ARTIGO 17 - ENTREVISTA COM NÉLSON VILHENNA EM 2013 – TEMA: DIALOGANDO COM ESPÍRITOS


Perguntas elaboradas por Pablo de Salamanca, em 26 de julho de 2013.

 

Caros amigos, nosso entrevistado é o dirigente de centro espiritualista (C.E.F.J.) e escritor Nélson Vilhenna, autor do livro “Jornada Espiritual”, gratuito no www.harmonianet.org.

 

Nélson Vilhenna nasceu no Rio de Janeiro em 1938, tendo formação de nível superior em engenharia agronômica, profissão escolhida pela sua ligação com a terra. Graduou-se em 1966 e concluiu mestrado em 1994. Doutorou-se em 2004. Foi professor universitário entre 1976 e 2008. Quanto ao campo espiritualista, começou suas atividades mediúnicas em 1971, tendo atuado em grupos de diversas orientações, o que lhe propiciou uma vivência bastante universalista. Na maioria das instituições em que atuou, e ainda atua, exerce com freqüência a atividade de diálogo com espíritos em desequilíbrio, procurando ajudá-los a encontrar novos rumos de harmonia.

 

1) Quais os pré-requisitos naturais de um espiritualista que queira trabalhar no diálogo fraterno com desencarnados desequilibrados, que se comunicam através de médiuns em centros espíritas/espiritualistas?

Ter paciência, ser fraterno, compreensivo, tolerante, solidário e reconhecer que somos todos irmãos em diferentes etapas de aprendizado. Aprendi a desenvolver esses pré-requisitos com a prática. No início de minha experiência como “doutrinador”, acreditava que deveria ser muito severo com os espíritos, mas um dia fui censurado por um Guia Espiritual durante um diálogo, tendo, a partir de então, mudado de atitude.


2) Quais as preparações e características desejáveis a desenvolver em espiritualistas, que irão trabalhar dialogando com desencarnados em desequilíbrio?

Conhecer bem o Evangelho de Jesus, as obras de Allan Kardec e estar atualizado com as novas orientações trazidas pelos espíritos, sendo honesto em suas atitudes.


3) Como deve ser abordado, inicialmente, um espírito necessitado de esclarecimento que acabou de manifestar-se em um médium?

Sempre dar-lhe as boas vindas e afirmar-lhe que está entre amigos. Quando nos comunicamos com o coração aberto e sem preconceitos, grande parte do trabalho fica bem encaminhado.


4) Quando uma conversa com um espírito sofredor deve ser curta, e quando este diálogo pode ser mais longo?

Deve ser curta quando percebemos que a rebeldia do espírito não lhe permite abrir-se para o diálogo, e que fundamentalmente aproveita a oportunidade para sugar energias do médium.

Deve ser mais longo, à medida que o espírito se permite receber orientação e discuti-la francamente, abrindo-se, gradativamente, para se libertar das correntes negativas que obstruem seu entendimento.


5) Em caso no qual o animismo do médium é evidente, como ajudar melhor o espírito que tenta se manifestar?

Sempre conduzindo o diálogo normalmente, para não humilhar o médium, mas convocando-o à firmeza e a colaboração no processo de amparo.


6) Como agir quando a entidade que se manifesta, apenas quer prejudicar a reunião mediúnica ou ao médium que está utilizando?

Embora o tratando com respeito, é chamada sua atenção com firmeza para que mantenha o mesmo nível de respeito. Em seguida, aplicar passes de limpeza para livrá-lo de interferências externas, mas se continuar insistindo na dureza de sentimentos, convocar as correntes de proteção e entregá-lo para que seja encaminhado a local adequado às suas necessidades.


7) Como dialogar com espíritos que foram, quando encarnados, figuras de poder político ou de comando militar, que apresentam-se inflexíveis ou intolerantes?

Procurar mostrar que a posição ocupada quando encarnado de nada vale após a chamada morte. Mostrar que as ações cometidas na carne repercutem na vida espiritual, trazendo paz ou sofrimento. Quando se sentem injustiçados, é aberta a “Tela Mental” do espírito (possibilitando vislumbrar uma ou mais vidas passadas) para que ele reconheça em si as causas do sofrimento por que passa e buscar esclarecer que, como filho de Deus, pode se recuperar através de atitudes mais harmoniosas com a Lei Divina.


8) Como dialogar com espíritos que foram, enquanto consciências encarnadas, personagens religiosas ortodoxas?

Esses espíritos, geralmente, são de mais difícil diálogo, pois se acham senhores da verdade e não aceitam conversar com pessoas “inferiores”. Nesse caso, usar o Evangelho de Jesus nas passagens que mais demonstram a diretriz equivocada de sua conduta, evitando sempre confronto de opiniões que, normalmente, levam a um resultado negativo. Certa vez, manifestou-se em um médium o espírito de um Pastor Protestante de uma igreja renovada que, a princípio, não identificava o ambiente onde se encontrava. Disse-lhe tratar-se de um local onde as pessoas se reuniam em nome de Deus para ajudar os seus semelhantes. Não entendeu bem, pois não via similaridade com o templo que estava acostumado a frequentar. Depois de tentar convencer-me de que a sua escolha era a única que conduzia à salvação, desenvolveu atitudes anímicas para mostrar que recebia orientação direta do Espírito Santo. Fui obrigado a desmascará-lo e conduzi o diálogo exclusivamente dentro do Evangelho de Jesus. Quando já se encontrava baqueado em suas defesas, fui intuído a fazê-lo observar a presença de conhecidos seus que iriam ajudá-lo. Nesse instante percebeu a presença de um irmão que havia sido também Pastor e, admirado por ele estar ali trabalhando conosco, resolveu segui-lo.


9) Qual a melhor forma de conversar com espíritos obsessores muito revoltados e inflexíveis, quanto ao desejo de vingança?

Encaminhar o diálogo de forma a mostrar que ninguém sofre a toa. Existe sempre uma razão oriunda da Lei de Causa e Efeito. A “injustiça” sofrida e que gera o desejo de vingança, se deve a outra “injustiça” praticada no passado pelo “injustiçado” de hoje. Através da “Tela Mental” fica demonstrado o fato. Explicar que, caso não haja o perdão mútuo, esse fato se repetirá por várias encarnações, como uma “roda viva”.


10) O que fazer quando um espírito líder de falange se manifesta, e, logo após, seus comandados incorporam em outros médiuns, ao mesmo tempo?

Pedir o máximo de concentração dos presentes e vibrações de amor que todos gostariam de receber. A seguir manter o diálogo com o líder, como explicado anteriormente, confiando na assistência espiritual superior. Aplicar passes de limpeza, especialmente nos chakras do Plexo Solar, Esplênico e Básico e, percebendo que está cedendo, mostrar sua responsabilidade em continuar comandando para ajudar seus seguidores a se libertarem das correntes trevosas.


11) Como dialogar com espíritos que apenas acoplam-se aos médiuns, mas não falam por dificuldades próprias, ou simplesmente não desejam falar nada?

Quando o espírito não fala por dificuldade oriunda de cristalização energética da última encarnação, procurar, através de passes, desobstruir os bloqueios. Ao mesmo tempo explicar que, como espírito, não apresenta mais o problema da carne e que o que sente é apenas ilusão de ainda estar com o dito problema. No caso daqueles que não desejam falar, fazer os argumentos normais, assegurando sua filiação a Deus, acompanhada de passes e encaminhar o espírito para o local mais adequado às suas necessidades.


12) Como conversar e ajudar pessoas que desencarnaram na infância, manifestando-se como crianças sofredoras através de médiuns?

Não dá para dialogar com espíritos que guardam as características infantis, pois ainda não desenvolveram o raciocínio complexo nesta fase. Assim, devem ser convidados espíritos amigos que trabalham apresentando sua forma perispiritual como crianças, mas com raciocínio lógico, que se encarregam de ajudar no encaminhamento daqueles outros espíritos. Tratar com muito carinho e passar ainda confiança de que não ficarão abandonados, que irão para um lugar muito lindo e que poderão ver suas mães quando melhorarem.


13) Quais orientações e recomendações você daria a médiuns, que têm programação espiritual para serem incorporantes de espíritos sofredores, em reuniões mediúnicas?

Ser humilde, ter compaixão e não se envolver emocionalmente com o sofrimento desses espíritos, para não dificultarem o processo de amparo, evitando também absorverem cargas negativas dos mesmos. Tenho convivido com médiuns muito emotivos que, ao final de uma dessas manifestações, precisa receber passes de limpeza por um de seus Guias ou por mim mesmo.


14) Gostaria de relatar algum caso especial em que você ajudou um espírito desequilibrado, através do diálogo orientador, numa sessão espiritualista?

Recentemente um guardião chamou-me para ajudar num trabalho de justiça, em que um rapaz havia sido acusado de corrupção e afastado de suas funções. Apresentou-se na médium um espírito arrogante e muito senhor de si, que não entendia o que estava fazendo ali. Cumprimentei-o como irmão e encaminhei o diálogo para a questão do rapaz. Afirmou-me que tudo estava certo, não havia o que ser mudado, pois fora muito bem “pago” para realizar o trabalho. Expliquei-lhe que estava iludido, pois um espírito não precisa de comida ou bebida oferecida pelos encarnados, e que o prejuízo causado ao rapaz contrariava a Lei Divina. Afirmou então que a única lei conhecida por ele era a sua própria, e que dera sua palavra, e assim executou o serviço. Disse-lhe que a sua palavra de nada valia diante da Lei Maior. Ele não gostou nada dessa afirmação e insistiu que a sua palavra era lei e nada mudaria. Expliquei-lhe que não precisava temer seu superior, pois estava sob a proteção de Deus. Negou ter um superior e disse que trabalhava sozinho. Confirmei que tinha e que o mesmo havia trabalhado magneticamente sua mente e vontade, para sugar-lhe energias enquanto acreditava ser o único beneficiário dos “pagamentos” recebidos. Ficou aborrecido e disse que apenas tinha feito um treinamento para agir do jeito que agira, mas que ficou independente. Fiz ver a ele que eu não queria prejudicá-lo, mas ajudá-lo a se libertar daquelas correntes que o mantinham escravizado. Pedi a ele que aceitasse, com a mesma coragem com que agira, fazer uma experiência para verificar se eu estava dizendo a verdade. Perguntou o que eu iria fazer e disse-lhe que mostraria os cordões energéticos que estavam ligados ao seu superior, e que servia para o mesmo sugar suas energias. Assim foi feito e ele decepcionou-se muito com o que viu. Com sua autorização cortei esses cordões e o convidei a corrigir o mal feito. Tornou a explicar que dera sua palavra e por isso não podia voltar atrás. Reforcei a orientação de que também o encarnado apenas usou-o para o trabalho, e não estava nem um pouco preocupado com as consequências que recairiam sobre ele. Ficou mais abatido e perguntou-me o que fazer. Expliquei-lhe que ele seria encaminhado para sua recuperação, não aprisionado, onde seria tratado e que depois poderia decidir sobre sua vida sem a interferência de ninguém. Perguntou-me como poderia saber que eu dizia a verdade. Peguei-lhe a mão e fiz um acordo: caso eu não estivesse certo e se assim fosse permitido, ele poderia retornar e me levar consigo. Sentindo-se encorajado e percebendo a minha sinceridade, despediu-se e desligou-se da médium. O guardião retornou para “limpar” a médium de energias deletérias do contato com aquela entidade, confessando que não acreditara ser possível um desfecho positivo como o alcançado, em virtude das vinculações energéticas daquele irmão. Agradeceu e também partiu.


15) Recomenda alguma bibliografia aos interessados no assunto “Dialogando com espíritos”?

Recomendo dois livros básicos:

- Diálogo com as Sombras – teoria e prática da doutrinação, de Hermínio C. Miranda.

- Instruções Básicas para um Doutrinador, de Doris Carajilescov Pires.


16) Fique à vontade para tecer seus comentários finais sobre o tema “Dialogando com espíritos”.

O médium deve sempre se conduzir com humildade e nunca se vangloriar dos resultados positivos alcançados com os espíritos. Reconhecer que o trabalho de diálogo com os espíritos não é realizado somente por ele, mas que colaboram vários amigos do Astral para que o amparo seja vitorioso. Muitos espíritos só conseguem se libertar de correntes trevosas ou de suas convicções negativas, com o apoio desses amigos. Encontramos entre esses colaboradores, espíritos de diferentes categorias, desde aqueles que escolheram trabalhar com energias muito densas, até aqueles com alta carga de energia amorosa e sutil. Um cuidado extremamente necessário é o de não se preocupar com a alcunha que os espíritos desequilibrados se apresentam, pois eles buscam impressionar e amedrontar os presentes, mas nem sempre dispõem da força para preservar sua postura.

Finalizando, o médium deve ter uma conduta moral equilibrada, que assegure sua respeitabilidade diante desses espíritos. Não é o cargo que ocupa no Centro, nem a sua cultura superior à média da população, que vai submeter a arrogância dos irmãos necessitados às orientações transmitidas durante o diálogo.

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