamos discorrer, um pouco, sobre a natureza ou origem da Mediunidade. Uma das origens da Mediunidade de um indivíduo pode ser chamada “Natural”, onde as suas capacidades se desenvolveram ao longo de diversas vidas, devido aos esforços de aprendizado e na busca de harmonia. Isto promoveu a sutilização das próprias sensibilidades psíquicas, dando acesso a níveis de vida além da matéria. Nesta situação, como este tipo de Mediunidade é oriunda da perseverança pessoal em busca de aperfeiçoamento, a capacidade adquirida é um patrimônio do indivíduo como espírito imortal. Ele sempre renascerá com a característica conquistada, devendo, com o tempo, torná-la ainda mais eficiente em seus resultados.

Outra origem ou natureza das faculdades mediúnicas pode ser denominada Mediunidade de “Provação” ou “Trabalho”, quando o espírito, antes de reencarnar, recebe a condição mediúnica como atributo que deverá exercer na Terra, a fim de melhorar a si, enquanto beneficia aos semelhantes. É uma grande oportunidade do médium para reequilibrar suas ações errôneas pretéritas diante da chamada "Justiça Divina", ou, em outras palavras, conforme a "Harmonia Universal". Neste caso, como o indivíduo não é tão "endividado", ainda pode usar seu livre-arbítrio de forma ampla, recusando-se a cumprir à tarefa agendada previamente consigo mesmo e com a Espiritualidade. Desta forma, quando o espírito retorna ao Mundo Espiritual, terá percebido que postergou a sua harmonização perante a si e a outras  consciências, o que o leva a sentir-se um tanto fracassado e pesaroso. Por outro lado, há casos em que o médium "de provação" exerce a sua condição, mas desvia-se do que foi programado por motivos vários. Alguns passam a vender a sua atividade mediúnica, esquecendo-se do “Dai de graça o que de graça recebestes”. Outros envaidecem-se, ignorando que são "devedores" quanto à "Harmonia Universal" . Aliás, cremos que a vaidade é o pior inimigo do médium, pois ela começa a agir sutilmente, sem que se perceba, e, quando menos se espera, já há espíritos desequilibrados agindo através do seu campo mediúnico. Também, nessa situação, não são raras as manifestações provenientes do próprio inconsciente do médium, o que se configura em Animismo, que será melhor abordado em outro artigo. Nestes casos de desvio do trabalho, a Mediunidade pode ser suspensa pelos planos superiores, ou, em casos mais drásticos, é permitido que o médium fique entregue a si e às entidades obsessoras, que atraiu pela falta de seriedade, colhendo frutos amargos por isso.

Há também a Mediunidade colocada como de “Expiação”, que se origina em gravíssimos erros sucessivos do indivíduo, em uma ou mais vidas pregressas. As suas faculdades afloram inesperadamente, muitas vezes até na fase da infância, independentemente da vontade da pessoa em desenvolver sua sensibilidade mediúnica. Em outras palavras, esta Mediunidade é consequência da "Lei de Ação e Reação", sendo que o livre-arbítrio do ser fica em segundo plano. É caracterizada também por determinados sofrimentos psicológicos, que podem ser acompanhados por problemas físicos, sendo, ambos, passíveis de amenização ou eliminação conforme o médium exerça o trabalho mediúnico com consciência, amor e dedicação. É neste caso que o médium mais necessita de uma orientação segura, visando a uma autotransformação, devendo-se incluir, na maioria das vezes, um bom acompanhamento psicoterapêutico. Quanto ao desenvolvimento mediúnico, precisa de diretrizes fortes no sentido da solidariedade e do "amar ao próximo como a si mesmo". O médium de expiação, caso não encontre uma base sólida para o seu desenvolvimento e trabalho contínuo, provavelmente será vítima de processo obsessivo grave e de doenças de difícil cura pelos métodos tradicionais. No entanto, é muito importante que se frise, que é fundamental discernir aqueles que apresentam distúrbio psíquico, não possuindo uma finalidade mediúnica a cumprir na Terra, daqueles que  vieram ao Mundo  Material  com desequilíbrios a transformar, mas que tenham realmente um trabalho mediúnico a exercer.

Por último, gostaríamos de dar uma breve pincelada sobre a Mediunidade assinalada como “Missionária”. Esta caracteriza-se pela finalidade de trazer grandes benefícios à humanidade, de uma forma geral, e tem como origem dimensões elevadas da Espiritualidade. É de lá que vem o médium missionário, espírito de profundo saber e com uma Mediunidade Natural bastante desenvolvida, para servir de instrumento à harmonização dos homens. Os médiuns missionários ainda são raros neste planeta.

Antes de fecharmos este artigo, lembramos que as modalidades de Mediunidade acima mencionadas são de cunho fundamentalmente didático. Na realidade, os médiuns apresentam traços que pertencem a mais de uma natureza mediúnica, em variadas proporções, conforme o histórico da caminhada evolutiva de cada espírito.

Para concluirmos, é relevante assinalar que todo e qualquer médium que queira bem cumprir a sua tarefa na Terra, deve abraçar os estudos. Hoje temos uma farta literatura espírita/espiritualista, que aborda bem a questão mediúnica. Queremos também reforçar a importância do “Orai e vigiai”, deixando reduzida, a um mínimo, a possibilidade da vaidade se instalar. E quando esta se entranhar sutilmente em nosso trabalho, deveremos ter humildade suficiente para reconhecer nossas falhas, e coragem para mudar. Saudações a todos.

 

Fontes bibliográficas consultadas:

(1)   O Livro dos Médiuns. Allan Kardec. Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, 1996. 62a Edição.

(2)   Parapsicologia: termos e mestres. Gerardo M. Ney. Livraria Freitas Bastos. Rio de Janeiro, 1991.

(3)   Mirabelli: um médium extraordinário. Lamartine Palhano Júnior. Edições CELD. Rio de Janeiro, 1994.

Clique aqui e deixe um comentário!


LIVRO DE VISITAS



VOLTAR PARA A PÁGINA ANTERIOR